Uma ferrovia destinada a servir para o escoamento da produção fabril do PIM (Pólo Industrial de Manaus) vai impactar no aumento de gastos em logística para as empresas instaladas no Estado. Pelo menos essa foi a conclusão de um estudo feito pelo Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) e divulgado nesta quinta-feira durante debate sobre a validade dos investimentos em transporte e logística na região Norte previstos no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).
O debate, acontecido praticamente um mês após a primeira reunião, contou com a participação de representantes ministeriais, técnicos e pesquisadores ligados a ONGs e entidades de classe, que discutiram a viabilidade da construção de uma ferrovia como obra substituta ante a recuperação da BR-319 entre Manaus e Porto Velho (RO).
Na ocasião, o coordenador da Comissão de Logística do Cieam, Augusto César Rocha, foi contundente ao afirmar que as indústrias do PIM são as responsáveis diretas pelo desenvolvimento da região, motivo que freou ações de extrativismo predatório e o avanço da pecuária tradicional. Segundo o especialista, apesar de ter alçado um patamar razoável de atratividade para vários segmentos da economia, a região ainda conta com uma infra-estrutura de logística deficiente para servir a contento o alto fluxo de cargas destinado ao mercado interno.
Rocha disse que, para uma ferrovia proporcionar às empresas do PIM as mesmas vantagens observadas em outras regiões, seria necessário que a linha férrea partisse direto da capital e estivesse interligada ao sistema nacional de ferrovias. Segundo o coordenador, essa ligação proporcionaria menor necessidade de transferência das cargas para outros modais durante o trajeto entre o Amazonas e São Paulo, como está previsto no pré-projeto.
“Entendemos que a solução para a logística na região deve ser sistêmica. O projeto da ferrovia como está não trará a eficiência que as empresas necessitam na matriz de transporte do Amazonas, além de representar gastos excessivos paradoxais aos objetivos que se propõe os estudos de logística”, apontou o coordenador.
Braga aponta divergências
A implantação de um eixo ferroviário também foi o alvo das críticas do chefe de gabinete do Ministério dos Transportes, Aluísio Braga, que apontou itens contraditórios no pré-projeto, como custos de materiais e prazo de conclusão da obra. O executivo disse concordar que o impacto ambiental de uma ferrovia é muito menor que o de eixo rodoviário, mas asseverou a importância da BR-319 para a fluidez do trânsito de cargas destinada à região e para o escoamento da produção fabril do Estado do Amazonas.
No seu discurso, Braga lembrou que, há dois anos, qualquer estudo sobre a logística local falava da recuperação da rodovia como de vital importância para a manutenção do desenvolvimento econômico da região. Essa pressão ideológica, segundo informou o representante, culminou com a incorporação da BR-319 no orçamento do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) do governo federal.
“Para não seguirmos a mesma aventura da construção da hidrelétrica de Balbina, a gente precisa de um estudo mais sério e detalhado do projeto, que ainda está muito embrionário e lança muito mais incertezas que fatos conclusivos”, acrescentou o especialista.
Amazonas está diante de uma encruzilhada, avalia Viana
Críticas à parte, o projeto da implantação de um eixo ferroviário parece encontrar forte apoio em entidades ambientais e ONGs (Organizações Não-Governamentais) que atuam na região. Segundo o diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável, Virgílio Viana, o Amazonas está diante de uma encruzilhada histórica, cuja decisão por qual caminho tomar (reconstrução da BR-319 ou construção da ferrovia) terá reflexos nas gerações futuras. O executivo se disse esperançoso de que o debate permita à sociedade maior reflexão sobre qual meio de transporte traz mais vantagens para a ligação terrestre com o restante do país.
Preservação
ambie







