Dados do Caged apontam retração de 61,56% em abril

Em: 19 de maio de 2009
O último relatório do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), divulgado ontem, mostra recuperação do mercado de trabalho
O último relatório do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), divulgado ontem, mostra recuperação do mercado de trabalho

O último relatório do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), divulgado ontem, mostra recuperação do mercado de trabalho. Porém, no Amazonas houve retração de 61,56% no volume de vagas formais em abril, quando o número de admitidos foi de 13.055 e o de demitidos atingiu 14.124 postos, o que resultou num saldo negativo de 1.069 empregos. Enquanto no ano passado houve um saldo positivo de 2.781 ocupações no mesmo período.
No Estado do Amazonas foram analisados 11 municípios: Parintins, Maués, Humaitá, Manicoré, Tabatinga, Tefé, Itacoatiara, Iranduba, Manacapuru, Coari e Manaus. A cidade de Manaus lidera o ranking no Estado, com 12.434 admissões, 13.382 demissões e resultado negativo de 948 postos de trabalho, seguida de Manacapuru e Coari, com 240 e 169 desligamentos no mês de abril, respectivamente. As cidades foram escolhidas por terem mais de 30 mil habitantes. Na Região Norte foram criadas 3.165 ocupações, com destaque para os Estados de Rondônia, Acre e Amapá.
Na indústria o Amazonas teve 1.887 admissões e 4.760 demissões, com resultado final negativo de 2.873 vagas fechadas. A variação foi de -2,78%. Segundo o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco, a redução destes postos de emprego é o “fundo do poço” da crise financeira. “Acredito que isso já é o fundo do poço da crise. Não esperava essa redução para abril, já que o segmento de eletroeletrônicos e duas rodas aumentaram a ­produção”, disse.
Périco espera que os dois segmentos que tiveram aumento de produção liderem a lista dos próximos relatórios do Caged, quanto ao crescimento de empregos. “A produção do PIM está estável e espero crescimento até o segundo semestre nos dois principais segmentos da nossa indústria – produção de motocicletas e eletroeletrônicos”, explicou.

Baixa variação

O setor da construção civil estabeleceu marca de 2.967 entradas no mercado, contra 2.647 saídas, consolidando 320 pessoas que permaneceram com emprego – variação de 0,47%. O diretor-financeiro do Sintracomec-AM (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado do Amazonas), Márcio Rocha Bentes, avaliou a situação: “Essas perdas de empregos não representam muito para a categoria, porque é a média da rotatividade entre os empreendimentos que terminam e os que começam. Logo depois de demissões como essas vêm as readmissões um mês depois”, explicou.
Em todo o país, abril terminou como o terceiro mês consecutivo de saldo positivo entre o número de postos de trabalho abertos e encerrados, totalizando 106.205 novas vagas.
Isto representa 36,06% da quantidade de empregos gerados no mesmo período do ano passado. O resultado do emprego deste mês em particular é três vezes maior que o de março, quando foram criados 34.818 empregos formais. No acumulado de janeiro a abril de 2009, foram abertos 48.454 empregos com carteira assinada. Em abril de 2008, o saldo havia sido de 294.522 vagas.

Estoque de empregos formais na economia sobe 0,33% em abril

O número de demissões de janeiro, 101.748 mil, foi vencido pelo saldo positivo nos meses de fevereiro, março e abril. Nos quatro primeiros meses do ano, o país apresentou saldo positivo no número de empregos formais de 48,4 mil vagas. Com o resultado, o estoque de empregos formais na economia subiu 0,33% em abril em relação a março, para mais de 32 milhões.
O ministro Carlos Lupi, destaca a posição do Brasil frente aos outros países quanto a diferença entre os empregos gerados e finalizados. “Nós somos o primeiro país do G-20 a ter saldo positivo de emprego. Isso porque eu não considero a China, que não tem um sistema confiável de medição”, analisou o ministro.
Em abril, os setores que mais contrataram foram os de serviços, com 59.279 novos postos de trabalho; agricultura, com 22.684 novas vagas; construção civil, com 13.338 mil ocupações e comércio (5.647 admissões).
No quadrimestre, o setor de serviços também foi o destaque, com 168.529 novos postos, no qual a área de educação apresentou recorde para o período, com adição de 58.719 mil vagas. A construção civil ficou em segundo lugar, somando 43.677 mil vagas. Em seguida, apareceu a administração pública, com 28.898 mil empregos.
A crise global afetou de forma mais clara a indústria de transformação e o comércio, que acumularam resultados negativos entre janeiro e abril de 2009. Na indústria, o resultado líquido foi a dispensa de 147.178 mil funcionários. O comércio perdeu 65.106 trabalhadores.

Setores têm saldo positivo

Os seis principais setores da atividade econômica registraram, pela primeira vez no ano, um saldo positivo de emprego. De acordo com os dados do Caged, o segmento de serviços foi o que teve o melhor resultado absoluto em abril e foram criados 59.279 mil novos postos de trabalho. No ano, o saldo do setor é positivo em mais de 168,5 mil vagas.
A construção civil voltou a apresentar saldo positivo de ­admissões em abril. Nesse segmento foram criados 13.338 mil novos postos de trabalho no mês passado. No ano, o saldo positivo é de mais de 43,6 mil empregos formais. Na agricultura, o saldo também foi positivo em abril e foram criadas 22.684 mil novas vagas. Essa geração de novos postos fez o nível de empregos formais ficar positivo no setor pela primeira vez no ano em mais de 18,7 mil vagas.
Na administração pública também houve mais admissões do que demissões. O saldo foi de 5,032 mil novos postos de trabalho formais. No ano, o saldo é positivo em 28,8 mil vagas.
A indústria de transformação registrou pela primeira vez um saldo positivo de empregos. Em abril, houve criação de 183 novos postos de trabalho formal. Contudo, o desempenho do setor no ano tem saldo negativo de 147,1 mil postos formais de trabalho.
No comércio, o mês de abril registrou saldo positivo de 5.647 mil novas vagas. No ano, o segmento ainda apresenta redução do nível de emprego, de 65,1 mil postos de trabalho.
“Eu acredito que, no final do ano, serão gerados mais de um milhão de empregos no ano e crescimento do PIB entre 2% e 3%. Eu acredito que todos os setores da economia já estão dando uma resposta. O Caged é o registro de todos os celetistas no Brasil, não é palpite, não é pesquisa e não é projeção”, declarou Lupi.

Saldo negativo

Das 27 unidades da federação, em nove ainda há saldo negativo de empregos formais. Nos outros 18 Estados, o saldo é positivo. São Paulo é o Estado que teve o melhor saldo em abril, com a criação de 72.022 mil novas vagas. Apenas a região Nordeste, segundo os números do Caged, ainda mostra uma redução do mercado de trabalho. Nos Estados dessa região, foram fechadas mais de 24,6 mil vagas em abril.
Segundo o Ministério do Trabalho, o saldo negativo tem a ver com fatores sazonais relacionados à agroindústria.
No Norte, houve a criação de 3.165 vagas formais. O melhor resultado no Estado de Rondônia, onde foram criadas mais de 2.079 mil novas vagas. Lupi disse que o resultado positivo se deve principalmente ao início das obras na usina de Jirau, no rio Madeira.
O Sudeste puxou o crescimento do emprego formal no país e registrou a criação de mais de 99 mil novos postos. Todos os Estados dessa região tiveram saldo positivo de emprego. No Sul, o saldo positivo foi de 11.708 mil admissões. O melhor resultado ocorreu no Paraná, onde o houve a criação de 7.937 mil novos empregos com carteira assinada. Todos os Estados da região tiveram saldo positivo.
Na região Centro-Oeste, o saldo também foi positivo em 19.402 mil postos. O melhor desempenho do mercado de emprego foi em Goiás, onde foram abertas 14.662 mil novas vagas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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