Decisão de chinesa expõe risco para o PIM

Em: 6 de outubro de 2011
Na última segunda-feira, 3, a empresa chinesa anunciou a instalação de sua primeira montadora no Brasil em Pernambuco
Na última segunda-feira, 3, a empresa chinesa anunciou a instalação de sua primeira montadora no Brasil em Pernambuco

A possibilidade de que outros grupos do polo de duas rodas possam seguir o mesmo caminho da chinesa Shineray que optou pelo complexo industrial e portuário de Suape em lugar do polo industrial amazonense trouxe preocupação e dividiu opiniões sobre prejuízos ao setor no Amazonas.
Na última segunda-feira, 3, a empresa chinesa anunciou a instalação de sua primeira montadora no Brasil em Pernambuco. A gerência da empresa alegou que a preferência pelo Nordeste em relação ao PIM se deveu a vantagens logísticas e de infraestrutura na comparação com o Amazonas, que mesmo com os incentivos fiscais oferecidos, não atraiu o interesse da companhia.
“Não tenho dúvidas que a decisão da Shineray represente um risco. A logística é o nosso ‘calcanhar de Aquiles’ no Estado. Em contrapartida, Pernambuco está muito mais próxima dos grandes centros. Os nossos incentivos fiscais que deveriam fazer a diferença estão cada vez menores e esse foi o primeiro grupo dentro do segmento a perceber que a diferença tributária pode ser compensada”, afirmou o economista José Alberto Machado.
Segundo ele, a situação dos terminais da estrutura portuária, que atualmente operam no limite de suas capacidades e os impasses jurídicos para a construção de novos portos são apenas alguns dos problemas enfrentados pelo Estado.
“Temos ainda a fraca infraestrutura do aeroporto da cidade e a enorme dificuldade de abastecimento energético de Manaus, para citar apenas dois entraves”, criticou.
O economista titular do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Júnior, explica que a maior parte das cargas são transportadas por via fluvial. “Na época de seca dos rios, é preciso diminuir o tamanho dos contêineres e a prioridade no desembarque para os produtos de primeira necessidade. A matéria-prima importada é a última a chegar ao seu destino, tudo isso atrasa muito o processo”, detalhou.
Além dos problemas estruturais citados pelos economistas, o presidente da Aficam, (Associação dos Fabricantes de Componentes da Amazônia), Cristóvão Marques, apontou a burocracia portuária e logística que é outro grande gargalo da indústria amazonense. “Só prorrogar a Zona Franca não resolve, é preciso resolver questões como essa”, enfatizou.
Ele disse ainda que essa situação não se restringe apenas ao setor de duas rodas. “Fabricantes de outros produtos como ar-condicionado split já se decidem pela instalação da planta industrial em diferentes regiões”, exemplificou.

Caso isolado

A Suframa disse respeitar a decisão da Shineray, mas a considera arriscada, “Uma vez que o polo de duas rodas implantado na Zona Franca de Manaus oferece vantagens comparativas superiores ao de qualquer outro ponto do território nacional, tanto pelos incentivos fiscais diferenciados quanto pelo profundo adensamento de sua cadeia produtiva”, declarou o coordenador-geral de Acompanhamento de Projetos Industriais da autarquia, Gustavo Igrejas.
Ele informou não acreditar que tal decisão se tornará uma tendência entre as demais empresas. “A julgar pelo histórico de investimentos efetivamente implantados no segmento a nível nacional, o PIM tem sido destino praticamente exclusivo das fabricantes de motocicletas no país e deverá, se manter essa condição nos próximos anos”, avaliou.
O presidente em exercício da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Athaydes Mariano Félix, também aposta na continuação da competitividade do modelo. “Com suas mais de 550 empresas instaladas, o polo de duas rodas mantém-se competitivo, haja vista os projetos recém aprovados pelos conselhos da Suframa e do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Amazonas). Não resta dúvida que os incentivos fiscais concedidos na Zona Franca de Manaus continuam atrativos”, afirmou.
No entanto ele afirma que a federação tem conhecimento e reivindica obras de melhorias na infraestrutura de transportes, que segundo afirma são prioritárias para ampliação das vantagens comparativas do Estado.
“A decisão da empresa é isolada, portanto não confirma uma tendência”, resumiu.
A Shynerai foi a primeira empresa a optar pelo Nordeste ao invés de instalar fábrica no Amazonas. O investimento inicial é estimado em R$ 100 milhões e geração de 400 empregos diretos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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