Depois de encerrar o primeiro bimestre com saldo negativo na geração de empregos -1.611 demissões segundo o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego)- e fraco dinamismo na produção industrial -1,7% em janeiro de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o cenário desfavorável da economia amazonense neste início de ano também foi evidenciado pela balança comercial do período divulgada pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
Entre janeiro e fevereiro, o Amazonas exportou o equivalente a US$ 127,14 milhões enquanto as importações totalizaram US$ 1,99 bilhão. O resultado foi o segundo pior déficit do país (US$ -1,872 bilhão), atrás apenas do Estado de São Paulo, que fechou com saldo negativo de US$ 4,653 bilhões.
A justificativa da sazonalidade do período já não é suficiente para explicar o desaquecimento. Para o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, os vilões são outros. “A taxa cambial do jeito que está, com o real supervalorizado, deixa nossos produtos mais caros no mercado externo, o que impacta diretamente nas nossas exportações. Enquanto isso, competir no mercado interno com os produtos importados está cada vez mais difícil”, destacou.
Só com importações de insumos provenientes da China, o Amazonas gastou US$739,69 milhões entre janeiro e fevereiro, crescimento de 32,6% frente ao mesmo período do ano passado. Em seguida, os maiores gastos foram com a Coreia do Sul (US$ 297,54 milhões) e com o Japão (US$ 221,99 milhões). Ao todo as importações do Amazonas cresceram 10,51% no bimestre em comparação a igual intervalo de 2011, quando foram gastos US$ 1,80 bilhão.
Os principais insumos, segundo o levantamento, foram componentes para receptores de TV e rádio (US$ 426,64 milhões), acessórios para motocicletas (US$ 74,68 milhões), conjunto para disco rígido (59,51 milhões) e placas de circuito integrado com US$ 56, 61 milhões.
Para o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, outro fator que aumenta a importação de insumos é o avanço tecnológico. “Produtos de alto valor agregado produzidos aqui como os tablets, por exemplo, exigem insumos que o Brasil não tem tecnologia para fabricar e a solução é trazer de fora”, constatou.
Por esse motivo, de acordo com ele, somado ao fato de a demanda maior vir do mercado interno é que o déficit da balança comercial brasileira deve persistir.
Mercado Externo
Ao contrário das importações, as exportações registram queda de 15,40% no primeiro bimestre. Com US$ 127, 14 milhões frente aos US$ 150,29 milhões referentes ao ano passado.
Os principais países compradores de produtos brasileiros frearam o consumo. As vendas para a Argentina sofreram retração de 33,46%, seguida da Venezuela e Colômbia, com queda de 13,66% e 16,46%, respectivamente.
Da mesma forma os produtos mais exportados tiveram menor saída no começo de 2012, como a venda de terminais portáteis para aparelho celular que decresceram 71,37%. Aparelhos de barbear e preparo para elaboração de bebidas também registraram queda. Somente a exportação de motocicletas obteve crescimento de 86,90%.
No entanto, apesar de parecer uma boa notícia para o setor, o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Athaydes Mariano Félix, explica que a expansão nas exportações do segmento de duas rodas foi consequência da falta de compradores no mercado interno. “Os revendedores ficaram com um estoque alto no fim do ano passado e no início de 2012 diminuíram os pedidos. Então a saída da indústria foi forçar o mercado externo”, esclareceu.
Soluções
Segundo Ailson Rezende, a expectativa é que a redução da Selic -taxa básica de juros- para 9,75% e a ligeira apreciação do dólar, cotado hoje em US$ 1,80 aproximadamente ainda não refletiram, mas podem trazer melhores resultados nos próximos meses, tanto para a exportação porque controla a valorização do real quanto para a importação porque permite melhores níveis de competição com os produtos vindos de outros países.
O analista de economia da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas, aponta ainda outras soluções como o aumento das alíquotas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e II (Imposto de Importação) sobre produtos acabados importados da Ásia. “Medidas macroeconômicas como essa somadas à correção de infraestrutura de logística, gargalo de toda a indústria brasileira em especial no Amazonas podem ser um alento nesse período de baixa competitividade”, avaliou.






