Deficit portuário pune empresas

Em: 12 de novembro de 2013
Falta de frequência nos portos prejudica competitividade das empresas instaladas no PIM
Falta de frequência nos portos prejudica competitividade das empresas instaladas no PIM

Falta de estrutura, de logística e de regularidade das atividades portuárias prejudicam a chegada e saída de produtos em Manaus. Responsável por algo entre 60% e 70% da importação e saída de produtos da Zona Franca, a falta de investimentos prejudica a indústria que gasta até quatro vezes mais utilizando outros meios de transporte.
Segundo explica o presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco, 100% da saída dos produtos de duas rodas e de eletroeletrônicos grandes se dão por meio marítimo. “Televisores, receptores e duas rodas são 100% por meio marítimo. Só que ficam prejudicados por não ter muito acesso. O custo apesar de ser mais barato na composição da cadeia fica inviável, por que você não tem frequência para poder massificar as atividades”. As consequências incluem a perda de competitividade. “Se houvesse maior disponibilidade, essa competitividade seria melhor e provavelmente a demanda aumentaria”, conta.
A falta de frequência ocorre pela falta de capacidade de carga e descarga dos portos da cidade. Périco lembra que a cidade tem hoje uma grande capacidade de armazenagem, mas em virtude da falta de estrutura dos portos não consegue dar agilidade ao processo o que inviabiliza um maior uso. “O custo do armador para trazer o navio para cá para carregar e descarregar é muito grande. Fica aquela questão do ovo e da galinha. Você tem hoje capacidade de armazenagem portuária, mas não tem agilidade na atividade portuária”, ressalta.
O economista da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas, ressalta que o comércio que hoje é feito por meio fluvial na verdade é rodo fluvial, realizando apenas uma parte do caminho. “Não há datas estabelecidas. Se torna pouco viável para a indústria que trabalha com as coisas planejadas. A indústria acaba utilizando o sistema rodo fluvial e o restante vem do transporte terrestre. Todavia o processo através da cabotagem sairia mais em conta. Não há investimentos de empresas para suprir essa demanda e melhorar esse transporte. Não sabemos dizer porque. Pois empresas e carga há”, comenta. Atualmente, para a maioria dos produtos o percurso é feito pelos rios até Porto Velho, aonde segue de caminhão.

Questões climáticas

Além da falta de estrutura portuária a logística ainda fica prejudica pelos fatores climáticos que afetam o transporte por via marítima. Líder do setor, a empresa Aliança conta que hoje Manaus é responsável por 25% de toda movimentação de cargas da empresa e que durante o período de seca são obrigados a restringirem a quantidade de contêineres que se dirigem a Manaus.
“Temos como maior desafio à navegação de cabotagem a Passagem Tabocal (há 3 horas de navegação de Manaus), que afeta significativamente a navegação durante o período da seca, de final de setembro até início dezembro, chegando a restringir o calado dos navios a 7,50 metros. Para termos o calado máximo permitido na passagem Tabocal e navegarmos com segurança é feita essa redução”, conta o gerente de cabotagem da Aliança Navegação e Logística, Gustavo Costa.
Para a manutenção da regularidade do serviço, a empresa acaba cobrando uma taxa temporária das empresas durante a seca. “A falta de profundidade na passagem Tabocal implica em aumento de custo logístico para os clientes em Manaus. Este calado varia dinâmicamente durante a vazante do rio e reduz o resultado econômico da viagem a Manaus”, explicou.
Segundo a empresa, a Aliança atende a Amazônia com os serviços de cabotagem e Mercosul, ligando Manaus aos principais portos no Brasil, Argentina e Uruguai, e também como o Serviço Feeder, conectando Manaus aos principais países das Américas, Europa e Ásia.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar