DEM pode fundir-se ao PSDB

Em: 12 de abril de 2012
Depois do mensalão do Arruda, denúncias contra Demóstenes parece decretar fim do partido
Depois do mensalão do Arruda, denúncias contra Demóstenes parece decretar fim do partido

Em setembro de 2010, o então presidente Lula aproveitou o escândalo de corrupção do governo do Distrito Federal, que ficou conhecido como “mensalão do DEM”, para pregar a extinção do partido. A declaração foi feita em comício de campanha da então candidata Dilma Rousseff em Joinville (SC). Cerca de sete meses antes, o ex-governador do DF José Roberto Arruda, um dos priuncipais nomes da legenda, era preso pela Polícia Federal em Brasília, e em seguida deposto do comando do GDF. Era um duro golpe no partido. Arruda estava então cotado para ser o candidato a vice na chapa de José Serra, do PSDB, ou mesmo para tornar-se presidenciável. Depois que Arruda desceu pelo ralo, um novo golpe veio com a criação do PSD de Gilberto Kassab, que tomou do partido 16 deputados e dois senadores. Agora, o DEM perde Demóstenes, que liderava o partido no Senado e era cogitado em algumas conversas mesmo como uma futura aposta do partido para a disputa da Presidência. Como um castelo de cartas, o DEM desmorona e parece confirmar o vaticínio de Lula.
Desde a morte do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA) e da aposentadoria do ex-senador Jorge Bornhausen (SC), o DEM míngua a olhos vistos. Só para citar um número, em 2006 o partido tinha a maior bancada no Senado – 18 senadores. Agora, com a saída de Demóstenes, os senadores do DEM são apenas quatro (Clóvis Fecuri, do Maranhão; Jayme Campos, do Mato Grosso; José Agripino, do Rio Grande do Norte, e Maria do Carmo Alves, de Sergipe). O partido que nasceu como dissidência do PDS – o partido que dava sustentação à ditadura militar – para apoiar a eleição de Tancredo Neves resolveu mudar de nome em 2006, quando era presidido pelo deputado Rodrigo Maia (RJ). Tornou-se o DEM. Virou alvo fácil da provocação dos adversários, que passaram a chamar seus integrantes de “demos”. Quando assumiu a presidência do partido, o senador José Agripino, diante dos problemas que já se avolumavam, chegou a desabafar, numa entrevista ao Congresso em Foco: “O PFL nunca deveria ter mudado de nome”. O caso Demóstenes é o mais duro golpe sofrido pelo DEM. Segundo as investigações da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, o senador goiano era um dos beneficiários e facilitadores, nos círculos do poder, do grupo criminoso de Carlinhos Cachoeira. Ele agora é alvo de processo por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e alvo principal de uma iminente CPI.
Apesar de tudo isso, o presidente nacional e atual líder do DEM no Senado, José Agripino, tenta fazer do limão uma limonada. Para ele, o partido sai fortalecido, porque não demorou a expulsar de seus quadros Demóstenes Torres. É uma repetição do que ele já dissera quando o DEM fez o mesmo com José Roberto Arruda. Para Agripino, é uma conduta inversa à do PT. No caso do mensalão, o partido do governo chegou a expulsar o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, mas, depois, com a recuperação da popularidade do governo Lula, reconduziu-o aos quadros.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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