A demanda no mercado doméstico não tem sido suficiente para compensar a queda da procura externa por produtos brasileiros e esta situação aumenta as expectativas quanto ao ritmo do ciclo de redução da Selic (taxa básica de juros) pelo BC (Banco Central). Esse é o diagnóstico da corretora Capital Markets, em sua análise sobre o resultado da produção industrial de janeiro – o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou uma queda de 2,1% ante dezembro. A corretora prevê corte de 0,5 ponto porcentual na Selic na reunião de ontem do Copom (Comitê de Política Monetária), para uma taxa de 10% ao ano.
Especificamente sobre o resultado da indústria em janeiro, entretanto, a corretora justifica o recuo pela forte queda na produção de veículos automotores e de caminhões (-30,7% na margem), que impactou principalmente a categoria de bens de capital. A produção de veículos foi afetada por férias coletivas concedidas em janeiro por várias fábricas e pelo alto nível de estoques, o que deve levar o setor a apresentar resultados “modestos” nos próximos meses.
A consequência do fraco desempenho, na avaliação a Capital Markets, será uma pressão para um baixo desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre de 2012. A corretora defende, mais do que corte nos juros, medidas pontuais de estímulo a determinados segmentos para estimular a indústria brasileira.
Queda em 14 ramos apurados
A produção industrial brasileira abriu o ano em queda de 2,1% em relação a dezembro de 2011. Nos dois meses anteriores, os resultados haviam sido positivos. Em dezembro, o setor cresceu 0,5% e em novembro registrou leve alta de 0,1%.
Em janeiro a queda atingiu 14 dos 27 ramos investigados.
Em relação ao mesmo período de 2011, a produção da indústria brasileira também teve queda, de 3,4%. Esse foi o quinto resultado negativo consecutivo nesse tipo de comparação.
O índice acumulado nos últimos 12 meses, em trajetória descendente desde outubro de 2010 (11,8%), apresentou queda em janeiro de 2012 (-0,2%) e registrou o primeiro resultado negativo desde março de 2010 (-0,3%).







