A demanda por seguro-desemprego subiu pelo segundo mês seguido, em novembro, no Amazonas. A quantidade de solicitações foi 3,22% menor do que a de novembro, ao passar de 5.406 para 5.232. Em relação ao mesmo mês de 2020 (4.652), no entanto, houve alta de 12,47%. Os pedidos se concentraram novamente na segunda (2.766) quinzena, em detrimento da primeira (2.449). O resultado ainda está distante do pico de 2021, registrado na segunda quinzena de março (3.729). Os dados são da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.
Seguindo a proporção de postos de trabalho gerados, o setor de serviços liderou a lista, respondendo por 32,11% (1.680) dos registros. No mês do Natal e do Reveillon, o comércio (23,39% ou 1.224) caiu da segunda para a terceira posição do ranking. Em contraste, a indústria (31,04% ou 1.624) avançou para a vice-liderança. Construção (12,56% ou 657) e agropecuária (0,9% ou 47) vieram na sequência. Em números absolutos, a demanda caiu em serviços (-14,11%), comércio (-11,50%), construção (-6,28%) e agropecuária (-26,56%), mas escalou na indústria (+24,83%).
Os valores pagos no Amazonas superaram os R$ 18,85 milhões, em dezembro de 2021, sendo que o valor médio das parcelas foi de R$ 1.379,78 – em um total de 13.664 parcelas pagas localmente. O montante registrou decréscimo (-6,36%) superior ao apresentado pela quantidade de beneficiados, na comparação com o valor percebido no mês anterior (R$ 20,13 milhões). No confronto com o mesmo período de 2020 (R$ 25,36 milhões), no entanto, o valor foi 25,67% inferior.
A performance do Estado acompanhou a tendência da média brasileira. O Brasil registrou 481.481 solicitações de seguro-desemprego, em dezembro de 2021, tendo sofrido queda de 6,11% ante novembro do mesmo ano (512.846) e elevação de 13,10% em relação ao valor de 12 meses atrás (425.714). Os valores pagos em todo o país encolheram 6,82%, entre novembro (R$ 2,64 bilhões) e dezembro (R$ 2,46 bilhões) e, assim como ocorrido no levantamento anterior, voltaram a empatar com o dado de um ano atrás.
Idade e instrução
A despeito da estabilização da pandemia, 85,93% (em torno de 4.496) dos registros foram realizados pela web – contra os 83,78% (4.529) do mês precedente. Assim como ocorrido nos levantamentos precedentes, a maioria esmagadora dos trabalhadores amazonenses que buscou seguro-desemprego pertencia ao sexo masculino, com 66,69% (3.489) das solicitações. As mulheres, por sua vez, responderam por apenas 33,31% (1.743) dos registros. Em novembro, as respectivas fatias haviam sido de 67,44% (3.646) e 32,56% (1.760).
Com 35,66% do total, a faixa etária que requereu mais formalizações pelo seguro-desemprego no Amazonas foi novamente a de 30 a 39 anos (1.866), acompanhando a tendência dos meses anteriores. Em seguida vieram os que contavam entre 40 e 49 anos (22,97% ou 1.202) e aqueles que ainda tinham de 25 e 29 anos (19,51% ou 1.021). Completam a lista os trabalhadores de 18 a 24 anos (13,19% ou 690), entre 50 a 64 anos (8,39% ou 439) e com 65 anos ou mais (0,25% ou 13). Em linhas gerais, houve redução nas faixas etárias mais baixas, expansão nas intermediárias e estabilidade nas mais avançadas.
Em termos de grau de instrução, 75,61% dos solicitantes do benefício no Amazonas tinha ensino médio completo (3.956). As posições seguintes foram novamente pulverizadas entre aqueles que contavam com o superior completo (8,27% ou 433), fundamental incompleto (4,53% ou 237), fundamental completo (4,47% ou 234), médio incompleto (3,73% ou 195), superior incompleto (3,21% ou 168), ou eram analfabetos (0,17% ou 9). A única fatia a registrar aumento de procura entre um mês e outro foi a dos trabalhadores com superior incompleto.
A faixa salarial predominante entre os trabalhadores amazonenses que pediram seguro-desemprego no mês passado foi novamente a que vai de 1,01 a 1,5 salário mínimo (37,38% ou 1.956). Em seguida, estavam os que ganhavam de 1,51 a 2 mínimos (26,81% ou 1.403), entre 2,01 e 3 mínimos (14,58% ou 763) e até 1 mínimo (11,87% ou 621). Os demais ganhavam de 3,01 a 4 mínimos (4,30% ou 225), entre 5,01 e 10 mínimos (2,64% ou 138), de 4,01 a 5 mínimos (1,83% ou 96) e acima dos 10 mínimos mensais (0,57% ou 30). Houve um afunilamento salarial no mercado, já que a demanda cresceu com mais força no topo da pirâmide salarial, enquanto encolheu com mais ímpeto entre os que ganham até 1,5 mínimo.
Juros e pandemia
O consultor empresarial, professor universitário e conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Leonardo Marcelo Braule Pinto, considerou que a, despeito da desaceleração mensal, o incremento anual da demanda é um “mal sinal”. De acordo com o economista, os números refletem a política macroeconômica federal “de contração da base monetária” pela elevação dos juros, em razão de seus efeitos negativos no consumo, investimentos e empregos.
“Falta atuação do Ministério da Economia na geração de soluções para esses problemas e isso é justamente o que causa esse impacto. Temos apenas uma medida governamental de grande porte, que é a movimentação da taxa de juros. E não é uma iniciativa com a qual grande maioria concorde. Contração de base monetária em período de pandemia, em pleno século 21, não faz sentido. Cadê a gestão microeconômica? Os incentivos ao Sebrae e aos bancos públicos? A maior oferta de crédito ajudaria a tirar os microempreendedores dessa crise”, desabafou.
Outro fator negativo a pressionar demissões e impactar na demanda por seguro-desemprego seria o próprio repique da pandemia, a partir da chegada da nova variável ômicron. O economista assinala que, enquanto houver incerteza em relação à covid-19, ou mesmo sobre outras doenças com sintomas parecidos, como a influenza. O setor de serviços – especialmente os que necessitam de atendimento presencial – tenderia a sofrer mais nesse cenário, assim como ocorrido nas duas ondas anteriores.
“Há esses dois problemas que tendem a espelhar os resultados de 2021 e 2022. Os negócios estão tentando se reerguer, mas já entramos em um novo período de incerteza. Temos algumas restrições às aglomerações de pessoas e um certo risco e expectativa de um pequeno lockdown. Se tem incerteza, não tem emprego. Sem emprego, o consumo retrai e a produção também. Aí, a roda começa a girar ao contrário e, em vez de se multiplicar o dinheiro, divide-se o que não se tem. E isso gera mais desemprego e demanda pelo beneficio”, concluiu.







