Demissões crescem 104% no Estado

Em: 19 de abril de 2012
O número de demissões homologadas pelo Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas) cresceu 104% no primeiro trimestre de 2012 com 6.208 pessoas desligadas do PIM
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O número de demissões homologadas pelo Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas) cresceu 104% no primeiro trimestre de 2012 com 6.208 pessoas desligadas do PIM

O número de demissões homologadas pelo Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas) cresceu 104% no primeiro trimestre de 2012 com 6.208 pessoas desligadas do PIM. No mesmo intervalo do ano anterior, o sindicato havia registrado 3.043 desligamentos.
A curva ascendente começou em janeiro com 1.553 desligamentos, quando o acréscimo foi de 40,9% frente a igual período do ano anterior. Em fevereiro, as 2.002 demissões homologadas representaram uma diferença de 120,2% e em março o diferencial foi ainda mais gritante, totalizando 2.653 desligamentos, 162,1% a mais na comparação com as 1.012 homologações de março de 2011.
“A contratação deveria vir crescendo aos poucos para atender o Dia das Mães que já se aproxima, mas devido à desconfiança gerada pelo desequilíbrio na economia, o empresário retrocedeu e demitiu”, observou o titular da SRTE-AM (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Amazonas), Dermilson Chagas.
Todos os principais setores apresentaram aumento no índice de recisões contratuais, mas apesar de o segmento de duas rodas ser apontado como o foco da crise na indústria amazonense em função do rigor dos financiamentos bancários, foi o polo eletroeletrônico que liderou. O ‘campeão’ do trimestre desligou 4.237 funcionários, quase 150% a mais no confronto com as 1.698 pessoas demitidas no mesmo período do ano passado. Só em março, o número de demissões do segmento cresceu 300% com 1.904 postos de trabalho a menos.
O grande impacto no setor, segundo afirmação do presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, e do presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares), Celso Piacentini, foi verificado na produção de ar condicionados do tipo split system, aparelho classificado como eletroeletrônico e afetado pela já conhecida ‘guerra’ com os produtos importados.
De acordo com os dados mais recentes dos indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), a produção de condicionadores de ar split caiu 53,44% entre janeiro deste ano e janeiro de 2011. As unidades condensadoras para split registraram retração de 93,94% e as unidades evaporadoras deixaram de ser produzidas.
Wilson Périco acrescenta que as empresas de componentes também sentiram o efeito da concorrência “e se nada for feito outros produtos importados podem entrar e pegar o lugar do produto nacional. Essa é uma preocupação de todos”, pontuou.
Um dos diretores do Sindmetal-AM, José Osmar Santana conta que a briga com a entrada dos importados tem motivado manifestos como o ‘grito de alerta’ contra a desindustrialização na semana passada. “Precisamos chamar a atenção porque a situação vem piorando”, lamentou.

Efeitos da desindustrialização

Além das importações que cresceram 15,44% em março e 12,31% no trimestre, segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), o Presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, destaca o ciclo de desindustrialização vivenciado pelo setor.
“Quando uma quantidade grande de funcionários é demitida, o salário deles prontamente deixa de circular. O trabalhador, uma vez desempregado, diminui o consumo e passa a adquirir somente o essencial até conseguir recolocação no mercado de trabalho. A falta de consumo causa queda na produção e, consequentemente, novas demissões”, esclarece.

Expectativa

Na visão do economista, esse ciclo só pode ser quebrado com a intervenção do governo federal. “Aguardamos os efeitos do Brasil Maior na industria como um todo e novos cortes na Selic –taxa básica de juros- para o aquecimento da economia”.
Dermilson Chagas acrescenta que embora alguns segmentos ainda sigam demitindo, a partir de abril, o número de contratações deve aumentar.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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