Deputado quer CPI para investigar uso de cartões corporativos do governo

Em: 30 de janeiro de 2008
Reportagem da Folha do último dia 23 informou que os cartões do governo federal foram usados em 2007 para pagar despesas em loja de instrumentos musicais
Reportagem da Folha do último dia 23 informou que os cartões do governo federal foram usados em 2007 para pagar despesas em loja de instrumentos musicais

Ele afirmou que vai procurar todas as legendas, incluindo governistas e oposicionistas. Para instaurar a comissão, são necessárias 171 assinaturas. “Se a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) também considerou que o assunto deve ser investigado, por que haveria alguma resistência (por parte de aliados no Congresso)?”, questionou o deputado. “É necessário utilizar os instrumentos de uma CPI para investigar os abusos registrados”.

Reportagem da Folha do último dia 23 informou que os cartões do governo federal foram usados em 2007 para pagar despesas em loja de instrumentos musicais, veterinária, óticas, choperias, joalherias e free shop.

Com base em dados do Portal da Transparência, site do próprio governo, no ano passado, toda a máquina federal gastou R$ 75,6 milhões com o cartão de crédito corporativo, aumento de 129% em relação a 2006. De acordo com Sampaio, a CGU (Controladoria Geral da União) não tem instrumentos suficientes para investigar a suspeita de irregularidades. Segundo ele, é necessário que o Congresso também participe das apurações.

“O instituto do cartão corporativo é importantíssimo, mas deve ser respeitado e obedecidas as regras”, disse o deputado.

Nesta semana, a Comissão de Ética Publica solicitou à CGU que fosse investigado o suposto uso inadequado do cartão pela ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial). De acordo com dados levantados, ela teria utilizado R$ 461,16 em um free shop. A Controladoria também irá investigar os ministros Orlando Silva (Esporte) e Altemir Gregolin (Pesca).

CGU deve investigar

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), defendeu que a CGU (Controladoria Geral da União) investigue os gastos com cartões corporativos do governo para apurar se houve excessos por parte de ministros. Os cartões corporativos, indicados para gastos considerados “emergenciais”, teriam sido usados de forma irregular.

“Eu acho que isso precisa ser levantado, apurado, para que no futuro não se tenha esse descontrole com gastos que deveriam ser melhor fiscalizados. É dinheiro do erário público, dinheiro do contribuinte e isso não pode ser tratado dessa maneira”, disse Garibaldi.

As contas da ministra Matilde Ribeiro com o cartão corporativo somaram R$ 171 mil em 2007, sendo que as despesas em um free shop ficaram em R$ 461,16. Já Gregolin gastou, no ano passado, R$ 17 mil com o cartão.

Ele o teria usado par pagar uma conta de R$ 512,60 em uma churrascaria.

Orlando Silva teria usado o cartão corporativo para fazer compras em uma tapiocaria, em maio passado. Apesar do valor (R$ 8,30), o gasto foi irregular. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) autorizou que a CGU investigue os gastos dos ministros, que pediram para ser investigados.

Para o Palácio do Planalto, eventuais excessos no uso dos cartões corporativos pelas pastas de Pesca e Igualdade Racial justifica-se pela falta de estrutura desses órgãos. São ministérios criados no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio e os cartões corporativos garantem agilidade no funcionamento das pastas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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