Mais uma vez a sessão plenária da Assembleia Legislativa foi agitada por pronunciamentos e debates com conotação puramente eleitoreira em função das eleições municipais deste ano. No pequeno e grande expediente os deputados se revezaram em manifestações ácidas questionando o sistema de água de Manaus, com a oposição aproveitando para atacar o ex-governador e atual senador Eduardo Braga (PMDB).
A exceção foi o deputado Luiz Castro (PPS) que, tentando chamar a atenção para a busca de uma solução técnica para o problema, sugeriu que o governo do Estado e a Prefeitura de Manaus sigam o exemplo de São Paulo com o sistema Sabesp, que, usando alta tecnologia, garante eficiência e qualidade a baixo custo no processo de distribuição de água à Região Metropolitana da capital paulista.
Indiferente à sugestão de Castro, a maioria dos parlamentares preferiu a troca de farpas, defendendo os interesses dos seus grupos políticos. Candidato à sucessão do prefeito Amazonino Mendes (PDT), na condição de vice-prefeito na chapa encabeçada pelo ex-prefeito Serafim Corrêa, o deputado Marcelo Ramos (PSB) tocou fogo no bate-boca ao responsabilizar o ex-governador Eduardo Braga pelo atraso na entrega das obras do Proama (Programa de Águas de Manaus).
Segundo ele, o próprio governador Omar Aziz, falando à imprensa, disse que precisará de R$ 1 bilhão para garantir a continuidade das obras do programa, e afirmara que, em janeiro de 2010, ainda não era governador do Amazonas, não tendo, portanto, qualquer responsabilidade direta sobre as obras.
Relatório Arsam
De acordo com Ramos, o governador Omar Aziz precisa orientar seus liderados para evitarem o tema “água” na pauta do Poder Legislativo Estadual, sob pena de vir à tona o relatório publicado pela Arsam (Agência Reguladora de Serviços Concedidos), segundo o qual o serviço de águas de Manaus apenas avançou com a repactuação realizada pelo ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB) junto à Águas do Amazonas.
Conforme o deputado, na ocasião da repactuação 16 mil novos usuários foram cadastrados e 62 mil metros de esgotos implantados. “Tudo isso ao contrário do contrato assinado pelo governo do Amazonas, que afirmou que a rede de águas da antiga Cosama tinha 13% de rede de esgotos”, atacou.
Para o parlamentar socialista, Omar Aziz enfrentou a questão de cabeça erguida e sem poupar Eduardo Braga. “Foi o próprio governador Omar Aziz que disse à imprensa que o responsável pelas obras do Proama não era ele. Ora, então foi o ex-governador Eduardo Braga o grande responsável pelo fracasso do projeto”, disparou.
Na contramão de Ramos, o líder da maioria na ALE-AM e aliado do senador Eduardo Braga, deputado Marco Antônio Chico Preto (PSD), tratou de jogar água fria no discurso de Marcelo e da tribuna pediu a realização de uma auditoria na Arsam para que o relatório divulgado em 2010 seja reavaliado. No relatório, a Arsam aponta a instalação de 700 quilômetros de rede de água nas zonas norte e leste de Manaus, e como nesses locais “não existe água”, Chico Preto quer que a Arsam explique onde está a rede instalada pela Águas do Amazonas.
Chico Preto defendeu o Proama, que está sendo construído pelo governo do Estado, dizendo que a oposição não está fazendo a leitura correta do que foi dito pelo governador. “Omar nunca disse que o Proama estava com suas obras paralisadas e nem tampouco afirmou que só foram gastos R$ 60 milhões com a obra. Ele disse que são necessários R$ 60 milhões por mês para a manutenção da infraestrutura do Proama”, observou. No entanto, Marcelo Ramos assegurou que o Proama “é uma obra fictícia pois sequer foi inaugurado”.







