A onda de violência política, que ameaça a integridade do pleito eleitoral em vários municípios do Estado do Amazonas, foi alvo de preocupação e manifestação dos deputados estaduais na sessão plenária de ontem (2) da Assembleia Legislativa. Além do clima de tensão em cidades como Manacapuru, Nhamundá, Nova Olinda do Norte e São Gabriel da Cachoeira, os parlamentares se indignaram com o constrangimento por que passou a deputada Vera Lúcia Castelo Branco (PTB) na segunda-feira (1º) em Anori.
Vera Lúcia foi perseguida até o aeroporto da cidade por indivíduos que, segundo ela, quase atentaram contra sua vida, a mando da prefeita Sansuray Xavier, que disputa a reeleição e tem na deputada sua principal adversária pelo fato desta apoiar a oposição. Dentre outros parlamentares, o presidente da Aleam, deputado Ricardo Nicolau (PSD), garantiu tomar providências junto ao governador do Estado, Omar Aziz, e à Justiça Eleitoral, pedindo que a situação seja investigada e contribua para combater o clima de insegurança que ronda as eleições de domingo (7). A posição de Nicolau teve o apoio de parlamentares como Vicente Lopes (PMDB), Marco Antônio Chico Preto (PSD) e Wanderley Dallas (PMDB), dentre outros que se solidarizaram a Vera.
Os deputados Adjuto Afonso (PP) e Marcelo Ramos (PSB), falando ao Jornal do Commercio, repudiaram o constrangimento à Vera Lúcia e chamaram a atenção para o perigo do envolvimento de policiais PMs nas campanhas eleitorais. “É lamentável tudo isso, a PM tem que ser isenta e o policial que quiser se engajar politicamente primeiro tem que deixar a farda e cuidar do seu candidato”, comenta Adjuto.
Adjuto se diz preocupado com a situação de Pauini, onde o seu irmão, Renato Afonso (DEM), disputa a prefeitura local concorrendo pela oposição. De acordo com o deputado, o delegado de polícia (PM) da cidade, em vez de zelar pela ordem e a paz da campanha eleitoral, tomou partido e se comporta como um “verdadeiro cão de guarda da prefeita do município”.
Rodízio
Em virtude do quadro de tensão e violência no Estado envolvendo a Polícia Militar, Adjuto disse que irá advogar um rodízio dos destacamentos policiais nos períodos eleitorais. “Nós iremos manifestar nossa preocupação ao governador Omar Aziz e ao Comando Geral da PM no Estado”, frisou, acrescentando que “a PM tem que servir à população dos municípios e não a grupos políticos, o policial é guardião da sociedade e não de autoridades, o policial não pode se deixar viciar pelas administrações municipais ”, frisou.
A ideia do rodízio é compartilhada pelo deputado Marcelo Ramos, líder do PSB na Aleam e candidato a vice-prefeito de Manaus em chapa encabeçada por Serafim Corrêa, pela coligação “Agora Somos Nós e o Povo”. Para Marcelo, o problema expõe a fragilidade do sistema de segurança pública no interior do Amazonas.
“A eleição apenas dá mais publicidade aos absurdos, mas esse terrorismo da PM a serviço dos grupos que detêm o poder acontece o ano inteiro. Na grande maioria dos municípios, os delegados funcionam muito mais como uma milícia do prefeito do que como responsáveis pela estrutura de segurança pública, o policial passa a ser serviçal do prefeito”, afirma.
Assentindo com Adjunto Afonso, o líder socialista é a favor de que nos períodos eleitorais os destacamentos da PM sejam submetidos a um sistema de rodízio. “Penso que todos devem ser trocados, pois geralmente são pessoas comprometidas com os prefeitos e se transformam em instrumentos de opressão contra suas oposições políticas”, sustenta.







