Descoberta, inclusão e superação

Em: 9 de janeiro de 2017
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Muitas vezes a descoberta, o processo de adaptação até a superação de uma doença física ou psicológica pode levar muito tempo para uma pessoa, ou o responsável por ela, compreender e entender que a vida dela vai ser diferente, e que precisa buscar novas formas de se adaptar a sua realidade. Para isso, um desses caminhos a seguir é o esporte, que possibilita a mesma a superação desta fase difícil pela qual se encontra.

Amante do Voleibol desde os 14 anos de idade, a jogadora paraolímpica Laiana Batista, 34 anos, disse que encontrou no Voleibol Sentado o seu escape para superar a síndrome de Guillain Barre, adquirida aos 18 anos, após uma dengue hemorrágica. “Por conta da doença, parei de jogar e achava que não tinha mais condições de voltar. E sete anos depois, aos 25 anos de idade, me formei em educação física e vi uma nova porta se abrir para praticar o meu Voleibol, mesmo que sentada”

A porta de que a jovem fala, foi conhecer, em 2014, o presidente da CBVD (Confederação Brasileira de Vôlei para Deficientes), Amauri Ribeiro. “Ele me chamou para fazer um teste. E em 2015, comecei a treinar na seleção. E com pouquíssimo tempo, nossa equipe foi medalha de bronze no Paraolimpiada Pan Rio 2016. Foi um salto muito rápido e alto na minha vida em três anos como paratleta”, lembrou ela, orgulhosa.

Superação
Por causa da doença, Laiana contou que passou dois anos cadeira de rodas, mas através da fisioterapia, musculação e academia ela voltou a andar, ficando uma pequena sequela ao caminhar. “Eu também encontrei forças para superar o trauma em Deus. Hoje nem lembro que tive essa doença”, ressalta a professora.

Antes da seleção, em 2015 e 2016, Laiana treinava seus alunos do 4º Colégio Polícia Militar, localizado no bairro Grande Vitória, onde dava aula de Educação Física.

Regra, Vitórias e Futuro
“A regra do jogo é simples, o paratleta precisa estar totalmente sentado. Se ele tirar o glúteo do chão, é dado um Lifting, – que na tradução para o português é levantar-se- fazendo com que ele perca ponto ou falta”, explica Laiana.

A Seleção Brasileira de Voleibol Sentado conquistou as medalhas de prata em Toronto, no Canadá (2015), pelo Parapan, a de bronze na China, pelo (Campeonato) Intercontinental. E em 2016 o bronze, na Paralimpíada.
Atualmente Laiana joga no Sesi São Paulo, onde se prepara para a Paraolimpiada de Tokio em 2020.

Adefa
“Eu sou tetraplégico, mas não sou mais deficiente. Deficiente é o meio em que vivemos, que tem nos acolher com acessibilidade”. É com essa frase que o presidente da Adefa (Associação de Deficiente Físico do Amazonas), Isaac Benayon, fala sobre seu problema, adquirido após um acidente automobilístico quando ele tinha apenas 22 anos de idade.

O presidente informa que, atualmente, o número de portadores de necessidades especiais no Amazonas chega a mais de 800 mil pessoas, ou 25% da população do Amazonas. “E isso abrangem outras com pouca mobilidade, com deficiência intelectual, e um numero de cego, até o monocular”.

Atualmente a Adefa oferece as seguintes atividades desportivas: Basquete, Tênis de Mesa, Halterofilismo, Atletismo e Natação. E seu mais novo esporte, o Tiro a Arco. “Mas queremos avançar para Bocha – tipo de jogo com bolas- , que também contempla as pessoas com deficiência por ser inclusiva”, acrescenta o presidente.
E como forma de chamar novas crianças e adolescentes para a pratica do paradesporto, a associação criou o projeto Adefa do Futuro.

Educação Especial
Oferecer uma educação de qualidade para mais de 1 mil crianças portadoras de necessidades especiais do Amazonas, é a proposta do Complexo Municipal de Educação Especial André Vidal de Araújo, localizado na rua penetração, bairro Parque 10 de Novembro.

De acordo com o professor de educação física e psicólogo da escola, Alexandre Romano, há três anos ele vem desenvolvendo um trabalho de inclusão de crianças especiais através das modalidades esportivas. “A escola trabalha os alunos as habilidades motoras, sociais, cognitivas e afetiva através da natação, do futebol, do basquete e dos jogos de brincadeiras”, explica ele.

Os alunos são acompanhados por sete professores que atendem seis turmas cada, com deficiências variadas como: PCs, Hiperativos e ausência de coordenação motora.
E paralelo a esse trabalho da Educação Física, a escola também oferece as atividades terapêuticas em que as crianças recebem acompanhamento de uma equipe multiprofissional, com psicólogos e fisioterapeutas.

Projeto
E por meio do projeto ‘Aprender, Conviver e Lutar’, a Divisão de Apoio a Gestão Escolar (DAGE) do setor de Educação Física, da Secretaria Municipal de Educação (Semed), oferecem ainda as modalidades Jiu Jtsu, Futebol de Cadeira e o Sup – Remo esporte na natureza- para mais de 150 crianças com Paralisia Cerebral (PCs) e Autistas. “Porém, esse esporte não é para todos, porque esses têm menos condições de praticá-los. Então a gente pensou em oferecer e adaptar um esporte que talvez eles nunca iriam praticar”, explica o professor.

Alexandre explica que as atividades não melhoram o nem pioram o quadro físico do aluno deficiente. “Pois o quadro continuará o mesmo por ser, algumas delas, doenças degenerativas ou crônicas. O nosso papel é só oferecer uma qualidade de vida boa para elas”, enfatiza o professor.

Em cima da prancha do Skate
Com dedicação e muito amor por crianças com necessidades especiais, o professor de Educação Física, Ney Maciel, mas conhecido como Maciel Metal desenvolveu o projeto Skate Terapia.

O projeto é aplicado, de segunda a sexta, com 12 crianças no Centro Estadual de Convivência da Família Magdalena Arce Daoul localizado na avenida Brasil, bairro Santo Antônio.

“O projeto tem a função de socialização, desenvolver as habilidades motoras, principalmente o equilíbrio, além do resgate social dessas crianças”, explica o Ney.

Gratuito, todos os alunos que realizam as atividades possuem o seu próprio skate. E em alguns caos, o professor sede o dele para que as crianças não deixem de participar das aulas.

História
Ney é fundador da primeira escola de Skate do Estado do Amazonas, em 2004, e atual presidente da Federação Amazonense de Skate Street Vertical. Ele também coordena o projeto Skate Pedagógico, que tem por objetivo desenvolver as habilidades motoras das crianças.

Alunos Superação
Entre os alunos dos professores que tiveram um bom desenvolvimento motor e psicológico, Ney aponta Jonata Veiga, de 16 anos, que é Hiperativo. “Ele teve uma melhora muito grande na convivência familiar. E hoje, não toma mais remédio controlado e já está mais centrado. Além de mandar manobras de Pliométricas, que são saltos com grau de dificuldade muito bom”, diz o professor orgulhoso.
Há também os alunos Alison Will, portador de problemas neurológico; Amanda Katlen e Luís Ivan, ambos com Paralisia Cerebral (PCs); que se superaram após as aulas do esqueitista Ney Metal.

Basquete em cadeira de rodas
O basquete em cadeira de rodas foi a primeira modalidade paraolímpica a ser praticada no Brasil. A modalidade envolve atletas de ambos os sexos que tenham alguma deficiência físico-motora, sob as regras adaptadas da Federação Internacional de Basquete em Cadeira de Rodas (IWBF). Para o esporte, as cadeiras são adaptadas e padronizadas, conforme previsto na regra.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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