O mercado de trabalho do Amazonas ficou relativamente aquecido no quarto trimestre de 2023, apesar da crise da vazante. Em síntese, a fila do desemprego parou de andar, a renda aumentou e a informalidade caiu – embora permaneça elevada. A taxa de desocupação recuou 0,8% ante os três meses anteriores, ao marcar 8,8% (173 mil pessoas). O confronto com o mesmo período de 2022 (9,4% e 196 mil) indicou tombo de 11,73%. No ano, o percentual sobe para 9,9%. O Estado ocupa a oitava posição no ranking nacional e supera a média brasileira (7,4%).
A proporção de amazonenses trabalhando sem carteira assinada chegou ao menor nível desde 2019, embora 979 mil trabalhadores ainda estejam nessa condição. A taxa de informalidade passou de 55% para 54,6% na virada trimestral. Foi ainda mais significativamente menor do que a registrada em igual intervalo de 2022 (57%). Na média de 2023, o indicador pontuou 54%. O Estado ainda está muito acima do número brasileiro (39,1%), e permanece na terceira colocação do ranking. Perde apenas para o Maranhão (57,8%) e o Pará (57,4%), com Santa Catarina (27,6%) no extremo oposto da lista.
Mas o nível de ocupação, na prática, praticamente não saiu do lugar, ao responder por 55,5% (1,79 milhão) da população amazonense apta ao trabalho. O percentual veio pouco acima do trimestre anterior (55,3%) e aquém do mesmo período de 2022 (56,2%). A estagnação foi uma realidade para quase todos os setores, com os melhores resultados se situando na construção e nos serviços de transportes. No ano, a média ficou em 55,1%, a 13ª maior do país. É o que revelam os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Trimestral, divulgados nesta sexta (16), pelo IBGE.
A taxa de desocupação encolheu estatisticamente em apenas duas das 27 unidades federativas brasileiras, na virada trimestral: Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. Somente Rondônia e Mato Grosso foram no sentido contrário. Apontado novamente como uma das localidades estatisticamente estáveis, o Amazonas estacionou na oitava posição no ranking nacional. Os extremos do país estão na Amapá (14,2%) e Santa Catarina (3,2%). Em âmbito nacional, a taxa ficou acima da média no Norte e Nordeste, assim como entre as mulheres (9,2%), ‘pretos’ (8,9%) e ‘pardos’ (8,5%).
Atividades e rendimentos
No quarto trimestre de 2023, o Estado contava com quase 3,23 milhões habitantes com 14 anos ou mais – idade apontada pelo IBGE como “apta ao trabalho”. O número de amazonenses que trabalhavam ou buscavam emprego era de 1,96 milhão, ao passo que quase 1,26 milhão estavam “fora da força de trabalho”. O quantitativo de pessoas desalentadas e que tinham desistido de buscar trabalho (69 mil) encolheu 25,7%, assim como ocorrido entre as qualificadas como mão de obra subocupada, por insuficiência de horas trabalhadas (-8,8% e 247 mil).
No trimestre, a maioria dos habitantes “ocupados” do Amazonas estava na categoria de “empregado” (1,05 milhão). Dentro desse grupo, 64,19% vinham do setor privado (674 mil), mas apenas 424 mil estavam formalizados. A falta de carteira de assinada era ainda mais ampla entre os trabalhadores domésticos, que são contabilizados à parte: 65 mil entre 73 mil. O setor público (299 mil) tinha só 16 mil pessoas com registro celetista, enquanto 146 mil eram militares ou funcionários estatutários. A quantidade de trabalhadores por “conta própria” aumentou para 546 mil, e o de empregadores diminuiu subiu para 56 mil. Em ambos os casos, a maior parte também atuava sem CNPJ.
Quase todos os setores ficaram estatisticamente estáveis. O grupo que reúne serviços de administração pública, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (348 mil) foi o que mais reuniu ocupados. Foi seguido por comércio e reparação de veículos (333 mil) e pelas atividades de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (285 mil). Na sequência estão a indústria (201 mil); os serviços de comunicação, informação, atividades financeiras e imobiliárias (144 mil); construção (102 mil); e os serviços de alojamento e alimentação (101 mil).
O “rendimento médio real” dos trabalhadores do Amazonas aumentou de R$ 2.155 para R$ 2.357, na passagem trimestral, uma diferença de 9,37%. No confronto com o valor capturado no mesmo acumulado de 2022 (R$ 2.250), a elevação foi de 4,75%. Na média anual, o rendimento médio amazonense (R$ 2.367) também avançou, mas foi apenas o 17ª maior do país. Já a massa de rendimentos – que reflete o quanto os salários brutos dos trabalhadores contribuíram para a economia local – ficou em R$ 3,87 bilhões, ficando 10% mais robusta do que nos três meses anteriores e 8,1% maior, na análise anual.
“Quadro negativo”
O superintendente do IBGE no Amazonas, José Ilcleson Mendes Coelho, ponderou que, embora a queda na taxa de desocupação profissional no Estado tenha sido “pequena” no quarto trimestre, “ela é muito importante”. O pesquisador aponta que a proporção de desocupados vem caindo localmente, desde o primeiro trimestre de 2022. E acrescenta que, embora a massa de rendimentos tenha tido um “aumento muito bom”, colocando “mais moeda no mercado”, o percentual de ocupados foi “um dos mais baixos do país”.
“O setor privado teve queda no número de trabalhadores ocupados, principalmente entre àqueles com carteira assinada. Já os empregados do setor público e os que trabalham por conta própria tiveram crescimento no trimestre. Transporte-armazenagem e correios, foi a atividade com maior crescimento, com destaque também para o setor de construção. Por outro lado, alojamento e alimentação e serviços domésticos sofreram redução de trabalhadores ocupados”, listou.
Coelho ressalta também que o “quadro negativo” da informalidade na população ocupada no Amazonas continua “bastante grave”, já que a taxa amazonense chega a ser o dobro da menor informalidade do país. “Os trabalhadores por conta própria sem CNPJ formam o maior grupo de informais. Além disso há muitos trabalhadores que auxiliam alguém da família, os quais não possuem carteira assinada e nem recolhem a previdência social”, salientou.
Em texto veiculado pelo site da Agência de Notícias IBGE, a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, assinala que diversos Estados apresentaram tendência de queda, mas só quatro tiveram movimento estatisticamente significativo. “No Rio de Janeiro, houve crescimento acentuado da ocupação, principalmente na indústria e serviços, enquanto o Rio Grande do Norte teve redução do número de pessoas procurando trabalho. Em Rondônia ocorreu redução da ocupação, com maiores perdas na agricultura e no comércio. Já em Mato Grosso, a expansão acentuada do número das pessoas procurando trabalho elevou a taxa de desocupação”, concluiu.







