O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou pesquisa informando que a taxa de desemprego subiu para 8,7% em fevereiro em seis regiões metropolitana do Brasil. Manaus não está incluída nos estudos, que ficaram restritos a São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre. Foi um acréscimo pequeno em relação ao mês anterior, cujo índice era de 8%, mas é possível perceber também que a economia brasileira, principalmente a formal, vem crescendo continuamente, porque, se comparado com fevereiro de 2007, esta taxa recuou 1,2%.
O ideal seria que taxa de desemprego não fosse sazonal, mas em todo primeiro trimestre a economia dá uma refreada devido à ressaca das festas de final de ano, que geram muito emprego temporário e injetam um volume grande de recursos por causa do pagamento do 13º salário. Para se ter uma idéia, a massa de rendimento real efetivo da população ocupada, no mês de fevereiro, foi de R$ 25,2 bilhões, 21% menor que em dezembro de 2007.
Porém, em fevereiro do ano passado, este mesmo índice foi 4,7% menor do que o observado agora.
Há muito tempo a economia do país não apresentava um período de crescimento tão estável e prolongado como agora. Os brasileiros estavam acostumados a sempre perder o bonde do desenvolvimento devido às políticas econômicas desastrosas perpetradas por governos mais interessados em eleição do que colocar o Brasil nos trilhos da estabilidade. A economia cresce, mas poderia ser em saltos maiores. Em 2007, ficamos em 5,4%, um índice para se fazer festa, por causa da nossa história econômica recente, mas muito distante de outros países emergentes.
Como consequência desse desenvolvimento tímido, somente nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE existem dois milhões de pessoas desocupadas porque não encontram espaço no mercado de trabalho. Esta é uma dívida social que o país tem para com os brasileiros, seja porque não os educou ou porque a economia não gera empregos suficientes para satisfazer essa demanda de trabalhadores, geralmente com pouca qualificação profissional. Esses brasileiros têm de se virar como podem e muitos deles embarcam na informalidade, que no Brasil representa importante fatia da economia real.
Se os brasileiros encontram dificuldades de se colocar no mercado de trabalho, as brasileiras enfrentam situação pior. Os dados do IBGE informam que os homens representam 55,9% da população ocupada, enquanto que as mulheres são apenas 44,1%. A população de 25 a 49 anos representa 63,5% do total de ocupados e o percentual de pessoas com trabalho formal, com mais de dez anos de estudo, é de 55,5%. A economia privilegia as pessoas com maior grau de qualificação porque, na conjuntura atual, mesmo o trabalho braçal precisa ser especializado.
O Brasil tem uma geração inteira que está perdida para o mundo econômico porque não recebeu educação suficiente e nem se preparou para o competitivo mercado de trabalho atual. Em algumas localidades do país, este estado de coisa se mantém inalterado, com brasileiros recebendo educação insuficiente para sequer escrever o próprio nome, quanto mais ler textos explicativos. No futuro, esses brasileiros não estarão aptos e entrar no mercado de trabalho, que cada vez mais se afunila para aqueles com pouca qualificação profissional.
Desemprego cresce, mas economia continua estável
Em: 27 de março de 2008
Há muito tempo a economia do país não apresentava um período de crescimento tão estável e prolongado como agora.
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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