A fila do desemprego voltou a encolher no Amazonas no terceiro trimestre de 2025, e é a menor desde 2012. O contexto foi de avanços no nível de ocupação (58,1%), massa salarial (R$ 4,5 bilhões) e renda média do trabalhador (R$ 3.082), apesar do cenário macroeconômico desfavorável. O percentual de trabalho informal diminuiu, mas ainda é um dos maiores do país. A taxa de desocupação ficou estatisticamente estável na virada trimestral, atingindo 7,6% da população economicamente ativa (154 mil). O confronto com igual intervalo de 2024 (8,2% e 159 mil) mostrou queda. O Estado seguiu a média nacional (5,6%), que também atingiu o piso da série histórica.
Em paralelo, a oferta de oportunidades profissionais cresceu: 58,1% da força de trabalho do Amazonas contava com ocupação remunerada no terceiro trimestre, o equivalente a 1,87 milhão pessoas. Ficou acima da marca do trimestre anterior (56,8% e 1,83 milhão), em desempenho puxado para cima pela construção e pelos serviços. O resultado também superou o acumulado de julho a setembro de 2024 (55,7% e 1,79 milhão), em desempenho favorecido principalmente pela construção, administração pública, indústria e comércio. É que apontam os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Trimestral, divulgados pelo IBGE, nesta sexta (14).
A fatia de trabalhadores do Amazonas sem carteira assinada caiu de 52,1% para 51,5%, entre o segundo trimestre e o terceiro trimestre, somando 964.000 habitantes. A proporção de amazonenses nessa condição também foi inferior à registrada em igual intervalo do exercício anterior (54,1% 998.145), mesmo em um contexto de aumento vegetativo na força de trabalho do Amazonas. O Estado, contudo, ainda supera a média nacional (37,8%) nesse quesito e se mantém com a quarta maior fatia do país. Empatou com a Bahia e ficou atrás somente do Maranhão (57%), Pará (56,5%) e Piauí (52,7%), tendo Santa Catarina (24,9%) no extremo oposto.
“O mercado de trabalho formal no Amazonas deu uma melhorada, com crescimento expressivo no número de empregados com carteira assinada no setor privado. Isso aponta para uma melhora na qualidade dos postos de trabalho. O número total ocupados está em franco crescimento, o que demostra capacidade crescente do mercado estadual em absorver a mão de obra. A quantidade de pessoas que estavam fora da força de trabalho diminuiu, sugerindo que as pessoas estão voltando a buscar emprego, possivelmente motivadas pela melhoria percebida no mercado”, ponderou o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.
“Grande desafio”
No terceiro trimestre, o Estado contava com quase 3,22 milhões habitantes com 14 anos ou mais – idade apontada pelo IBGE como “apta ao trabalho”. A quantidade de amazonenses que trabalhavam ou buscavam emprego aumentou para 2,03 milhões, em sentido inverso ao verificado no grupo “fora da força de trabalho” (1,19 milhão). O total de subocupados por insuficiência de horas trabalhadas retomou alta e chegou a 65 mil, enquanto o volume de pessoas enquadradas na “força de trabalho potencial” (92 mil) encolheu. A Pnad Trimestral mostra ainda que o número de desalentados (48 mil) chegou ao menor nível da série histórica do IBGE, iniciada em 2012.
A maioria da mão de obra remunerada no Amazonas estava na categoria de “empregado” (62,23% do total, ou 1,16 milhão). Dentro desse grupo, 63,69% vinham do setor privado (742 mil), sendo que 64,82% deles (481 mil) estavam formalizados. A falta de carteira de assinada era ainda mais ampla entre os trabalhadores domésticos, que são contabilizados à parte: 69 mil entre 80 mil (86,25% do total). O setor público (344 mil) tinha só 21 mil pessoas com registro celetista, enquanto 177 mil eram militares ou funcionários estatutários. A quantidade de trabalhadores por “conta própria” diminuiu para 545 mil, em sentido inverso ao dos empregadores (45 mil). Mas apenas estes tinham maioria com CNPJ (41 mil contra 30 mil, respectivamente).
“O Amazonas continua enfrentando um grande desafio com a alta taxa de informalidade. O Estado registra um dos maiores percentuais de trabalhadores sem proteção no país”, assinalou Adjalma Nogueira Jaques, no material divulgado com a pesquisa. Em analises anteriores, o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, já havia apontado que a “persistente informalidade estadual reflete fragilidades estruturais no mercado de trabalho comuns na região Norte, além de limitar o acesso a direitos básicos”.
“Expansão robusta”
Os serviços de administração pública, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (410 mil) ainda são os que mais somam trabalhadores ocupados no Amazonas, com o grupo que reúne comércio e reparação de veículos (314 mil) na segunda posição. Na sequência estão a agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (248 mil); a indústria em geral (239 mil); os serviços de informação, comunicação, atividades financeiras e imobiliárias (137 mil); a construção (121 mil); os serviços de transporte, armazenagem e correio (113 mil); alojamento e alimentação (111 mil); “outros serviços” (97 mil) e serviços domésticos (80 mil).
Sete dos dez agrupamentos de atividades econômicas acompanhados pelo IBGE elevaram seus contingentes, entre o segundo e terceiro trimestre. Os melhores resultados vieram da construção (+7,3%), “outros serviços” (+7%) e agropecuária (+5,3%), em comparação desfavorável para o comércio (-3,3%). O confronto com o aglutinado de julho a setembro do ano passado também mostrou avanço para sete agrupamentos de atividades, em especial para a construção (+17,4%), administração pública (+12,8%), indústria (+9,1%) e comércio (+8,4%). Em contraste, agropecuária (-11,6%) e informação, comunicação e atividades financeiras e imobiliárias (-2,5%) lideraram os cortes.
O “rendimento médio real” dos trabalhadores do Amazonas aumentou R$ 2.455 para R$ 2.608, ante o trimestre anterior, uma diferença de 6,23%. No confronto com o mesmo acumulado de 2024 (R$ 2.439), contudo, houve progressão de 6,93%. O Estado ficou aquém da média brasileira (R$ 3.507) e da região Norte (R$ 2.684), ocupando a 20ª colocação nacional – tendo o Distrito Federal (R$ 6.145) e o Maranhão (R$ 2.198) nas duas pontas. A massa de rendimentos, que reflete a contribuição dos salários brutos para a economia local, foi de R$ 4,57 bilhões, ficando 8,04% mais forte do que nos três meses anteriores (R$ 4,23 bilhões) e também 12,84% maior diante de 2024 (R$ 4,05 bilhões).
“O emprego no setor público demonstrou expansão robusta e tem sido motor importante para a geração de vagas no Amazonas. A atividade da área varejista e de reparação, por outro lado, apresentou redução na comparação com o trimestre anterior. De certa forma, é um sinal de alerta sobre a dinâmica deste setor fundamental. A pesquisa mostra ainda que os trabalhadores amazonenses estão tendo melhora nos ganhos salariais, o que injeta mais dinheiro na economia local e fortalece o poder de compra da população”, arrematou o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM.







