A década de 1950 foi inspiradora para os portugueses que escolheram Manaus para realizar seus sonhos, constituir família e construir verdadeiros impérios, marco da economia amazonense. Famílias tradicionais como Soares, Vieira e Azevedo, contribuíram para o desenvolvimento socioeconômico no Amazonas. Hoje, todos passam pela forte recessão do mercado, mas é na expertise de comerciantes tradicionais, conseguem conduzir essas situações de altos e baixos da economia e manter os negócios. Patrimônios históricos também fazem parte do legado português na capital amazonense, por exemplo, o Sport Club Luso e o Hospital Beneficente Português do Amazonas.
O presidente da Câmara de Comércio Portuguesa de Manaus, Joaquim José do Carmo Silva, confia na força empresarial luso brasileira para sair da crise e retomar o crescimento da economia, começando pela capital amazonense, com a diversificação das indústrias do PIM (Polo Industrial de Manaus). “Assim que o negócio se modifique, com a imaginação dos empresários, que vai fazem com que essa situação econômica não se mantenha por muito tempo”, analisou.
Segundo Silva, a força empresaria portuguesa já foi maior em Manaus. No entanto com a criação da Câmara de Comércio as relações com as famílias tradicionais em Portugal voltam a ser estreitadas. “Estamos preparando uma visita a Portugal, com uma comitiva de empresários portugueses, onde está previsto encontros nas cidades irmãs Braga e Manaus”, adiantou.
Joaquim Silva também é presidente do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Amazonas, sua visão de negócios não é das melhores diante da crise institucional que vem freando a economia brasileira. “A situação, neste momento, econômica do Brasil não está fácil nem para a comunidade portuguesa nem para os brasileiros. Tanto que a situação é comum para ambos, mas que apesar de complicada, vai passar”, ratificou.
Silva adiantou que acordos nas áreas industrial, comercial e cultural serão formalizados entre empresários tradicionais nas cidades irmãs lusitanas e os amazonenses, por meio da Câmara de Comércio Portuguesa de Manaus. “Para que ambos os países e ambas as cidades, possam usufruir das novas tecnologias e que tornem as coisas mais fáceis”, frisou.
Sócio-diretor da loja de artigos esportivos Globo Esporte, o empresário Alfredo Monteiro Vieira é descendente de duas famílias de emigrantes portugueses. Vindos de Lago, uma aldeia distante seis quilômetros da cidade de Braga e outros da vila de Melgaço. Eles decidiram começar vida nova no Brasil e escolheram Manaus para criar os filhos. Enfrentando toda sorte de dificuldades as famílias se multiplicaram e tornaram-se referência na capital amazonense.
Por parte de pai, o português Alfredo Soares Vieira, o empresário ratifica a importância da empresa J Soares Ferragens, para o desenvolvimento da economia regional. “José Antônio Soares era do tio do meu pai, ela mandou vir meus tios e depois chamaram os irmãos do qual meu pai era o mais novo, por isso foi o último irmão a vir”, relatou.
Já do lado materno, Vieira conta que o avô, primogênito da família Monteiro, enviou uma carta chamando os irmãos para vir tentar a sorte em Manaus. “Antigamente tinha uma carta de chamada que eles vinham”, disse. Ele destaque que a família da mãe, Judith Monteiro Vieira, também era bem conhecida na cidade devido ao restaurante famoso. “Meu avô foi dono do restaurante Solar da Olímpia por muitos anos. E minha trabalhou com ele até casar com meu pai”, informou.
Alfredo Vieira além de empresário, também foi presidente da Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas durante 16 anos, no período de 1996 até 2012. Sobre a crise econômica que vem assolando a economia, Vieira
“Hoje passa todo mundo por uma recessão forte. Só que a gente que tem comércio sabe como manobrar essas situações de latos e baixos. E o meu pai nos ensinou sempre que “temos que guardar do riso para chora” ou então ele dizia “meu filho tem que guardar enquanto as peras caem”. Então, aproveitar enquanto as peras caem”, recordou. Essas são lições de vida, que as famílias tradicionais portuguesas deixaram de legado para seus descendentes e que continuam dando bons frutos, apesar da crise.
Decano
O presidente do Grupo TV Lar, José dos Santos da Silva Azevedo, é o empresário luso amazonense decano. Nasceu em 23 de julho de 1933 em Albergaria-a-Velha, meses depois emigrou com a sua família para Manaus (Brasil), onde reside desde 1934. “Comecei bem cedo a minha luta e o objetivo era um só: tirar a minha avó, Maria Ferreira Bernardes, daquela vida sacrificada que era submetida para sustentar a mim e minha irmã. Ela lavava roupas todos os dias. Depois de engomá-las, mandava eu entregar a trouxa para o freguês. Cresci querendo tirá-la do serviço e consegui”, recorda.
Para chegar ao sucesso e construir um verdadeiro império, Azevedo fez de cada oportunidade uma porta para o mundo dos negócios. Começou como comerciário, depois rádio amador, foi professor da Escola Técnica, algum tempo depois, montou uma oficina de assistência técnica que foi crescendo e hoje possui um grupo empresas com mais de 50 lojas em Manaus e em outros municípios do interior do Amazonas.
Além de empresário, José Azevedo é cônsul honorário de Portugal em Manaus, país do qual recebeu o título de Comendador. Atuante em diversos setores da economia amazonense, ela dá a sua contribuição na Federação do Comércio do Estado do Amazonas, no Sindicato do Comércio Amazonense e na Associação Comercial do Amazonas. “Trabalho e dedicação”, são as palavras que definem sua história de vida.
Manaus tem um elenco de portugueses notáveis que contribuíram para a história do Amazonas, fazendo notável trabalho socioeconômico. Foram os portugueses que fundaram a ACA (Associação Comercial do Amazonas) em 1871. Foram eles que começaram a construir a Sociedade Beneficente do Amazonas, iniciando com o hospital português, na av. Joaquim Nabuco, 1359, Centro Histórico, zona sul da cidade.
Nas redes sociais existe a Comunidade Portuguesa e Luso Brasileira do Amazonas -organização sem fins lucrativos- onde são compartilhas informações e notícias sobre Portugal, uma forma de manter viva a tradição cultural aproximando as duas grandes nações Brasil e Portugal.
O presidente do Hospital Beneficente Português do Amazonas, Jair Alves Correa, é manauara e se orgulha de ter dupla cidadania luso-brasileira, por ser casado com a filha de um legítimo português, que veio para Manaus com a família aventurar uma nova vida. “Eu sou amazonense, manauara da gema, tenho a ligação com as tradições de Portugal através da minha esposa, casei com a filha de um português”, contou.
Apesar dos desafios da vida a família portuguesa veio a prosperar no ramo de panificação, depois se instalaram na av. Joaquim Nabuco onde permanece em pleno funcionamento a fábrica de biscoitos Modelo, que produz o famoso biscoito de motor. “Fundaram a padaria e fábrica Lopes Santos Esteves Ltda. Tiveram, também, uma pequena participação na fábrica Portuense, ambas na avenida Joaquim Nabuco”, relatou.
Quatro anos a frente do hospital português, Correa destaque que a equipe está engajada a mais de 20 anos, nas questões da filantropia, mas que também é afetado pela crise econômica. “Não é diferente de nenhum outro segmento, muito pelo contrário, porque a Saúde é precária mesmo e todo mundo sabe. Mas nós estamos fazendo a nossa parte”, garante.
Hospital Português
A Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas foi fundada no dia 31 de outubro de 1873, por um grupo de imigrantes portugueses e hoje é um dos maiores e mais importantes hospitais da região norte do Brasil, denominado Hospital Beneficente Português do Amazonas.
A experiência de 143 anos de história se alia a uma moderna estrutura hospitalar. São 40 mil metros quadrados de área construída, mais de 40 especialidades médicas, equipamentos com tecnologia de ponta e um corpo clínico altamente qualificado.
O hospital é considerado referência no Estado do Amazonas na área de cardiologia, com uma completa estrutura para diagnosticar e tratar as doenças do coração e para realizar cirurgias cardíacas de alta complexidade.
O Hospital Beneficente Português do Amazonas também dispõe de um Instituto de Câncer através do qual oferece tratamento de quimioterapia e cirurgia oncológica e ainda possui o único Instituto com certificação ISO 9001/2008, na área de exames por imagem.
A excelência na atenção aos pacientes é reforçada por um Serviço de Atendimento de Urgência 24 horas, além de UTI’s (Unidades de Tratamento Intensivo) e modernos Centros Cirúrgicos.
Marco arquitetônico
O Luso Sporting Club é outro marco arquitetônico do centro histórico de Manaus. A fundação aconteceu no dia 1º de maio de 1912 na casa de Francisco Rodrigues, na rua Monsenhor Coutinho, 745, Centro Histórico, zona sul da cidade. No auge da popularidade, o time Luso reunia 10 mil espectadores, durante os jogos, no estádio Parque Amazonense (demolido em 1976). Atualmente, o Luso está definitivamente licenciado das competições de âmbito profissional da Federação Amazonense de Futebol, atuando apenas como um clube amador.
Nesta segunda-feira (25), o Luso Sporting Club será sede da comemoração da Revolução dos Cravos, um período da história de Portugal resultante de um movimento social, ocorrido a 25 de abril de 1974, que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933 e iniciou um processo que viria a terminar com a implantação de um regime democrático e com a entrada em vigor da nova Constituição no dia 25 de abril de 1976. O evento é uma realização do Conselho da Comunidade Portuguesa e Luso-Brasileira do Amazonas.







