A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) anunciou na sexta-feira(20), que vai reivindicar a ampliação da lista de segmentos beneficiados pela desoneração da folha de pagamentos proposta dentro do plano Brasil Maior. A justificativa é de que empresários da indústria começam a demonstrar mais interesse pelo benefício.
A medida – que atualmente atinge apenas três dos 23 segmentos do PIM – prevê o corte na folha de pagamento com a redução de 20% da alíquota patronal do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em troca de uma contribuição que varia entre 1% e 2% sobre o faturamento da empresa.
Representantes do setor industrial no Amazonas divergem sobre a vantagem da desoneração no Estado, mas avaliam a reivindicação como salutar para o segmento no país.
O presidente do Sinaees-AM (Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Celso Piacentini, explica que fábricas componentistas, podem tirar mais vantagens da inclusão, ao contrário dos fabricantes de bens finais. “O empresário desonera se quiser. A decisão vai depender de quanto os gastos com a mão de obra vão pesar no custo final do produto”, explanou.
O presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, explica as diferenças entre os tipos de empresas. “Se o empresário possui uma fábrica com mão de obra mais enxuta e um faturamento alto como ocorre nas grandes empresas do polo eletroeletrônico e de duas rodas, por exemplo, a mudança não compensa porque ele terá que comprometer de 1% a 2% do faturamento. Se esse montante é alto, a quantia que vai para o governo será muito maior do que os 20% de INSS que ele deixou de pagar. Agora, se os gastos com mão de obra são grandes e o faturamento menor, vale a pena porque qualquer desoneração representa alívio na folha de pagamento da empresa, principalmente agora em período de crise econômica”, detalhou.
Opiniões se dividem
O presidente do Simen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Athaydes Mariano Félix, por exemplo, não considera a medida vantajosa. “A fatia do faturamento é bem mais volumosa do que o desconto de 20% na folha”, afirma,
Já o presidente do Sindnaval-AM (Sindicato da Indústria da Construção Naval ), Matheus Araújo, declarou em entrevista anterior ao Jornal do Commercio, que para o setor naval, a modificação é importante, pois o peso da mão de obra e, por consequencia, os gastos com INSS são bastante expressivos.
O presidente do Simplast-AM (Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Amazonas), Carlos Alberto Monteiro, por sua vez, lembra que há três meses, quando o setor plástico foi incluso no plano, a proposta foi analisada e descartada. “Não temos o feedback das outras empresas, mas nós fizemos a conta e não valia a pena”.
Ele diz acreditar que a proposta da Abinee seja a favor de outros estados para os quais a vantagem pode ser mais expressiva tendo em vista que eles pagam uma quantidade maior de impostos.
“Independente do benefício ser válido ou não, o que queremos é que a indústria tenha o poder de escolha e por esse motivo apoiamos a reivindicação”, resumiu Piacentini.
“O importante é o que o máximo de segmentos do PIM sejam inseridos. A adesão é opcional, mas todo segmento possui empresas de pequeno médio e grande porte, componentistas e de bens finais. O que vale é termos a opção”, emendou Ailson Rezende.







