A desvalorização do dólar frente ao real está impulsionando os negócios das casas de câmbio locais, graças às pessoas físicas que dependem das empresas para conseguir um valor mais vantajoso nas constantes trocas de moeda. Enquanto os bancos oficiais seguem a tabela normal modificada a cada fechamento das bolsas de valores, as casas de câmbio geralmente têm uma margem de negociação para os clientes que precisam de grandes somas em dinheiro na mudança de divisa.
Na última quinta-feira, 15, a moeda norte-americana caiu para R$ 1,70, decréscimo de 0,17% em relação à cotação anterior. A desvalorização acumulada neste ano chega a 27,2%. Na opinião do economista e consultor empresarial, José Laredo, a tendência é que o dólar continue caindo nos próximos meses. “O governo federal está aumentando as reservas cambiais, que são em dólar, e o Brasil está recebendo muitos investimentos estrangeiros que também chegam em dólar. Quando entra muita moeda estrangeira no país, especialmente esta, consequentemente ocorre a valorização do real”, explicou.
Laredo prevê que a realização de uma Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos em um período relativamente curto impulsionarão a chegada de empresas do exterior para investir em solo nacional. Aliado a isto, ele lembra que o Brasil foi um dos primeiro países a sair da crise financeira, antes mesmos das nações desenvolvidas, fato que, segundo o economista, que atrairia ainda mais empresas de outros países.
Fluxo diário
A empresa de câmbio Fitta recebe um grande fluxo diário de pessoas físicas que precisam trocar dólares por reais. A gerente Amanda Levy esclareceu que o movimento sempre é maior quando o dólar está alto, “porque as pessoas lucram mais”.
“Geralmente, as empresas nos ligam para comprar dólares e não vender, diferente do que as pessoas físicas fazem. A compra de dólares ocorre justamente nesses dias de cotação baixa como vivemos agora”, informou Amanda Levy, que comemora o crescimento da franquia, que já está na sua segunda loja em Manaus.
A médica Sidélia Garcia disse que sempre vai às casas de câmbio porque consegue um preço melhor. “Nos bancos, eles têm que seguir a tabela e nas casas de câmbio eu posso negociar. A diferença chega até a R$ 0,15 e acabo ganhando mais”, contou Sidélia que troca, em média, US$ 600 por mês.
Compra antecipada para viagens
Apesar de não poder quantificar a expectativa do movimento dos consumidores, a gerente da Fitta disse que está animada com a crescente procura por dólares neste mês. “As pessoas estão se programando para viajar a outros países no final do ano, e o dólar baixo faz com elas comprem agora para não arriscar o cancelamento da viagem, caso a moeda suba demais”, frisou Amanda Levy.
Bolsa de valores
O economista José Laredo aconselha que só é viável para o usuário comprar qualquer moeda antecipadamente se tiver reservas na conta bancária, para se precaver contra qualquer “intempérie monetária”. Se a cotação do dólar cair mais ainda até dezembro, quem comprou a moeda para viajar nas férias terá prejuízo, quando poderia ter comprado mais barato. “Como não podemos prever de que forma o mercado se comportará, aconselho que os mais apressados esperem um pouco e fiquem de olho na bolsa de valores, já que tudo indica que a moeda continuará caindo em relação ao real. Mas, se a queda for muito forte, compre na hora e garanta sua viajem”, finalizou.







