Produção de bicicletas sinaliza retomada

Em: 18 de outubro de 2009
Mesmo com a economia local ainda se recuperando dos reflexos da crise econômica global, o mercado de bicicletas vem dando sinais de retomada aos índices de consumo setorial observados em 2008
Mesmo com a economia local ainda se recuperando dos reflexos da crise econômica global, o mercado de bicicletas vem dando sinais de retomada aos índices de consumo setorial observados em 2008

Mesmo com a economia local ainda se recuperando dos reflexos da crise econômica global, o mercado de bicicletas vem dando sinais de retomada aos índices de consumo setorial observados em 2008. Pelo menos essa é a avaliação do vice-presidente da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Jayme Marques Filho, que projetou empate técnico no volume produzido no acumulado deste ano em relação ao mesmo período de 2008.
Os números, divulgados durante a mais recente edição do Salão Duas Rodas, em São Paulo, apontam que no primeiro trimestre o consumo de bicicletas teve números quase 25% abaixo dos registrados no mesmo intervalo de 2008. A partir de maio, de acordo com a Abraciclo, houve sensível melhora no cenário, ocasionando redução na margem de perdas por falta de pedidos em relação ao ano passado. “Esse retorno às compras fez o primeiro semestre encerrar com apenas 15% de diferença em relação ao mesmo período de 2008, o que é um grande resultado se analisados sob a ótica da instabilidade pela qual a economia está passando”, ponderou o representante da Abraciclo.
Marques Filho disse ainda que a redução no volume de vendas atingiu 2,7% no terceiro trimestre, quando 2,38 milhões de bicicletas saíram das linhas fabris de Manaus. Em igual intervalo do período do ano passado, segundo o executivo, o gráfico de vendas chegou ao patamar das 3,32 milhões de unidades no varejo. “Nossa projeção para este ano chega a 5,4 milhões de bicicletas comercializadas. O comportamento do setor indica uma trajetória ascendente quanto mais se aproximam a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o que nos leva a projeções de consumo de 5,6 milhões de unidades em 2010 e de 5,8 milhões de bicicletas em 2011” explicou.
O presidente da Brasil & Movimento (Sundown Bikes), Walther Biselli, concordou que o segundo semestre apresenta uma tendência à retomada de fôlego, apesar da projeção de que o segmento pode fechar o ano com queda de 8% em relação ao acumulado do ano passado. “É um número pequeno, se considerarmos os distúrbios econômicos que a indústria passou a partir da queda no consumo”, amenizou.
Biselli criticou a falta de uma política nacional mais contundente que incentive o aumento da produção interna do setor de duas rodas não-motorizado. O empresário lembrou que a Abraciclo encaminhou ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) proposta de reavaliação da política industrial com objetivo principal de incentivar a produção de bicicletas a partir da redução da carga tributária. “Além disso, a proposta inserida no Programa de Desenvolvimento Produtivo ressalta as certificações compulsórias do produto nacional para melhorar o nível de qualidade, reduzindo a informalidade e incentivando a exportação. Queremos com isso dinamizar a produção do setor”, salientou.
Entre as novidades de produção local apresentadas no Salão Duas Rodas deste ano, estão as tricicletas chinesas e as velocicletas (triciclos elétricos) gaúchas, cujos projetos industriais serão apresentados à Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) no início de 2010. Segundo o diretor da General Wings, Ricardo Marques de Féo, existe uma tendência no mercado pelos veículos elétricos ou de três rodas, em virtude da segurança e conforto que trazem ao consumidor. “Nós conseguimos superar obstáculos culturais e conquistar a confiança do consumidor brasileiro. A chegada em Manaus fará com que a marca se torne conhecida, com diferenciais em termos de produtos e design. Não é tarefa das mais fáceis, mas vamos apostar nisso”, comentou.
O presidente da Sundown, Walther Biselli, concordou que a tendência é oferecer ao consumidor esforço mínimo ou compensado no uso do triciclo. A aposta da marca, disse o executivo, se volta para os triciclos de carga como forma de atender a demanda em termos de mobilidade urbana e o de veículos elétricos. “São a nova onda entre bikes e motocicletas do setor”, observou.
Com frota nacional de 65 milhões de bicicletas, o Brasil é considerado o terceiro maior produtor do mundo. O país registra média de produção anual equivalente a 5,8 milhões de unidades, atrás apenas da China (80,7 milhões) e da Índia (11,9 milhões).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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