O Dia Internacional da Mulher, comemorado no próximo dia 8, é esperado com empolgação pelo tradicional mercado de flores. A data está entre as melhores para o segmento, atrás do Dia das Mães e Namorados. Neste ano, empresários do setor já sentem o impacto no volume de vendas e acreditam que devem superar o ano passado. A expectativa é que a data impulsione o comércio com crescimento entre 20% a 80%.
Segundo a empresária Eliete Oliveira, da Flora Center e Decorações, a empresa está preparada para a data que representa boas vendas. “As flores sempre surgem como opções para qualquer momento. Estamos bem confiantes e já trabalhando com encomendas”. Ela lembra que ano passado a maioria das solicitações de pedidos eram corporativas e que em 2021 estão bem divididos.
Além dos tradicionais buquês que custam a partir de R$ 100, a empresa está apostando cestas de chocolates e pelúcias, com valores entre R$90 a R$ 180. Para Eliete o segmento continua sendo uma fatia de mercado considerada promissora e apesar de algumas quedas é um dos períodos de melhor produtividade, “Estamos tendo um ótimo retorno”.
Pela antecipação de pedidos recebidos para a data, o proprietário da floricultura Dona Flor, Ney Branches, diz que o crescimento está bem mais expressivo que no ano passado. “Não sei se este ano está sendo maior em função do isolamento social que fez as pessoas sentirem mais saudades e agora vão dar rosas de presentes e as cestas de chocolate com rosas e pelúcia, também estão entre as mais vendidas”.
Ele diz que muitas encomendas estão agendadas para segunda-feira (8), somente pela manhã são mais de cinquenta solicitações para entrega, além dos pedidos retirados direto na empresa.
Para o vendedor Everton Martins, os vasos de flores e os botões são os mais procurados. A maioria das homenagens serão para as esposas e as mães. “Neste momento tão difícil, um presente em forma de rosa é muito significativo. É um presente que fica na memória de qualquer pessoa e nunca está fora de moda. Quem não gostaria de ganhar um mimo desses?”. Ele afirma que o volume de vendas está 30% mais alto. E quando a data estiver mais próxima esse número deve dobrar.
O proprietário da floricultura Lírio do Campo Amarildo Moraes é bem ousado e estima um percentual 80% a mais frente ao ano passado. A floricultura montou kits especiais, além de arranjos de flores e buquês, a empresa aposta em vários kits. Cesta de café da manhã com pelúcia, buquê de rosas com chocolates, pelúcia com buquê, de acordo com o pedido do cliente.
Também a procura por plantas como begônia e orquídea, estão na lista de encomendas. “Estamos confiantes e preparados para a data, mesmo porque muitas das vezes o nosso cliente compra em quantidade para presentear, esposa, mãe e filhas”.
A mais demandada é o buquê de rosas vermelhas com 12 rosas custando em torno de R$120. “Houve uma alta devido ao custo do frete que sofreu reajustes”.

Foto: Divulgação
Volta à normalidade
Preocupado com a situação de toda a cadeia que envolve o setor de flores e plantas ornamentais no país, o Ibraflor – Instituto Brasileiro de Floricultura – está encaminhando ofícios aos governadores e prefeitos dos principais estados e cidades do país solicitando a permissão do funcionamento das floriculturas e gardens centers nesta semana, considerando que muitos deles decretaram lockdown devido ao agravamento das contaminações pela Covid-19.
A preocupação deve-se à proximidade do Dia Internacional da Mulher, na próxima terça-feira, 8 de março, data que representa 8% do faturamento anual do setor que já vem sofrendo constantes prejuízos desde o início da pandemia. O Ibraflor lembrar aos governantes que as flores são classificadas pelo Comitê de Crise Covid-19, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) como produtos agropecuários e, portanto, os estabelecimentos que as comercializam são considerados como de “atividades essenciais”.
“Trabalhamos com produtos vivos, perecíveis, e estamos classificados como produtos agrícolas, assim como os hortifrutis. Uma vez que as floriculturas e gardens centers sigam rigorosamente as diretrizes de segurança sanitária estabelecidas pelos órgãos de Saúde, não há justificativa para fechá-las”, explica o presidente do Ibraflor, Kees Schoenmaker.
Kees lembra que esses estabelecimentos não geram aglomeração, mesmo em datas especiais. “A impossibilidade de abertura para este Dia da Mulher representará novos e enormes prejuízos para toda a cadeia produtiva das flores e plantas ornamentais do Brasil, que envolve produtores, distribuidores e floriculturas, pois não há como estocar os produtos para vendas futuras. As plantas e flores já plantadas e colhidas, se não comercializadas, terão novamente o lixo como destino, como ocorreu no início da pandemia”, explica. De acordo com o Ibraflor, a queda no faturamento total do setor, em 2020, foi de 90% e resultou em um déficit de R$ 1,360 bilhão.
A solicitação do Instituto para os prefeitos e governadores é para que seja considerada a classificação das plantas e flores como produtos agropecuários e, em caráter excepcional, nesta semana que antecede o Dia da Mulher, sejam flexibilizados os decretos que determinam o fechamento do comércio. “A data simboliza uma luta histórica de reivindicação e de reconhecimento dos direitos das mulheres e deve ser lembrada de forma ainda mais especial agora, quando vivenciada em tempos tão difíceis. Nosso intuito é salvar toda a cadeia de mais um grande prejuízo, além de possibilitar que as nossas flores e plantas possam alcançar as casas de todas as mulheres que representam essa luta”, diz.
No entanto, o Ibraflor esclarece que, embora as floriculturas e os Garden Centers sejam classificados como atividades essenciais, devem sempre informar-se primeiro da realidade em sua cidade e respeitar os decretos municipais, observando as restrições de circulação e os horários permitidos para o funcionamento das atividades essenciais.
Foto/Destaque: Divulgação







