A hospitalidade foi o grande legado da Copa do Mundo da Fifa 2014 para Manaus. De acordo com o presidente da Fecomércio, José Roberto Tadros, o povo brasileiro em geral soube cativar e receber bem os turistas que visitaram o país durante a realização dos jogos da Copa, mas o hábito de improvisar em detrimento ao planejamento de um grande evento prejudicou o desempenho da economia. “É bom lembrar que nós somos a sétima maior economia do planeta e teríamos que mostrar um pouco mais de organização. Mas esta é uma característica brasileira de improvisação, inclusive com a própria seleção que fizeram improvisar e jogar nas costas de um único jogador a possibilidade de vitória”, disse.
Em contrapartida, o comércio tradicional e o turismo foram prejudicados na capital com a presença de camelôs que, segundo a Fecomércio (Federação do Comércio do Amazonas), afugentou os turistas estrangeiros, além dos preços que foram mais uma vez inflacionados ficando muito superior aos já praticados antes do mundial. O improviso também foi alvo de críticas da entidade de classe.
Segundo Tadros, em termos de vantagem, o resultado foi positivo em determinados Estados com a divulgação da cultura local, vista de forma equivocada no exterior. No entanto, ainda deixa a desejar em vários aspectos como na mobilidade urbana, nas obras de infraestrutura e na organização da cerimônia de abertura e de encerramento do mundial. “Ficou o legado de um país hospitaleiro, não tão mal visto como se propagou antes da Copa. E acima de tudo uma visão clara no campo futebolístico de que as improvisações como se praticou nesta Copa só trouxe desalento ao povo que não esperava uma derrota tão violenta como aquela [Alemanha 7×1 Brasil, jogo da semifinal]”, analisou.
Tadros também citou alguns pontos negativos do legado da Copa, como a informalidade excessiva praticada pelos camelôs e os preços muito superiores aos praticados em épocas de baixa estação em relação ao turismo. “Claro que as mazelas brasileiras também ficaram. O turista que está acostumado a comprar mais barato no seu país obviamente que não ficou estimulado a voltar ao Brasil e fazer compras, até porque o custo Brasil, normalmente fora a Copa, já é um custo muito alto em relação ao custo em outros países”, observou.
Manaus é o legado
Na avaliação da Fecomércio, em Manaus, o primeiro momento positivo ficou por conta da realização dos jogos das seleções campeãs, do famoso grupo da morte, quando alguns setores de serviços tiveram uma alavancada no movimento como bares, restaurantes, hotéis e shoppings. Mas, foi negativo para o comércio de rua, em consequência de dois fatores fundamentais: a presença dos camelôs no Centro Histórico de Manaus e os dias de comércio fechado durante os jogos da Copa.
O presidente da entidade frisou que “em primeiro lugar não foram retirados todos os camelôs do Centro da cidade e isto amedrontou o turista. E segundo, que em consequência de muitos feriados houve uma redução das vendas no comércio tradicional”, disse. Tadros ainda disse que segundo a Prefeitura de Manaus o projeto de retirada dos camelôs deve continuar de forma permanente.
“Até que se faça uma profilaxia numa cidade de dois milhões de habitantes, que é a 6ª maior economia do país, e que não pode continuar com certas mazelas que foram criadas e inventadas de forma populista há alguns anos atrás e que tem atemorizado os políticos em perder a eleição se tirar camelô, e isso não existe. O prefeito Arthur Neto retirou os camelôs no seu primeiro mandato na prefeitura e não perdeu eleição”, destacou Tadros.
Para Tadros a preocupação está na otimização da Arena da Amazônia, considerada a mais bela entre as 12 que sediaram os jogos da Copa. “Não podemos deixar que um monumento desse porte fique ocioso”, reiterou. Quanto ao cenário político, Tadros acredita na criação de uma política setorizada que proporcione lucro às empresas e a retomada do desenvolvimento regional e consequentemente o crescimento econômico.
“E agora que o governo tome as rédeas para reduzir a inflação, reduzir a carga tributária e a burocracia que ninguém aguenta mais. Aí a economia não cresce porque as empresas não dão lucro e quando dão é pífio e, que não estimulam para reinvestir. Tem que criar uma política industrial, comercial, de comércio e serviços, agrícola para a retomada do crescimento do lucro da empresa que é essencial para o investimento do amanhã e o novo emprego, sem isso, nada feito”, concluiu o presidente da Fecomércio.







