A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que irá realizar “substituições” na sua equipe ministerial no fim do ano, nas vagas de ministros que eventualmente participarão de campanhas em seus Estados no ano que vem. Em conversa com jornalistas após a assinatura de atos no Palácio de Gobierno, em Lima, no Peru, Dilma disse que pretende fazer uma reforma ministerial, dando a entender que colocaria ao menos os secretários executivos das pastas no lugar dos titulares.
“É muito possível [que ministros deixem o governo para iniciar a campanha]. Vou fazer substituições. Agora já dei a notícia”, disse Dilma. A reforma ministerial com vistas a 2014 é especulada desde meados deste ano, quando a presidente iniciou veladamente uma maratona de eventos e anúncios e manifestou seu apoio às candidaturas de ministros como Alexandre Padilha (Saúde), para o governo de São Paulo, e de Fernando Pimentel (Desenvolvimento), para o governo de Minas Gerais.
Hoje, inclusive, visitou Lima acompanhada de Pimentel e ampliou discussões nas áreas de atuação de Padilha. No entanto, quando questionada se a troca de farpas entre seus aliados, o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), e o prefeito Fernando Haddad (PT), poderia respingar na campanha do ano que vem, disse que não falaria de eleição.
“Estou aqui fazendo uma visita de Estado e vocês estão perguntando de eleição”, disse Dilma. Na edição de ontem da Folha de S.Paulo, Kassab atacou seu sucessor, contra quem usou termos como “má-fé”, “desonestidade” e “desrespeitoso”. Foi a primeira vez que o ex-prefeito e presidente do PSD criticou o petista. Foi também uma resposta à entrevista de Haddad à Folha de S.Paulo em que o prefeito disse ter encontrado a prefeitura em situação de “descalabro” e “degradação”.
Viagem
Dilma Rousseff esteve em Lima, no Peru, para uma série de compromissos com o intuito de estreitar a relação entre o Brasil e o país vizinho, sobretudo do ponto de vista econômico. Do lado brasileiro, Dilma discutiu estratégias de integração de transportes entre os países, com vistas à alimentação da rodovia Interoceânica, que liga Porto Velho (RO) ao litoral do Peru. Do lado peruano, o presidente Ollanta Humala, em momento delicado do mandato, quer levar a termo compromissos de aproximação assinados pelos países na área social, como o compartilhamento de iniciativas da Farmácia Popular e o Bolsa-Família.
Dilma teve a agenda tomada por encontros bilaterais e compromisso com empresários. Esteve acompanhada dos ministros Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Helena Chagas (Comunicação Social) e Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores), além do conselheiro para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.
Os presidente de ambos os países assinaram um acordo de compartilhamento de dados de telecomunicações para regiões fronteiriças. Residentes nos municípios de Assis Brasil (AC), Iñapari e Iberia serão beneficiados com a flexibilização de regras de roaming internacional para o uso de telefonia móvel.
Também assinaram memorandos nas áreas de infraestrutura de águas de boas práticas de trabalho e emprego.






