Dilma irrita PT ao cancelar presença

Em: 10 de junho de 2015

Congresso da legenda foi aberto ontem em Salvador, sem a participação da presidente

No momento de maior distanciamento entre o Palácio do Planalto e o PT desde as eleições de 2010, a presidente Dilma Rousseff cancelou sua participação na abertura do 5º congresso do partido, nesta quinta-feira (11), em Salvador, e irritou dirigentes petistas.
O esforço do comando da sigla e do ex-presidente Lula para tentar acalmar os ânimos de setores da legenda, que preparam críticas diretas à política econômica e à atuação da presidente, foi considerado “em vão” com a mudança de roteiro.
Dilma viajou para a Bélgica na manhã desta terça-feira (9) e a previsão era a de que voltasse ao Brasil para a abertura do congresso petista ao lado de Lula.
O retorno, no entanto, foi marcado para a madrugada de sexta (12), inviabilizando o plano.
Até a noite de segunda (8), a cúpula do PT ainda contava com a presidente na abertura do congresso e sua presença no evento já havia sido confirmada nos materiais que foram divulgados pelo partido.
Dirigentes petistas consideram agora fazer um novo ato para que Dilma possa discursar, caso resolva ir na sexta ou no sábado (13).
O último dia desse tipo de evento, porém, é bastante esvaziado, visto que as decisões são tomadas no primeiro e segundo dia.

Recado
O PT esperava que, ao ir à abertura do congresso, Dilma “testemunhasse” e “chancelasse” bandeiras que podem reaproximar o partido e o governo de suas bases históricas.
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deve ser alvo durante o congresso. A CUT (Central Única dos Trabalhadores) levará ao evento críticas ao ministro e ao governo Dilma, a quem acusa de ter promovido uma “guinada na política econômica, com ataques a direitos dos trabalhadores”.
Petistas pedem à presidente acenos à esquerda em contrapartida ao ajuste fiscal, como benefícios aos trabalhadores, retomada do crescimento econômico, fim do fator previdenciário, imposto sobre fortunas, entre outros temas caros ao governo.
Lula e a cúpula do PT atuaram para que as críticas fossem mais amenas, mas a ausência de Dilma no ato de abertura só acentuou a insatisfação com o governo entre os quadros do partido.

CPMF

Maior força do PT, a chapa Partido que Muda o Brasil apresentou, documento que propõe a volta da CPMF, tributo que incide sobre movimentação financeira e que era conhecido como o “imposto do cheque”. O documento será submetido nesta sexta (12) aos 800 delegados petistas que participarão do congresso nacional do partido, em Salvador. “Somos favoráveis à retomada da contribuição sobre movimentação financeira, um imposto limpo, transparente e não cumulativo, como uma nova fonte de financiamento da saúde pública”, diz o documento, elaborado pelo presidente do PT, Rui Falcão, e integrantes da Executiva Nacional do partido.
A chapa Partido que Muda o Brasil representa quase 54% da sigla. Embora reconheça o ajuste como necessário, o documento traz ataques à política econômica a cargo do governo Dilma.
“O repertório neoliberal frente à crise, tem entre seus principais ingredientes redução de salários e direitos, corte dos gastos públicos, salvaguarda estatal dos bancos privados, protecionismo comercial e imposição de novas medidas para a integração subordinada das nações emergentes à ordem econômica mundial”, ataca.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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