Dívidas na mira do décimo terceiro para entrar azul em 2023

Em: 3 de dezembro de 2022
Real Moeda brasileira

A fila extensa de inadimplentes e endividados no país deve ser a responsável pelo destino do tão esperado décimo terceiro salário. Para muitos brasileiros o dinheiro extra vai ajudar a aliviar as contas pendentes ou limpar o nome. Muitos pretendem entrar 2023 com saldo azul com os débitos quitados. A projeção faz parte da Pesquisa da Serasa sobre uso do décimo terceiro, onde 60% dos endividados utilizarão o pagamento para este fim.

A sondagem informa que a intenção e o planejamento de 2.800 brasileiros pesquisados é utilizar o 13° Salário para limpar o nome,  pagar as dívidas e contas básicas. No grupo, ao menos  25,8% dos entrevistados pretendem pagar dívidas;- 25,6% dos entrevistados querem limpar o nome; 12,5% dos entrevistados planejam saldar as contas básicas (água, luz, aluguel e gás).

O pagamento, que normalmente é efetuado em duas parcelas -a primeira, até 30 de novembro, e a segunda, até 20 de dezembro, representa um alívio nas contas dos brasileiros. 

Para o educador financeiro do Sicoob, Eduardo Trigueiro, as orientações são diversas, pois cada brasileiro conhece sua necessidade. Se estiver com dívidas, nossa recomendação é que aproveite o décimo para efetuar o pagamento. Como também é válido aquelas pessoas que já têm planos para compras e viagens com esse dinheiro.

De acordo com o especialista, é possível utilizar as duas parcelas de formas diferentes. “Se conseguir pagar as dívidas na primeira metade, a segunda pode ser utilizada para antecipar algumas contas: matrícula ou material escolar, IPVA, compras específicas, entre outros”, comenta Trigueiro, lembrando que em janeiro surgem os chamados “gastos do começo do ano”. “É preciso se programar para essas despesas que são corriqueiras no início de cada ano”.

Um dos pontos importantes é não utilizar o 13º com gastos desnecessários. “Nessa época, surgem muitas propagandas sedutoras, principalmente de itens que normalmente a gente já tem e as indústrias querem que façamos um upgrade, como celulares, televisões e carros. Por isso, é preciso se perguntar sempre: esse gasto é realmente necessário?”, aconselha o especialista.

Outro fim nobre para o 13º é antecipar gastos que podem surgir em dezembro, como a compra de um presente, a organização da ceia natalina ou até uma viagem em família, desde que com planejamento. Ainda segundo Trigueiro, a melhor opção sempre será utilizar seu dinheiro com consciência. “Se a pessoa tem a possibilidade de guardar o valor, melhor. Quanto mais reserva de emergência você tiver, mais segurança financeira vai ter”, finaliza.

Os números representam um alento diante do cenário com o maior índice de inadimplência no ano. De acordo com o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, o mês de outubro registrou 69,06 milhões de inadimplentes no Brasil. É a primeira vez que o indicador alcança este patamar desde o início da sua análise. O montante de dívidas da população chega a R$ 301,5 bilhões e o valor médio de dívidas por pessoa totaliza R$ 4.365,98.

Destino certo

O comerciário Wilson Oliveira, faz parte do grupo que vai priorizar as dívidas. No caso dele,  a bola da vez é o cartão de crédito que nos últimos meses só consegue pagar o valor mínimo. “Se transformou numa verdadeira bola de neve, pois enquanto eu pago o minimo, faço novas contas e acabei perdendo o controle. Eu preciso quitar a quantia total que está pendente para eu não perder, pois o cartão é uma alternativa necessária e indispensável em caso de uso urgente”, disse. 

Números

Na região Norte são 5,8 milhões endividados. O maior índice em todo o país é do Amazonas, de 51,48%, com 1,4 milhão de pessoas inadimplentes. No Norte, o ranking segue com o Amapá, que apresenta índice de 50,75%, cerca de 307,2 mil pessoas endividadas. Em terceiro lugar vem Roraima, com um índice de 46,89%, totalizando 307 mil inadimplentes, seguido de Tocantins, com 45,22% e 527 mil endividados. O Acre aparece na sequência, com 44,25% e 271 mil inadimplentes, e logo após, Rondônia, com 44,01% e 589 mil endividados. O Pará aparece na última colocação na região com 38,73% e cerca de 2,4 milhões de pessoas nessa condição.

A pesquisa que analisou a intenção de gastos do 13° Salário também indica que o valor deverá ser destinado a despesas com alimentação (7,1%) e investimentos (4,1%). “Fatores como desemprego, queda da renda média e alto custo de vida contribuíram para a inadimplência elevada. O levantamento sobre a utilização do 13°, porém, mostra que os brasileiros devem priorizar agora a saúde financeira”, explica Aline Maciel, Gerente da plataforma Serasa Limpa Nome.

Por Andreia Leite

Insta: @andreia_leite_   Face: @jcommercio


Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar