Dúvidas ainda cercam cooperativas e associações

Em: 13 de julho de 2011
As cooperativas e associações devem servir como alternativa de trabalho e renda para pelo menos 3 milhões de pessoas neste ano, segundo dados da Senaes (Secretaria Nacional de Economia Solidária), do Ministério do Trabalho
As cooperativas e associações devem servir como alternativa de trabalho e renda para pelo menos 3 milhões de pessoas neste ano, segundo dados da Senaes (Secretaria Nacional de Economia Solidária), do Ministério do Trabalho

As cooperativas e associações devem servir como alternativa de trabalho e renda para pelo menos 3 milhões de pessoas neste ano, segundo dados da Senaes (Secretaria Nacional de Economia Solidária), do Ministério do Trabalho. Mas qual diferença de ambas as modalidades e como elas funcionam? A subgerente da UDT (Desenvolvimento Territorial) do Sebrae-AM (Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas do Amazonas), Maria Cione Guimarães, explica que por ser o associativismo a doutrina básica ou inspiradora dos modelos organizativos de base coletiva, costuma haver alguma confusão na hora de escolher um modelo ou outro. “Essa confusão é maior quando o objetivo da organização envolve atividade econômica”, enfatiza.
Cione conta que a diferença está na natureza dos dois processos. As associações são organizações que têm por finalidade a promoção de assistência social, educacional, cultural, defesa de interesses de classe. Enquanto isso, as cooperativas têm finalidade essencialmente econômica, seu principal objetivo é o de viabilizar o negócio produtivo de seus cooperados no mercado. “A compreensão dessa diferença é o que determina a melhor adequação de um ou outro modelo. Enquanto a associação é adequada para levar adiante uma atividade social, a cooperativa é mais adequada para desenvolver uma atividade comercial, em média ou grande escala, de forma coletiva”, afirma a subgerente da UDT.
Segundo a subgerente, a principal vantagem nessas modalidades é a organização do trabalho. “É possibilitar que indivíduos isolados e com menos condições de enfrentar o mercado, aumentem sua competitividade, e, consequentemente, melhorarem sua renda ou condição de trabalho”, destaca Cione, que conta que os possíveis benefícios fiscais passam a ser secundários, se o empreendimento coletivo for viável a partir da união das pessoas.
Atualmente, há mais de 150 cooperativas atuando em 31 municípios, principalmente na área de saúde e transporte, de acordo com dados da OCB-AM (Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Amazonas).
O superintendente da OCB-AM, Adriano Trenti, afirma que hoje aproximadamente 10 mil famílias têm ligação econômica direta com as cooperativas de Manaus. Ele esclarece ainda que a variação do faturamento depende do número de cooperados, do volume de negócios, do segmento econômico em que ela atua e diversos fatores. “Temos cooperativas no Brasil que faturam mais de R$ 4 bilhões. O que interessa, no entanto, não é o quanto a cooperativa fatura e sim os benefícios que ela traz para seus sócios, que são os donos do negócio e que se associaram para criar uma empresa de propriedade coletiva”, comenta.
Ele explica que o cooperativismo tem crescido muito nos últimos anos no Estado. “Mas também, muitas cooperativas nascem e acabam tendo dificuldades na gestão, seja por falta de conhecimento técnico, por falta de mercado ou por falta de viabilidade econômica, social ou técnica de seu negócio. Outras, no entanto, obtêm crescimento sustentado e se consolidam”, disse o superintendente.
Trenti destaca que devido o Amazonas ser um Estado com características peculiares (logística, mobilidade, Polo Industrial, escoamento da produção, hábitos de consumo, etc…) isso gera oportunidades e vantagens competitivas para alguns segmentos da economia em que temos cooperativas atuando, e também obstáculos em outros segmentos. “Posso citar como exemplo as cooperativas agropecuárias que atuam no segmento de fruticultura e horticultura e que encontram mercado aquecido e preços razoavelmente estáveis em Manaus, por causa do alto custo logístico para mercadorias de fora chegarem aqui”, revela.

Falta de infraestrutura ainda é problema para ambas

E é o que conta Eliana Medeiro do Carmo, presidente da Coomapem (Cooperativa Mista Agropecuária de Manacapuru),que possui cerca de 250 cooperados e com a atual safra de 2 mil toneladas, e que prevê o movimento financeiro de R$ 4 milhões. “Essa foi uma de nossas conquistas, conseguir preços justos por nossos produtos comercializados”, ela também acrescenta que um dos maiores obstáculos enfrentados pela Coomapem ainda é a falta de esclarecimento da população sobre o cooperativismo. “Muita gente vem até nós querendo entrar na cooperativa para vender seus produtos, mas acaba não preenchendo requisitos necessários para se tornar um cooperado”, disse a presidente da cooperativa, que trabalha há 48 anos com fibra de juta e malva, pescado e hortifruti.
Já Gaitano Antonaccio, presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), conta que a associação possui atualmente 450 associados e chega a arrecadar até R$100 mil por mês. Ele destaca que os problemas da capital amazonense são um obstáculo para o segmento. “Hoje as nossas dificuldades estão relacionadas a falta de infraestrutura em Manaus, o que impede o desenvolvimento do comércio local, entre elas está a falta de estacionamento, problemas de energia elétrica, precariedade da internet e comércio ambulante, que até hoje ainda está sem solução”, argumenta.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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