E-commerce deve faturar 20,7% a mais na Black Friday 2026, projeta Neotrust

Em: 14 de outubro de 2026

O e-commerce brasileiro deve faturar R$ 13,3 bilhões na Black Friday 2026, entre quinta-feira (26) e domingo (29 de novembro), alta de 20,7% em relação aos mesmos quatro dias de 2025, quando o setor movimentou R$ 11,03 bilhões. No período, a expectativa é de 69,4 milhões de produtos vendidos, crescimento de 15,4%, segundo projeção da Confi, feita por meio de sua solução de inteligência de mercado Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil.

O estudo foi apresentado nesta terça-feira (13) a varejistas e profissionais do setor, na sede do E-Commerce Brasil, em São Paulo. Ele também estima que o 11.11 deve faturar R$ 3,17 bilhões, alta de 21%, e continuar como o dia de maior concentração de vendas depois da Black Friday. Os dados da Neotrust vêm de transações reais de mais de 7 mil lojas parceiras.

Novembro além da Black Friday

O peso crescente das datas duplas já apareceu nos números do ano passado, quando apenas 23,5% do faturamento de novembro se concentrou nos quatro dias da Black Friday. Em 2025, o mês inteiro movimentou R$ 46,98 bilhões, alta de 27,3%. Só o 11.11 somou R$ 2,6 bilhões, crescimento de 95,7%, à frente da Cyber Monday, que registrou R$ 1,6 bilhão.

Para Bruno Pati, CEO do E-Commerce Brasil, a Black Friday deixou de ser um evento construído em torno de uma única data: promoções antecipadas, 11.11, Black Friday e Cyber Monday passaram a disputar o orçamento do consumidor ao longo de várias semanas.

Nesse cenário, segundo ele, o principal desafio do lojista é escolher o momento de entrar na disputa. “Antecipar demais pode pressionar margem e deslocar vendas que aconteceriam naturalmente. Esperar demais pode significar encontrar um cliente que já comprometeu parte relevante do orçamento. Essa leitura de timing será cada vez mais determinante para o resultado”, afirma.

Eletrodomésticos na liderança

Entre as categorias, os eletrodomésticos devem liderar o faturamento nos quatro dias da Black Friday 2026, com R$ 2,12 bilhões e alta de 44,5%. Em seguida vêm moda e acessórios, com R$ 1,38 bilhão (+44,2%), e beleza e perfumaria, com R$ 910 milhões e o maior crescimento entre as três, de 69,8%.

Na avaliação de Léo Bicalho, head da Neotrust, o consumidor continua reservando para a Black Friday as compras de ticket mais alto, como eletrônicos e linha branca. “Há uma questão cultural, de o consumidor já saber que esse será um momento em que os varejistas oferecem mais promoções. Mas também há um componente econômico: é o final do ano, período em que muitas pessoas recebem o 13º salário e ficam mais dispostas a fazer investimentos maiores”, analisa.

O executivo, no entanto, aponta dois fatores que podem pesar neste ano. Um são as compras planejadas que o consumidor pode já ter feito nas várias datas sazonais espalhadas pelo calendário; o outro é o endividamento das famílias, que aparece como um elemento relevante no cenário macroeconômico atual.

Mais pedidos, ticket menor

A projeção chega num mercado que segue em expansão, mas com mudanças no perfil das compras. De janeiro a setembro, o e-commerce faturou R$ 322,6 bilhões, alta de 16,9% sobre o mesmo período de 2025, enquanto o número de pedidos cresceu num ritmo bem mais acelerado, de 34,9%, para 1,2 bilhão. Com isso, o ticket médio caiu 13,4%, de R$ 309,70 para R$ 268,20, e o preço médio por produto recuou 1,9%, para R$ 138.

Para Pedro Chiamulera, CEO da Confi, essa combinação de mais pedidos com menor valor por compra muda a forma de disputar o consumidor. “Isso exige outra estratégia comercial: preço continua relevante, mas planejamento de estoque, comunicação, experiência, logística e capacidade de trabalhar diferentes momentos de compra se tornam igualmente determinantes para capturar esse crescimento”, avalia.

No recorte regional, o Sudeste concentrou R$ 187,3 bilhões, ou 58,3% das vendas digitais do país, mas o maior ritmo de crescimento ficou com o Norte, com 22,2%, à frente do Sudeste (18,1%), do Centro-Oeste (16%), do Sul (14,9%) e do Nordeste (14%).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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