É dia de feira

Em: 10 de novembro de 2016
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Quando se tem criatividade e motivação, não existe crise financeira. Não por acaso, semanalmente, estão acontecendo feiras nas praças da cidade onde as pessoas apresentam os mais diversos e inusitados produtos, de industrializados a manufaturados. São profissionais de outras áreas que transformaram seus hobbys em formas de ganhar dinheiro, e um bom dinheiro.

Fabiane Azevedo é administradora, mas há cerca de um ano, ficar presa dentro de uma sala, numa empresa, se tornou um empecilho para ela quando um familiar adoeceu e a jovem passou a precisar de mobilidade. “Tive que procurar um trabalho no qual não ficasse presa a horários, e ganhasse um dinheiro que ao menos se igualasse ao meu salário”, contou.
Fabiane pôs a cabeça para funcionar e resolveu que iria fazer peças de madeira. “Mas eu não sabia fazer nada. Não sabia nem segurar as ferramentas, então uma amiga me indicou um marceneiro e ele me ensinou o bê-a-bá. Aprendi o básico”, recordou.

Com o pouco que sabia, Fabiane começou a fazer suas primeiras peças: móveis, molduras para quadros, caixinhas, entre outras peças, todas surgidas a partir de pinhos de paletes e chapas de MDF que ela recolheu nas empresas do Polo Industrial de Manaus, tudo material descartado, mas que, pelas mãos da, agora, artesã, passou a ser transformado em belos utensílios. “Chamo meu trabalho de marcenaria sustentável”, acrescentou.

Para ampliar seus conhecimentos, Fabiane procurou um outro marceneiro, que hoje trabalha com ela. E alugou um espaço para a sua marcenaria, “além do escritório, na avenida Japurá, onde as peças prontas ficam em exposição”, o que não demora tanto porque já temos uma clientela fixa e certa, que adquire as peças. “Logo abrirei uma loja”, completou.

As feiras, hoje uma febre em Manaus, são o local de maior visibilidade para o trabalho de Fabiane. “O público dessas feiras já sabe o que vai encontrar, por isso elas fazem sucesso”, ensinou.

Contatos com Fabiane:
98133-5664

A própria feira de sebos

Einar Damasceno Barroso sempre se interessou por livros, desde a infância, por isso começou a visitar os sebos que existem até hoje na Feira da Eduardo Ribeiro, aos domingos. “Acabei ficando amigo da Neide, dona do sebo A República. Um dia, ela perguntou se eu queria trabalhar lá, pois o rapaz que a ajudava estava saindo. Concordei na hora. Este mês de novembro está completando dez anos que comecei a trabalhar lá”, recordou o rapaz, formando de Filosofia na Ufam.

Do sebo A República, na feira, Einar foi trabalhar na loja, na rua Saldanha Marinho. “De segunda a sábado ficava na loja e aos domingos, na feira. No ano seguinte já estava no sebo O Alienista, onde fiquei por sete anos até aparecer a oportunidade de eu ter meu próprio sebo”, contou.

Em janeiro de 2014, junto com sua fiel escudeira Wirginia Goiabeira, Einar abriu o sebo Edipoeira, na praça Heliodoro Balbi (da Polícia) e desde o ano passado entrou na onda das feiras que acontecem na cidade. “Você precisa ir aonde o provável cliente está. Não dá para ficar só esperando por ele”, filosofou. É assim que, desde o ano passado, Einar e Winginia circulam pelas feiras fixas ou itinerantes da cidade: FUA (Feira Urbana de Alternativos), Arte em Movimento, Feira do Vinil, Feira do Caldeira, Feira do Paço, Feira do Clube dos Quadrinheiros de Manaus, entre outras, levando seus livros, vinis, HQs, mangás, CDs e DVDs.

“Mas é preciso conhecer o tipo de feira, porque cada uma delas tem um cliente específico. Se eu for com meus produtos de sebo numa feira de artesanato, por exemplo, corro o risco de não vender nada”, lembrou. Einar e Wirginia não querem outra vida. “É o que gostamos de fazer na vida. Em breve iremos organizar nossas próprias feiras, com os demais sebos de Manaus”, adiantou.

Contatos com Einar: 9 8146-0666

Rumo aos mega shows

O universo de Danyelle Soares é a música. Além de tocar violão e guitarra, a administradora percebeu que a música poderia lhe render bem mais que os belos sons. “Há muito tempo eu compro, vendo e troco instrumentos, mas há um ano e meio resolvi encarar isso como um negócio”, explicou.

Foi assim que surgiu a Sonora Outlet, uma empresa de aluguel de equipamentos musicais, “por enquanto para ambientes pequenos, com cerca de 200, 300 pessoas, mas a ideia é aumentar isso gradativamente até chegarmos a um mega show”, brincou.

Os principais clientes de Danyelle são as bandas, principalmente em começo de carreira, e os bares. “Um exemplo é o Bar Brahma com o qual temos um contrato fixo, mas vários outros bares alugam nossos equipamentos para shows eventuais”. Mas a atividade de aluguel de equipamentos foi apenas o começo da exploração do universo musical. Danyelle observou que a música tem as mais diversas portas direcionadas para várias formas de empreendimento. “Há um mês começamos a vender camisas da marca Chico Rei, exclusivas do segmento musical, com estampas de artistas dos mais variados estilos, e a aceitação tem sido muito boa”.

E o vinil, que teima em estar sempre na moda. “Começamos há menos de um mês, vendendo vinis usados. Ainda estamos garimpando os amantes dessas peças raras. Temos discos tão raros, como um dos Beatles, que nunca foram tocados. Estão intactos, dentro da capa lacrada, mas temos vários outros e pretendemos colocar no mercado esses que estão sendo gravados agora”, adiantou. Além do site (www.sonoramusic.rocks) e do blog, onde divulga seus produtos, Danyelle ocupa um espaço na Loja Colaborativa Jogo de Nós, no Vieiralves.

Contatos com ela: 9 8173-4262.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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