A economia mundial está vivendo uma crise semelhante à ocorrida em 2008, fazendo com que o mundo, novamente, passe por uma situação temerária. Fontes consultadas pelo Jornal do Commercio avaliam que o Brasil encontre-se hoje em uma situação relativamente confortável quando comparado aos países desenvolvidos.
O presidente do Corecon/AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Erivaldo Lopes, lembra que os EUA quase deram o calote em seus credores, e consequentemente, tiveram seus títulos da dívida pública rebaixados por uma agência avaliadora de riscos, ocasionando a queda das bolsas de valores pelo mundo afora. “Se a maior potência do mundo está em crise, por que nós não entraremos? O Brasil não está isolado do mundo”, frisou.
Apesar disso, o dirigente não vê semelhanças entre a atual crise –mais globalizada e com origem na Europa– e a de 2008, fruto do estouro da bolha imobiliária nos EUA. Ele considera que o Brasil está preparado, com medidas para estimular a indústria.
“O país será atingido, mas sofrerá um pequeno impacto, e o PIM [Polo Industrial de Manaus] só será atingido posteriormente. Não há muito com que se preocupar, pois a retração aqui virá em uma pequena proporção”, tranquilizou.
Em contrapartida, Edson Fernandes Jr, conselheiro titular do Corecon/AM observa que a crise é uma recaída do desarranjo econômico de 2008 e recomenda prudência. “Claro que seremos atingidos de alguma forma. Portanto, devemos nos manter em alerta, mas não preocupados. No início da crise de 2008, o Brasil só aumentava suas taxas de juros e isso cooperou para as pancadas que recebemos no passado. Mas, agora acho que o Banco Central aprendeu e já vem fazendo suas devidas alterações”, ponderou.
Bens duráveis
O vice presidente da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), Antonio Azevedo, avalia que a Zona Franca só será atingida em um segundo momento. “A princípio, quem sofrerá uma pequena retração será o país. Consequentemente, sofreremos algum abalo, pois vendemos bens duráveis em filiais espalhadas por todo o país e são esses bens os primeiros a serem cortados nas listas dos consumidores na hora de economizar”, alertou.
Quem não se mostra tão otimista é Teruaki Yamagishi, Consultor de empregos do PIM, ele lamenta que, apesar de o Distrito Industrial trabalhar noite e dia sem parar, tenha vendas menores e preços maiores. “Os importados estão mais baratos e o brasileiro, embora venha aumentando o poder aquisitivo, quer economizar. Com a queda do dólar, os importados sairão ainda mais em conta”, lamentou. Para o dirigente, o governo federal deveria oferecer uma política industrial melhor para resolver o problema.
Reservas de US$ 350 bi não bastam
O economista e consultor empresarial José Laredo estabelece diferenças de origem entre os dois desarranjos financeiros –desregulamentação e alavancagem excessiva no mercado de imóveis em 2008 e crise das dívidas soberanas dos países ricos nos dias atuais.
Ressalta também que uma das principais diferenças entre as duas crises é que, se em 2008 o próprio governo norte-americano socorreu bancos e seguradoras, hoje o que está em xeque é a própria capacidade do país de pagar suas dívidas.
Embora também aponte qualidades nos fundamentos macroeconômicos do país, Laredo frisa que o Brasil não está imune. “Somente as reservas internacionais brasileiras em si, de US$ 350 bilhões, não garantem tudo. É preciso agir em cima da inflação com o principal instrumento para esse fim que é a elevação da taxa de juros e insistir na política de reduzir gastos públicos”, finalizou.







