Editorial – Brasil quer vender energia que não tem para ajudar Chávez

Em: 18 de fevereiro de 2010
O que melhor pode exemplificar a incompetência administrativa do que o governo da Venezuela? O país é grande produtor de petróleo, mas vive uma crise energética que o fez trocar o posto de exportador de energia para importador.
O que melhor pode exemplificar a incompetência administrativa do que o governo da Venezuela? O país é grande produtor de petróleo, mas vive uma crise energética que o fez trocar o posto de exportador de energia para importador.

O que melhor pode exemplificar a incompetência administrativa do que o governo da Venezuela? O país é grande produtor de petróleo, mas vive uma crise energética que o fez trocar o posto de exportador de energia para importador. Como sempre, o Brasil terá de socorrer o país amigo, fornecendo eletricidade que não tem para garantir a permanência no poder do presidente Hugo Chávez.

Até agora, Boa Vista, capital de Roraima, tem sido a principal cidade brasileira prejudicada com a escassez de energia da Venezuela. Até o início da crise energética venezuelana, o Brasil comprava 80 megawatts da hidrelétrica de Guri, a principal daquele país. Essa energia era usada no abastecimento de Boa Vista e algumas outras cidade roraimenses. Como Chávez cortou 70% desse fornecimento, hoje, a capital de Roraima precisa gerar energia através de termelétricas instaladas na cidade, o que vem causando sérios problemas à população.

A crise energética na Venezuela é fruto de má gestão em produção, distribuição e fornecimento do governo socialista de Chávez. Obcecado pela revolução bolivariana, com a qual pretende varrer da América Latina o modelo econômico capitalista, o presidente venezuelano acabou por lançar seu país em crises sucessivas que só levou ao empobrecimento de seu povo.

Com muita retórica e pouca eficácia, a Venezuela é um país esquecido pela comunidade mundial, cujo presidente se acompanha de líderes de comportamentos suspeitos, mas mesmo assim recebe apoio quase integral do governo brasileiro. O presidente Lula nunca se furtou em ajudar a Venezuela em suas crises. Quando Chávez enfrentou uma greve geral dos petroleiros, o Brasil forneceu gasolina para o amigo presidente. Lá, esse combustível é vendido a R$ 0,05 o litro, enquanto os brasileiros pagam preços estratosféricos pelo produto da estatal Petrobras.

O governo brasileiro já se prontificou a vender energia aos venezuelanos, mas enfrenta problema de logística. Com o sistema energético do Norte do Brasil é desconectado ao do restante do país, é possível que Lula queira fazer acrobacia para levar eletricidade a Chávez via Colômbia. Será complicado, mas para ajudar um grande amigo qualquer esforço é justificável, pelo menos por Lula.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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