Eduardo Campos deixa país em luto

Em: 14 de agosto de 2014
Morte de presidenciável interrompe trajetória política de herdeiro de Miguel Arraes
Morte de presidenciável interrompe trajetória política de herdeiro de Miguel Arraes

O candidato do PSB à Presidência, Eduardo Henrique Accioly Campos, morreu na manhã desta quarta-feira (13) na queda de uma aeronave em Santos, no litoral sul de São Paulo. Campos havia completado 49 anos no último dia 10 de agosto. Morreu no mesmo dia em que o avô Miguel Arraes.
A aeronave partiu do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao aeroporto do Guarujá (SP). O acidente aconteceu na rua Vahia de Abreu, no bairro do Boqueirão, região central de Santos. De acordo com o Corpo de Bombeiros, sete pessoas morreram.
A ex-senadora Marina Silva, candidata a vice-presidente na chapa de Campos, estava ontem no Rio e embarcaria esta quarta no avião que caiu ao tentar pousar no Guarujá (SP). Na última hora, Marina mudou a rota e decidiu embarcar em um avião de carreira com assessores.
Políticos e parlamentares aguardavam por Campos no Guarujá, mas ele não apareceu e nenhum de seus telefones respondia aos chamados. Pela rota do avião, do Rio até o Guarujá, tudo indicava que ele estava entre as vítimas do acidente.
Campos era casado com a economista e auditora licenciada do Tribunal de Contas de Pernambuco Renata Campos, com quem teve cinco filhos -Maria Eduarda, João Henrique, Pedro Henrique, José Henrique e Miguel, que nasceu no início de 2014. O romance entre Campos e Renata começou ainda na adolescência, quando ele tinha 15 anos e ela, 13, no Recife (PE).

Trajetória
Natural do Recife, Campos era filho de Ana Arraes, ministra do TCU (Tribunal de Contas da União), e do escritor Maximiano Campos (1941-1998). Campos também era neto do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes (1916-2005).
Economista formado pela Universidade Federal de Pernambuco, Campos começou sua militância política como presidente do Diretório Acadêmico da faculdade de economia em 1985. Em 1990, Campos filiou-se ao PSB e conseguiu seu primeiro mandato como deputado estadual.
Quatro anos depois elegeu-se deputado federal, mas permaneceu no governo de Pernambuco durante a gestão do avô (1995-1998), como secretário de governo e, em seguida, da Fazenda.
Eleito deputado federal em 1998 e 2002, Campos assumiu a presidência nacional do PSB em 2005. No ano seguinte, elegeu-se governador de Pernambuco. Ex-ministro de Ciência e Tecnologia do governo Lula, Campos rompeu a aliança com o PT da presidente Dilma Rousseff no final de 2013. Após o rompimento, Campos selou aliança com a ex-senadora Marina Silva, vice em sua chapa na corrida ao Palácio do Planalto.

Luto
Vice-presidente do PSB, Roberto Amaral afirmou que o ex-governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB), morto em acidente aéreo nesta quarta-feira (13), “vivia o auge de sua brilhante carreira política” e “oferecia sua experiência e juventude ao serviço do país”.
Em nota divulgada, Amaral disse que o país perdeu “um jovem e promissor estadista”, quando mais “precisava de seu patriotismo, seu desprendimento, seu destemor e sua competência”.
No texto, Amaral fez uma defesa da postura de Campos durante a campanha à Presidência, nos últimos meses.
“Apresentou-se ao debate de nossas questões fundamentais, coerente com os princípios que sempre nortearam sua vida, e o primeiro deles era a busca por justiça social, razão de existência do Partido Socialista Brasileiro”.
E completou: “não é só Pernambuco e sua gente que perdem seu líder; não é só o PSB que perde seu líder. É o Brasil que perde um jovem e promissor estadista. Estamos todos de luto”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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