Antes que seja tarde demais, o homem começa a perceber que em decorrência do surgimento de tão graves e inúmeros problemas ambientais, sua própria sobrevivência e do planeta estão ameaçadas. Somente a reflexão sobre os erros que ele tem cometido em seu habitat não é suficiente. Somente perceber que os recursos naturais não são inesgotáveis, não é capaz de livrá-lo de sofrer conseqüências devastadoras. É preciso, portanto, tomar providências imediatas para que se possa evitar o pior.
Qual, então, a melhor forma de encarar o papel do ser humano no planeta? Desperdiçar e fazer mal uso dos recursos naturais está muito longe de ser um desses caminhos. A agressão desenfreada à natureza nos tem causado inúmeros problemas sociais, além do empobrecimento ambiental. Os impactos ambientais negativos como a destruição da flora, o extermínio da fauna e do próprio homem, têm provocado o desequilíbrio ambiental gerando problemas que já começaram a afetar a sobrevivência da humanidade –chuva ácida, efeito estufa, inundações, secas, desertificação, erosão do solo, escassez da água, destruição de assentamentos humanos e de cultura nativas.
Nesse pacote de agressões, a água, o bem mais valioso que a natureza nos proporciona, tem sofrido uma contínua e implacável ação humana inversamente proporcional à importância que essa inexorável fonte de vida representa para o meio em que vivemos.
Nossa região amazônica, envolvendo uma área territorial de aproximadamente 5 milhões de quilômetros quadrados, já apresenta um quadro preocupante quanto à grande incidência de uso inadequado do solo. Isso leva diretamente ao assoreamento dos leitos dos rios e igarapés. O drama da contaminação das águas por mercúrio, que advém da prática sem controle dos garimpos de ouro, coloca em risco a saúde e a própria vida, tanto dos ribeirinhos, quanto das pessoas que venham a consumir água e peixes contaminados pelo metal pesado. Neste caso, todo o ecossistema está sendo agredido e todos perdem com isso.
É momento para a reação, de, sobretudo, possibilitar e ampliar a compreensão. Hora de difundir e divulgar informações, bem como acessar técnicas e instrumentos para uma gestão ambiental criteriosa, eficiente e produtiva, capaz de mudar mentalidades e transformar comportamentos.
Mudar comportamentos é perceber, a cada dia, as transformações do próprio homem em relação a si mesmo e ao meio em que vive. Na escola é imprescindível que no bojo da formação educacional a ação tenha como meta prioritária a Educação Ambiental como eixo ético-ecológico, empregado na formação de alunos críticos, solidários e, sobretudo, envolvidos com a cidadania de forma ampla; o saber cumprir os deveres e exigir direitos que lhes cabe como cidadãos, formadores da sociedade.
Não podemos ser considerados vítimas, nem tão pouco os senhores da natureza. Devemos ser protetores, aqueles que sabem usá-la, sem, contudo destruí-la. A natureza não deve ficar intocada. É preciso que haja compreensão para que as ações possam ser implementadas sem que ocorram visíveis depredações.
A meta da Educação Ambiental, escrita por 20 especialistas do mundo todo em Belgrado, em 1975, prioriza o “desenvolvimento do cidadão consciente do ambiente total, preocupado com os problemas associados a esse ambiente e que tenha o conhecimento, as atitudes, motivações, envolvimento e habilidades para trabalhar individual e coletivamente em busca de soluções para resolver os problemas atuais e prevenir o futuro”.
É necessário, pelas circunstâncias que vivemos, um repensar sobre o desperdício e a depredação dos recursos naturais, uma vez que já tomamos consciência de que esses recursos não são infinitos, eles acabam. Se isso vier a acontecer todo o Planeta se ressentirá e, com certeza, irá sofrer as drásticas conseqüências da ação impensada dos homens.
Educação ambiental, programa para todos
Em: 6 de agosto de 2009
Antes que seja tarde demais, o homem começa a perceber que em decorrência do surgimento de tão graves e inúmeros problemas ambientais, sua própria sobrevivência e do planeta estão ameaçadas
Augusto Bernardo
é auditor fiscal de tributos estaduais da Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas e educador. Foi um dos fundadores do Programa Nacional de Educação Tributária (atualmente nomeado de Educação Fiscal).
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