A catástrofe japonesa não deverá impactar fortemente as empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) que importam e exportam para aquele país, de acordo com avaliação da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). “De imediato o impacto deve ser mínimo, porém vamos avaliar a situação caso a caso”, comentou a superintendente da autarquia, Flávia Grosso.
O Japão é o terceiro maior exportador de insumos para o PIM, depois da China e da Coreia do Sul. No primeiro bimestre de 2011 foram importados US$ 233.5 milhões, em partes e peças para aparelhos receptores de sinais de televisão, partes e acessórios para motocicletas e para motores de explosão, tubos de borrachas vulcanizadas, circuitos integrados e máquinas e aparelhos mecânicos. Já as exportações totalizaram US$ 880.8 milhões nesse período, em itens como obras de tântalos, peixes ornamentais vivos, relógios de pulso, bebidas não alcoólicas, outras partes de motocicletas, motocicletas e cadeados, entre outros.
O PIM reúne cerca de 32 empresas de origem japonesa, entre os segmentos de eletroeletrônicos e de duas rodas. A superintendente também considera que os estoques de algumas empresas japonesas instaladas no polo e que dependem de insumos do país de origem, devem durar de 30 a 60 dias. De acordo com a Suframa, provavelmente as principais empresas japonesas instaladas aqui não deverão sentir impacto na importação, pois têm um alto grau de nacionalização e de regionalização das etapas de produção.
Flávia Grosso lamentou a tragédia naquele país, que continua contabilizando suas vítimas. “Nos solidarizamos com a comunidade nipônica, que soma 1.000 famílias no Amazonas, entre japoneses e descendentes”, disse. Embora considere prematuro avaliar a situação de forma mais abrangente, uma vez que haverá impacto na economia japonesa, Flávia Grosso afirma que a Suframa deverá obter informações mais detalhadas das empresas do PIM que têm relação comercial com o Japão para verificar os reflexos na produção local.
América Latina
Na mesma linha de avaliação, o economista da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Couto considerou que as exportações não devem abalar a produção local, mas podem desconfigurar o que estivesse programado.
“As exportações do Distrito Industrial são bastante reduzidas em relação ao total da produção e têm como destino principal a Argentina e outros países da América Latina. Pouca influência tem sobre o PIM a exportação para o Japão, apesar de que, invariavelmente, o que já estava programado é que sofrerá um impacto em relação à situação e deverá ser suspenso”, avaliou Couto.
O economista lembra que o país do bloco asiático não é um dos principais parceiros, em razão disto o impacto é menor. “As trocas comerciais do Amazonas, no que tange às exportações, possuem como principais destinatários os países da América Latina, em grande parte aqueles que pertencem ao Mercosul [Mercado Comum do Cone Sul]. A Argentina se apresenta como principal destino dos produtos fabricados no Polo de Industrial de Manaus”, explicou. Segundo o economista, as empresas exportadoras deverão ter outras formas de escoar produção. “Deverão ser estudadas saídas para o escoamento da produção destinada àquele país oriental”, disse.
No mês de janeiro deste ano o Japão foi o 21° país de destino das exportações e o 3º país fornecedor do Amazonas no mesmo período.







