A elevação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre produtos importados é a principal expectativa da indústria no Amazonas em relação às medidas de incentivo ao setor com anúncio confirmado pelo governo federal para a próxima semana.
“É preciso rever todo o pacote de carga tributária, mas elevar o IPI o quanto antes é urgente”, resumiu o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
Segundo ele, somente essa medida é capaz de encarecer o produto importado vindo da China e permitir ao polo industrial um alívio tanto na produção quanto na geração de empregos, principal preocupação das entidades da indústria.
“Enquanto isso, o governo teria tempo para rever a carga tributária onerosa e os encargos trabalhistas como forma de preservar a atividade produtora, os investimentos e os empregos provenientes deles”, complementou o dirigente.
Périco lembra que diversos produtos e insumos, principalmente do setor eletroeletrônico, que já foram carros-chefes do PIM, hoje têm pouca ou nenhuma representatividade “Mas continuam sendo vendidos no Brasil porque vêm de fora. Se nada for feito agora, vários outros poderão ir na mesma direção”, alertou.
Carga tributária
A discussão sobre as medidas ganhou força na semana passada quando cerca de 30 representantes da indústria se reuniram com a presidente Dilma Rousseff e listaram suas prioridades.
“O que mais se pontuou na ocasião foi justamente a pesada carga tributária sobre o setor e a necessidade de ações como a desoneração da folha de pagamento, além de medidas que se debrucem sobre os segmentos mais prejudicados”, contou o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antônio Silva.
A maior preocupação do dirigente, no entanto, diz respeito à regionalidade do modelo ZFM. “Como as proposições serão nacionais e deverão atender à indústria da forma mais completa possível, tememos apenas que o resultado publicado afete à nossa regionalidade, uma vez que somos um modelo de exceção. Mas, precisamos aguardar para só então tomarmos alguma posição, já que nada foi divulgado até o momento”, ponderou.
A ansiedade em torno das mudanças é proveniente, principalmente, dos segmentos mais fragilizados, conforme destaca o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende.
“Alguns setores são tão pequenos que qualquer entrada mais forte de produtos vindos de fora pode levá-lo à extinção”.
Além do IPI, o economista ressalta a importância de se elevar também o II (Imposto de Importação). “Dessa forma conseguiríamos resguardar a indústria pelos dois lados”, aponta.
A lista
Outra ação esperada é a composição da lista dos cem produtos mais ameaçados pela importação chinesa que deverá ser entregue ao governo federal nas próximas semanas pela classe empresarial.
O presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Bens de Informática e Componentes da Amazônia), Cristóvão Marques, disse ansiar pela entrada de componentes na lista já que o setor é um dos mais prejudicados pelo competição com a Ásia.
Já na opinião de Wilson Périco, compor a lista será um grande desafio, uma vez que o governo precisa encaixar produtos que beneficiem de forma equilibrada a indústria de todo o país.
“Teremos que brigar para encaixar os nossos produtos e depois lutar para que o número inicial de cem itens seja ampliado para todos os produtos no que se refere à elevação dos impostos incidentes sobre a importação”.







