O superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, não vê como um problema o fato do Amazonas atrair mão de obra qualificada de outros Estados da federação e até do exterior. O dirigente avalia essa prática como um sinal de pujança da economia amazonense, da sua complexidade e do grau de desenvolvimento. Nogueira garante que o amazonense que se qualifica e se prepara tem espaço no mercado de trabalho local, inclusive em cargos de direção nas empresas do Distrito Industrial.
Tomaz Nogueira atesta haver amazonenses qualificados atuando em diversos postos de trabalho de direção em empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM). Pessoas, segundo ele, capacitadas para dirigir empresas de qualquer tamanho e em áreas diversificadas. “Temos uma série de empresas de natureza comercial que têm uma gestão extremamente complexa, portanto creio que temos uma evolução muito grande neste sentido”, assegurou.
No entanto, Thomaz Nogueira reconhece que há uma carência de mais profissionais qualificados por entender que o mercado está demandando mais e mais desses profissionais. “Tem que ser feito mais investimento na capacitação de mão de obra local, que já é de excelente qualificada, mas que precisa ser ampliada a sua quantidade”, assinalou o dirigente, destacando que uma característica de todas as regiões desenvolvidas é a interação muito grande de mão de obra.
De acordo com o superintendente da Suframa, quando a União Europeia foi criada um dos pontos trabalhados foi a livre movimentação de recursos humanos, uma característica das econômicas mais avançadas que vai buscar talentos em qualquer parte do mundo. “Em Manaus temos mão de obra de todos os outros Estados da federação. Eu costumo dizer que temos amazonenses de todos os Estados brasileiros por conta da dinâmica da economia do Estado”, destacou.
O superintendente da autarquia disse ainda que é preciso deixar claro o seguinte: Sendo a economia amazonense dinâmica ela atrai mão de obra e mão de obra qualificada. “Portanto, seria extremamente complicado para nós se a mão de obra que atraímos fosse aquela que tem menos qualificação”, observou.
Indicadores industriais divulgados na última semana pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) apontam que o PIM fechou janeiro com 119.170 postos de trabalho. O número superou em 8.133 o total de empregados em relação ao mês de janeiro de 2011, quando 111.037 pessoas – entre mão de obra efetiva, temporária e terceirizada – estavam empregadas. Thomaz Nogueira avalia que grande parte desses trabalhadores são qualificados e preparados para atuar em cargos de todos os escalões.
Esforço conjunto
A diretora-presidente da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), Iza Assef, também afirmou que o Amazonas já tem um grande número de pessoas qualificadas, mas que ainda é pouco para o tamanho da atividade industrial e comercial que existe nesta cidade. A executiva defende um esforço conjunto entre as instituições de ensino com a finalidade de fortalecer a mão de obra já existente. “Não falta emprego, faltam pessoas qualificadas para ocupar as vagas existentes na era da tecnologia moderna e da Infovia”, destacou.
Segundo Iza Assef, a mão de obra mais difícil de conseguir hoje são engenheiros, cuja baixa oferta de profissionais não é uma exceção do Amazonas, mas em todo o país. “A engenharia é uma área que está bastante ativa na construção civil, que tem escassez dessa mão de obra qualificada”, comentou, destacando ainda que físicos e doutores em informática também estão escassos e é preciso investir nessas áreas.
Ao ser questionada a respeito da contribuição da Fucapi na qualificação profissional de mão de obra local, Iza Assef disse que a fundação trabalha tanto com a educação formal, como na área de curta duração. Neste sentido, a fundação treina pessoas para melhorar a atividade e a eficiência do desenvolvimento das tarefas. Por meio do programa Pró-Indústria, executado pelo Centro de Pós-Graduação e Extensão (CPGE) da instituição, são oferecidos cursos organizados em 18 pacotes por área de interesse da indústria. “O programa visa qualificar a mão de obra na capital e suprir, principalmente, o PIM”, disse.
A Fucapi tem do ensino médio à pós-graduação, sempre focado na área de tecnologia. São oito cursos de nível superior, que somados aos profissionalizantes e pós-graduação chega a quase 8 mil alunos. “Não basta formar apenas doutores, é preciso ter pessoas de nível médio profissionalizante, capazes de fazer as tarefas no nível intermediário”, disse a diretora, informando que nessa área são em torno de 2.800 alunos.
Contribuição da UEA
O reitor da Universidade do Estado do Amazonas, José Aldemir de Oliveira, defende que a UEA tem dado sua contribuição na formação de mão de obra para várias áreas de atividade formal. A universidade mantém várias parcerias com empresas locais e outras que possibilitam estágios aos universitários. “Recentemente, surgiram projetos de empresas do PIM que permitem aos alunos, mesmo que não sejam estagiários, que conheçam a dinâmica das mesmas, possibilitando visitas in loco para terem contato com o desenvolvimento organizacional de uma companhia, desde o setor fabril até o alto escalão”, informou.
José Aldemir disse acreditar estar no caminho certo, por entender que a educação é um processo dinâmico e que não se forma da noite para o dia pessoas com capacidade inovadora e tecnológica. “Temos que investir na formação de graduados, especialmente na área tecnológica, mas é preciso formar também mestres e doutores, ou seja, pessoas com capacidade de criação de modelos, de produtos etc.”, defendeu.
A UEA possui 69 cursos que totalizam 22 mil alunos, o que significa dizer que forma profissionais para todas as áreas – indústria, comércio, serviços e construção.O reitor aponta que há uma especificidade na área de tecnologia e vários cursos de engenharia. “Estamos em tratativa de discussão de duas áreas importantes: a naval e a petroquímica, cujo mercado está requerendo”, informou Oliveira.







