Em busca de Agustin Barrios

Em: 20 de janeiro de 2015
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Luthier com renome internacional inclui Manaus na rota de suas pesquisas

Fãs são um caso sério. São capazes de loucuras para chegar perto de seus ídolos, ainda que estes tenham morrido há mais de 70 anos.
Agustin Pio Barrios foi um compositor e violonista paraguaio nascido em 1885, em San Juan Bautista de las Missiones, e morto em 1944, aos 59 anos, em El Salvador. Deixou mais de 300 peças e foi o primeiro, em 1930, a gravar em disco, música clássica para violão. Com certeza, Barrios não imaginou que teria um fã tão ardoroso que, mesmo tendo nascido mais de dez anos depois de sua morte e só tomado conhecimento de sua obra mais de 40 anos depois, ainda assim o seguiria pelo mundo, ou pelo menos indo aos lugares onde Barrios esteve. Esse fã incondicional é o americano Federico Sheppard, que está em Manaus, seguindo o rastro do músico.
Sheppard é médico, quiropraxista, nos Estados Unidos, e nas horas vagas, luthier, por sinal um luthier com renome internacional pela qualidade dos violões que produz. Uma peça sua pode custar mais de oito mil dólares. Apesar de fazer instrumentos admirados no mundo todo, Sheppard nunca conseguiu ser um exímio tocador deles, talvez por isso, passou a admirar os bons músicos, principalmente violonistas.
“Um dia, em 1990, estava estressado pelo excesso de trabalho. Resolvi passar numa loja de discos e comprei vários deles, aleatoriamente, apenas para ouvi-los. Qual não foi minha surpresa quando ouvi a música de Agustin Barrios. Foi paixão imediata. Achei fantástica a qualidade de suas composições e resolvi saber quem era aquele violonista”, contou.
Pesquisando a vida de Barrios, Sheppard foi descobrindo curiosidades e cada vez querendo saber mais sobre o músico paraguaio. “A curiosidade, que de cara, me chamou a atenção, foi sobre o primeiro contrato dele, para se apresentar durante dez dias num barco, no rio Paraguai. Não voltou para casa pelos próximos 20 anos e viajou o mundo, se apresentando em palcos por vários países da América e da Europa”, contou.

Violonistas do mundo
Um desses países foi o Brasil e uma das cidades onde Barrios se apresentou foi Manaus, tudo isso descoberto por Sheppard, que tem viajado o mundo, andando pelos mesmos caminhos e conhecendo os mesmos lugares onde Barrios teria estado, apenas para ter a sensação de estar onde seu ídolo um dia esteve.
Barrios ficou famoso pelas suas apresentações fenomenais ao vivo, composições românticas, muitas delas adaptações ou influenciadas por músicas populares das Américas do Sul e Central, com várias de natureza virtuosa.
“La Catedral”, de 1921, é considerada sua obra mais impressionante. Casado com uma brasileira, uma baiana, até hoje o artista é reverenciado no Paraguai e visto por muitos como um dos maiores músicos de todos os tempos. Em Manaus Barrios esteve entre setembro e dezembro de 1931, e se apresentou no Ideal Clube e na Cervejaria Miranda Corrêa. “Ele tinha por costume chegar às cidades e fazer uma apresentação para a imprensa e para os VIPs, depois ficava fazendo outras apresentações”, contou Sheppard.
Em sua busca por novas informações sobre o paraguaio, o americano já viajou por todo o Paraguai, rio Paraná, vários lugares no México, Bruxelas, Berlim, Argentina, Uruguai, Costa Rica, Madri, Lisboa e El Salvador, onde Barrios morreu, em 7 de agosto de 1944.
“Incrível, mas nesses anos todos de pesquisa, fui descobrindo um paralelismo entre ele e eu. Continuarei nesse trabalho até preencher todos os buraquinhos sobre a vida dele. E ainda têm muitos. Acho, sinceramente, que tenho uma parte da alma de Barrios”, disse.
E Sheppard tem projetos ambiciosos, que vão além de sua busca pela história de Agustin Barrios. “Pretendo trazer, para se apresentar no Teatro Amazonas, ao menos uma vez por ano, durante cinco anos, os melhores violonistas da Europa. Eu patrocinarei tudo. Só desejo o apoio das instituições de cultura aqui de Manaus”, cobrou.

“Pretendo trazer, para se apresentar no Teatro Amazonas, ao menos uma vez por ano, durante cinco anos, os melhores violonistas da Europa. Eu patrocinarei tudo. Só desejo o apoio das instituições de cultura aqui de Manaus”

Evaldo Ferreira
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Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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