Em um relacionamento sério com o celular

Em: 18 de maio de 2015
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Cada vez mais dependentes da tecnologia, psicólogos advertem sobre excessos

“A riqueza da informação gera a pobreza da atenção”. A afirmativa do economista Herbert Simon gera a reflexão sobre até que ponto tanta tecnologia aplicada ao celular pode atrapalhar a convivência com o mundo real. Entre os especialistas, a regra é a básica: cuidado com os excessos!
“Enquanto a facilidade de acesso a informação pode abrir possibilidade para se comunicar com o mundo inteiro, às vezes, pode atrapalhar um momento legal em que o mais importante é aproveitar a presença offline da família, namorada ou amigos”, exemplifica o psicólogo Daniel Mattos.
Todos os dias é a mesma coisa: a turma de Luiz Fernando Correa se reúne na hora do recreio para olharem suas mensagens e fotos no telefone. Jogos e aplicativos não faltam! “Não podemos checar o celular dentro da sala, então quando o sinal para o intervalo toca, é a primeira coisa que fazemos!”, comenta o pré-adolescente de 11 anos. Em casa, ele se reveza entre o vídeo game, o iPad e o iPhone. Todos conectados na rede wi-fi – que só ele tem a senha!
A universitária Bruna Lopes admite que não consegue ficar sem olhar o telefone por mais de uma hora. “É como se o mundo estivesse acontecendo e eu não pudesse acompanhar”, compara. Para não perturbar o sono, a estudante de Direito tomou uma medida drástica: “desligo o 3G e saio da wi-fi antes de dormir”. Mas ao acordar, antes mesmo de escovar os dentes e ver se faz sol do lado de fora da janela, ela abre o Facebook e responde aos grupos do Whatsapp – que, muitas vezes, somam mais de 300 mensagens não lidas.
Apesar de adorarem tecnologia, Luiz Fernando e Bruna sabem que há momentos em que o celular deve não ser utilizado, como aulas e trabalho. Segundo eles, em caso de necessidade usam o celular na hora do almoço ou quando saem da escola e faculdade. “Ambos beiram o excesso, só que, ao modo particular deles, mantêm o controle sobre a hora de viver a realidade e deixar o mundo online de ‘stand-by”, comenta o especialista.

O casamento e o celular
Lorena Aparecida e Allan Bayma são casados há pouco mais de um ano e, apesar da cumplicidade e parceria em tudo o que fazem, cada um tem seu celular – regado de senhas ocultas e sem chance de um ‘fuxicar’ o aparelho do outro. Para o casal, essa é a maneira de manterem a privacidade e exercitarem a confiança.
“Eu não procuro e nem mexo. Quando ele está com o WhatsApp aberto, eu não me meto”, garante.
Segundo a terapeuta Angélica do Nascimento, o comportamento do casal pode evitar brigas aleatórias e discussões desnecessárias. “Na internet, uma conversa no Facebook ou uma ‘curtida’ no Instagram resulta em confusão e, se eles conseguem administrar essa distância tecnológica sem levar para a vida real essas pequenas coisas, eles alcançaram o equilíbrio”, elogia a terapeuta.

Emyle Araújo
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Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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