Embraer prevê 2.060 jatos aos EUA

Em: 13 de maio de 2015
https://www.jcam.com.br/PGA8_1305.bmp

Embraer projeta vender ao mercado norte-americano 2.060 jatos de 70 a 130 assentos

A Embraer divulgou nesta terça-feira (12) projeções para o mercado norte-americano nos próximos 20 anos nas quais prevê 2.060 novas entregas de jatos no segmento de 70 a 130 assentos. De acordo com a companhia, o volume representa quase 35% do total da demanda mundial por aeronaves neste segmento, com valor estimado em US$ 96 bilhões, a preços atuais.
Pelas previsões da empresa, aproximadamente 47% das novas entregas da região serão destinadas a apoiar o crescimento do mercado, enquanto os 53% restantes serão para substituir as aeronaves antigas que serão aposentadas até 2034.
Parte do crescimento é esperada a partir da reestruturação das operações de alimentação de tráfego em grandes aeroportos (denominadas hub and spoke), colocando jatos regionais de maior capacidade nos mercados tradicionalmente ocupados por jatos de 50 assentos.
“Apesar de taxas de crescimento mais elevadas em outras partes do mundo, nossas projeções mostram que o mercado dos Estados Unidos continua dominando o segmento em virtude do grande volume de jatos de 70 a 130 lugares existentes”, disse o presidente da Embraer Aviação Comercial, Paulo Cesar Silva, em nota.
A Embraer destacou que o E175, que atua no segmento de 70 a 120 assentos, se tornou um forte produto na sua categoria, com 80% das encomendas na América do Norte desde 2013. No total, a família dos chamados E-Jets já registrou mais de 1.560 encomendas e mais de 1.100 entregas até o momento, informou a companhia. Desde que entraram em serviço, em 2004, os E-Jets atingiram uma participação de mercado de cerca de 50% das encomendas e 60% das entregas do mercado global no segmento de 70 a 130 assentos. Na América do Norte, a Embraer afirma ter uma participação de mercado superior a 50% entre as aeronaves no segmento, com mais de 400 E-Jets entregues.

Transferência para os EUA

A Embraer anunciou nesta terça-feira que vai transferir parte da linha de montagem dos aviões executivos Phenom, nas versões 100 e 300, para os Estados Unidos. O modelo, atualmente produzido em São José dos Campos (SP) e Botucatu (SP), é um dos jatos mais vendidos da companhia.
De acordo com a empresa, o avião será produzido na planta em Melbourne, na Flórida. A medida ocorre a partir de uma decisão estratégica da Embraer e a previsão é que a transferência ocorra em 2016. Com a transferência, cerca de 600 funcionários que trabalham no setor devem ser remanejados para a montagem dos jatos comerciais Ejets E2. Em breve, a unidade de São José dará início à montagem de protótipos da nova geração do modelo.
A Embraer informou que apesar da transferência da produção do modelo Phenom para o exterior, o produto ainda continuará sendo feito no Brasil, exclusivamente pela planta de Botucatu (SP). Em 2015, a companhia prevê receitas de até US$ 6,6 bilhões, com investimentos em capacitação industrial, pesquisa e desenvolvimento de novos produtos.

Setor

Com o anúncio, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José teme que outras empresas da cadeia de aviação no Vale do Paraíba sofram impactos negativos. A entidade, porém, afirmou que ainda avalia as consequências da medida para os trabalhadores. Cerca de 30% dos profissionais ligados ao sindicato estão empregados no setor de aviação.
O sindicato informou que a alegação da fabricante é que a transferência faz parte de uma estratégia de mercado e do projeto de ampliação do espaço físico da matriz, em São José dos Campos (SP). Mas a entidade considera que a medida faz parte do processo de desnacionalização dos aviões da Embraer e trará consequências diretas aos trabalhadores, como fechamento de postos de trabalho e interferência no plano de carreira dos funcionários que hoje atuam na produção do modelo.
“O Sindicato vai dar início a uma campanha, junto com os trabalhadores, para manter a produção do Phenom no Brasil. Vamos fazer assembleias na fábrica e lutar em defesa do emprego”, afirmou o vice-presidente da entidade, Herbert Claros, em nota. “É um absurdo a Embraer continuar com essa política de desnacionalização, que tanto prejudica o país quanto os trabalhadores.”
De acordo com o sindicato, o setor que produz o modelo emprega cerca de 1,5 mil trabalhadores, direta e indiretamente.
O sindicato avalia que a desnacionalização dos aviões também trará impactos para as empresas da cadeia produtiva do setor aeronáutico e lembra que a C&D – que realizava em Jacareí (SP) a fabricação dos interiores das aeronaves Phenom 100, Phenom 300 e dos E-Jets 170 e 190 -, já transferiu sua produção para uma joint venture entre Embraer e a C&D Zodiac, no México.
No ano passado, a Embraer entregou 73 jatos leves Phenom 300. Segundo a empresa, foi o jato executivo com o maior número de entregas no mundo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar