Empreendedorismo e política

Em: 28 de agosto de 2009
Empreender é vislumbrar objetivos e ter recursos, inteligência e disposição para realizar estratégias capazes de efetivarem o que foi pensado, planejado e trabalhado
Empreender é vislumbrar objetivos e ter recursos, inteligência e disposição para realizar estratégias capazes de efetivarem o que foi pensado, planejado e trabalhado

Empreender é vislumbrar objetivos e ter recursos, inteligência e disposição para realizar estratégias capazes de efetivarem o que foi pensado, planejado e trabalhado. Empreender não se restringe a iniciar um negócio e administrá-lo com sucesso. Empreender é também ter atitude em tudo o que se faz, seja como empregado em uma organização, seja como administrador do próprio negócio.
O empreendedorismo é a arte de incentivar, desenvolver e sustentar o espírito empreendedor. E empreendedor é todo indivíduo que empreende, faz acontecer de forma racional. Dessa forma, podem-se identificar empreendedores potenciais e empreendedores efetivos; os primeiros pensam em fazer, mas não realizam por diversos motivos; enquanto os efetivos realizam e transformam a realidade do ambiente onde vivem.
Logo, empreendedorismo e empreendedor, empreender e desenvolver são substantivos e verbos responsáveis pelo aumento da riqueza das sociedades. Os governos têm um papel fundamental no desenvolvimento do empreendedorismo, embora nas sociedades capitalistas em desenvolvimento, cuja cultura é incentivar principalmente projetos e ideias que apresentem perspectivas de elevado grau de certeza para lucros, nem sempre os empreendedores possam contar com tais incentivos.
Atualmente, com a valorização das áreas do meio ambiente e da biodiversidade a nível mundial, não são raros os incentivos recebidos de órgãos internacionais pelos programas e projetos empreendidos nessas áreas. Empreendimentos sem tanta abrangência, aqueles voltados para o atendimento de necessidades sociais mais imediatas como alimentação e criação de vagas de trabalho, nem sempre são privilegiados pelos órgãos governamentais locais, regionais, nacionais e internacionais; talvez atitudes tão diferentes sejam regidas pelas cartilhas neoliberais que exaltam a competência individual para solucionar problemas micros e a competência corporativa para a implementação dos empreendimentos no âmbito das economias de escala. Assim, quem possui espírito empreendedor, e vive no interior dessas sociedades capitalistas em desenvolvimento, deve envidar maiores esforços para realizar seus projetos.
Portanto, uma vez consciente desse paradoxo entre empreender e não ser incentivado, aos empreendedores compete a busca e o conhecimento das instituições de tecnologias e pesquisas, de fomento à pesquisa e de apoio financeiro a empreendimentos, para revelar os seus projetos e a viabilidades dos mesmos. Somente dessa maneira, as sociedades não terão adiadas soluções urgentes aos seus problemas de subsistência, de ampliação das suas capacidades cognitivas e de sustentabilidade na ocupação de vagas de trabalho; o papel dos empreendedores nesse caso é sensibilizar atores sociais ainda não embevecidos pela má política, porque esses ainda são capazes de compreender que o meio ambiente e a biodiversidade somente terão utilidades se as sociedades atuais tiverem suas necessidades básicas satisfeitas.
Quando um empreendedor identifica oportunidades de investimentos na área de piscicultura, por exemplo, e efetiva seus planos através do desenvolvimento de estratégias e técnicas, que aperfeiçoam as formas como aumentar a produtividade na obtenção, acondicionamento e conservação de peixes, mesmo sem o apoio de órgãos governamentais, há necessidade de compreender melhor como tal negócio funciona. Tal compreensão deve ser revelada a partir da ação de institutos de pesquisas locais, instituições de amparo à pesquisa e agências de fomento, porque essas organizações têm estruturas e competências suficientes para ampliar os resultados até então obtidos pelo empreendedor; inicialmente através do desenvolvimento de pesquisas e utilização de tecnologias adequadas, para, em um segundo momento, orientar o empreendedor como utilizar as linhas de financiamento das agências de fomento e assim socializar a solução do problema de alimentação e exportação do pescado na região.
Quanto aos esforços envidados pelos empreendedores efetivos das sociedades capitalistas em desenvolvimento, esses são menos penosos quando os empreendedores pautam-se pela ética e responsabilidade social. Em relação às dificuldades criadas por aqueles que nasceram para contar histórias, a fim de bloquear ações empreendedoras, não há motivos para preocupações, porque cada um deve cumprir a sua missão nesse mundo.
Os empreendedores sabem quais são as suas missões no mundo onde vivem, mas não desconhecem o poder da política.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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