Emprego com CTPS assinada cresce186%

Em: 14 de maio de 2008
Setores industriais do pólo de duas rodas, eletroeletrônicos e da construção civil, além dos segmentos de limpeza e manutenção tiveram maior relevância no quadrimestre.
Setores industriais do pólo de duas rodas, eletroeletrônicos e da construção civil, além dos segmentos de limpeza e manutenção tiveram maior relevância no quadrimestre.

Apesar do mês de abril ter perdido o fôlego de crescimento do bimestre anterior, o Amazonas consolidou a elevação de 186% na geração de empregos formais no acumulado do ano. Setores industriais do pólo de duas rodas, eletroeletrônicos e da construção civil, além dos segmentos de limpeza e manutenção foram os que apresentaram maior relevância no volume de contratações.
A informação, divulgada nos indicadores de mão-de-obra divulgados pelo Sine/Setrab, na manhã de ontem, aponta que o Amazonas pode encerrar o primeiro semestre deste ano com recorde absoluto na geração de emprego, já que para ultrapassar o total acumulado de vagas preenchidas no ano passado (4.256), restam pouco mais de 1.000 vagas.
Os dados apontam ainda que o Estado sofreu leve redução na taxa de crescimento de empregos formais, que passou dos atuais 32,2% mensal para 31,7%. Entretanto, a falta de qualificação ainda é o grande gargalo para o Amazonas, fato confirmado pelo número de vagas deixadas em aberto na capital, que passou de 2,29 mil para 2,73 mil.
A titular da Setrab (Secretaria de Estado do Trabalho), Iranildes Caldas, afirmou que desde novembro do ano passado a capital vem registrando um crescimento em escala geométrica na oferta de empregos formais, levando o governo à estimativa de que este ano supere o ano passado em mais de 15 mil novos postos de trabalho preenchidos.
A secretária explicou que a parceria com indústrias do setor de eletroeletrônicos e do pólo de duas rodas, como LG e Moto Honda da Amazônia, além das grandes redes de varejo, como Carrefour e DB, foram essenciais para a promoção do operário amazonense nas frentes de trabalho. “Para ter um exemplo disso durante o primeiro quadrimestre, só o Carrefour respondeu pela inserção de 350 pessoas no mercado de trabalho. Quanto a LG, a empresa anunciou a colocação de 300 operários para este mês de maio”, observou.
O presidente do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas), Joaquim Auzier, explicou que o crescimento de 32% a mais que o ano passado da mão-de-obra na construção civil era algo já esperado por conta do aumento do capital investido pelas empresas locais para atender a demanda por imóveis. Apesar de ainda não possuir estimativas fechadas, o dirigente assegurou que esse percentual pode ampliar com o início das obras do Shopping Ponta Negra (zona oeste) e a vazão de recursos aplicados no Manauara Shopping (zona centro-sul), obras que poderão facilitar a inserção de mais 2.400 operários nas frentes de trabalho.
Apesar do expressivo incremento no número de trabalhadores, Auzier reclamou que o setor da construção civil arca com altos custos na folha de pagamento desde a contratação até a dispensa do operário. “Além dos 17% de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), a indústria da construção ainda é onerada em 126% na folha de recursos humanos, ou seja, temos de pagar mais de três vezes o salário de um operário desde o contrato à rescisão trabalhista. Uma carga tributária inadmissível para um dos setores que mais contratam pessoas”, acrescentou Auzier.
Para o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos e Eletrotécnicos do Amazonas, Pedro Emídio da Silva, a inserção de mão-de-obra nas empresas de Manaus ainda caminha a passos lentos se comparada a de outros centros industriais. Segundo o dirigente, a maioria dos candidatos não possui os critérios profissionais exigidos pelos setores industriais que carecem de mais de 5.000 profissionais. O dirigente criticou a política de capacitação da mão-de-obra local, a qual julgou insuficiente em número de cursos e investimentos. “Seria importantes que essa inserção de trabalhadores fosse acompanhada de maiores investimentos públicos e privados para assegurar a permanência do trabalhador por mais tempo. O problema é que as empresas estão exigindo cada vez mais dos candidatos, esquecendo que a maioria deles não tem a devida capacitação”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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