A iniquidade da sociedade brasileira se verifica em todos os aspectos. Na escola, na vida pública ou na concessão de medalhas e honrarias, o mérito é em geral desprezado. O antropólogo Roberto Da Matta diz que a prática da entrega de medalhas entre nós simboliza o que já definiu como a ética particularista da casa, representada pela idéia dos amigos e da proteção. Diz ele: “O Brasil dá muitas medalhas, ou seja, tem mais cacique do que índio, muito mais general do que soldado e muito mais medalhas do que heróis. Para o professor –doutorado em Harvard e autor de clássicos como “Carnavais, Malandros e Heróis”–, “Se a medalha é dada todo mês, o seu valor é menor”. O mérito deveria ser premiado e não os amigos”.
A comenda que recomenda é o reconhecimento de alguma qualidade, feito ou gesto fora do comum, realizado pelo homenageado. O simbolismo e o valor da entrega têm a ver com a quantidade de vezes que a medalha é concedida. Se a medalha é dada todo mês, o seu valor é obviamente menor do que uma medalha dada uma vez por ano.
Outro hábito inadequado de pessoas que ocupam cargos eletivos é o de homenagear parentes ou amigos usando seus nomes para denominar prédios públicos, ruas, avenidas, barros ou até conjuntos habitacionais. Muitas vezes os homenageados ainda estão vivos. É um costume condenável, típico de sociedades culturalmente atrasadas. Homenagens deveriam ser prestadas a personalidades que tiveram relevância na política ou na vida intelectual.
Há uma verdadeira inflação de condecorações. Se ostentassem todas as condecorações recebidas, 26 dos 44 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do STJ (Superior Tribunal de Justiça) vergariam com o peso das 410 medalhas que “enriquecem” seus currículos.
A coleção de placas, colares, diplomas e medalhas é o combustível que também atiça a fogueira de vaidades no Executivo e no Legislativo. É prática comum em vários Estados, porém muito mais disseminada em Minas Gerais. Lá, políticos e colunáveis estão sempre concedendo ou recebendo honrarias.
Excessos
Se o costume da troca de homenagens entre os poderes é hábito comum nos Estados, em Minas Gerais atinge o clímax: o governo Aécio Neves, por exemplo, distribuiu 1.792 medalhas e colares em 2006 e 2007, com gastos totais de quase R$ 1 milhão. O número supera as 1.580 condecorações dadas pelo governo de São Paulo desde a criação da Ordem do Ipiranga, em 1969, e da Medalha dos Bandeirantes, em 1980. A Justiça Federal de Minas Gerais, outro exemplo, já chegou a conceder medalha a um doleiro: Joseph Assaf El Bacha. Na Justiça Federal desse Estado, um ex-juiz federal criador de uma comenda ficou conhecido como “Zé das Medalhas”.
Exceções
Em geral os agraciados recebem a honraria de bom grado e com o ego massageado, mas existem exceções. Quando Lula concedeu a Ordem do Rio Branco a Severino Cavalcanti, o presidente da Câmara já era alvo de denúncias. Na ocasião, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, inconformado, declarou: “Ou Severino devolve a medalha, ou o Conselho da Ordem do Rio Branco a suspende, ou eu devolvo a minha”. O senador Jefferson Peres (PDT) também ameaçou entregar a sua.
Stress e coração
Novas pesquisas médicas confirmam que mantendo os níveis de stress sob controle se reduz significativamente o risco de um ataque cardíaco ou morte em pacientes com doenças coronarianas. Conquanto a correlação entre stress e várias doenças cardiovasculares tenham sido bem estabelecidas no passado, este é o primeiro estudo que examina o efeito do tratamento da ansiedade e da depressão sobre os fatores de risco de pacientes cardíacos. Esta descoberta reforça aos cardiologistas a necessidade de tratar o paciente como um todo, prestando atenção aos problemas psicológicos em doentes com cardiopatias. A incidência de problemas psicológicos é estimada que afete 30% dos pacientes. Esta é uma descoberta importante para os altos executivos das organizações, que suportam alta carga de stress.
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