O interior do Amazonas interrompeu uma série de nove meses seguidos de saldos positivos de empregos formais, para eliminar vagas, em novembro. Desta vez, as contratações (+1.228) ficaram aquém das demissões (-1.429), gerando um corte de 201 postos de trabalho com carteira assinada e baixa de 0,48% sobre o estoque anterior (42.023). O resultado veio em sentido contrário dos obtidos em outubro de 2022 (+361) e novembro de 2021 (+380). Com isso, os acumulados do ano (+3.860) e dos 12 meses (+3.542) também ficaram no azul. Os dados são do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência.
Um mês após sustentar a geração de empregos com carteira assinada, a agropecuária foi para o campo oposto e priorizou os desligamentos. A indústria emendou um segundo mês de saldos negativos, sendo acompanhada por uma recaída da construção e um mergulho atípico dos serviços. Em sintonia com a chegada da Copa e a aproximação das festas de fim de ano, o comércio foi a única atividade econômica a mostrar saldos positivos de postos de trabalho formais, em novembro de 2022. Entre a minoria de municípios que contrataram mais do que demitiram, apenas três ofereceram saldos acima da escala de um dígito.
A quantidade de localidades com mais contratações do que demissões caiu. De setembro para outubro, 22 dos 61 municípios estavam nessa situação, em performance abaixo da apresentada no levantamento anterior (+27). Ao menos 11 pontuaram estabilidade e nada menos do que 28 extinguiram empregos. Em quase todas as cidades, o volume de vagas geradas não passou da casa de um dígito. As exceções vieram de Manacapuru (+94 e +3,04%), São Gabriel da Cachoeira (+16 e +2,76%) e Nova Olinda do Norte (+11 e +3,32%). Na outra ponta, Presidente Figueiredo (-226 e -6,18%) liderou o corte de vagas – após ser responsável pela maior parte das contratações em outubro.
Em 11 meses, 49 prefeituras comemoraram geração de empregos, uma ficou na mesma e 11 amargaram destruição de vagas. Itacoatiara (+467 e +7,26%), Iranduba (+426 e +18,11%), Manicoré (+421 e +60,93%) e Parintins (+419 e +15,31%) encabeçaram a lista com folga, ao passo que Eirunepé (-25 e -10,33%) liderou sozinho a lista de cortes. Em 12 meses, a quantidade de municípios com empregabilidade no azul sobe para 50. Nenhum estancou e 11 fecharam no vermelho. Os melhores números vieram de Itacoatiara (+428 e +6,61%) e Parintins (+397 e +14,39%), e o pior de Eirunepé (-24 e -9,96%).
Estoques e atividades
Os números de novembro confirmaram ainda que a oferta de trabalho formal no interior segue estruturalmente concentrada. A soma dos estoques de empregos – que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos – dos seis municípios mais populosos do interior responde por mais da metade de todo o volume de vagas contabilizadas fora da capital (41.813). A lista inclui Itacoatiara (6.876), Presidente Figueiredo (3.417), Manacapuru (3.221), Parintins (3.178), Tabatinga (2.917), Iranduba (2.810).
Assim como no mês anterior, nem todos os setores econômicos conseguiram saldos positivos, na passagem de outubro novembro de 2022. Mas, enquanto o Estado conseguiu saldo positivo em três setores econômicos, o interior conseguiu fazer o mesmo em apenas um. Desta vez, as contratações se concentraram unicamente no comércio (+241), em detrimento da agropecuária (-224), construção (-59), indústria (-23) e serviços (-12). Manacapuru sustentou suas contratações em indústria de produtos alimentícios (+43) e varejo (+36), enquanto Presidente Figueiredo cortou vagas nas lavouras temporárias de cana-de-açúcar (-235).
De janeiro a novembro, todas as atividades econômicas criaram empregos no interior do Amazonas. Serviços (+1.821) e comércio (+1.438) puxaram as contratações com folga. A indústria (+983) veio em seguida, acompanhada por construção (+179) e agropecuária (+67). O destaque das contratações de Itacoatiara foi o varejo (+211), e o de Iranduba, a indústria de transformação (+352). Os cortes de Eirunepé, por outro lado, vieram da construção (-25).
“Reacomodação de mercado”
A ex-vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, observa que oscilação negativa na geração de empregos formais do interior veio após meses seguidos de saldos positivos sustentados por ações em busca de uma retomada, passados os meses mais duros da pandemia. Para a economista, os “resultados ínfimos” de novembro refletem uma “reacomodação do mercado de trabalho” às vésperas do fim de ano e já em meio aos preparativos para as compras de Natal e Ano Novo e a atípica Copa de 2022.
“Destaque para o comércio, aquecido pelas datas comemorativas e forte impulsionador de inúmeros outros serviços. Penso que o saldo de dezembro deve fica no azul e acima do mesmo período do ano anterior. A grande questão acerca da geração de emprego e renda no interior é a necessidade de ampliar quantitativamente a oferta de vagas, de forma a atender a uma demanda reprimida. Ressalto aqui a necessidade de qualificação e formação profissional da mão de obra para elevar o valor agregado dos salários e ampliar o volume de moeda circulando na economia local”, frisou.
“Readequação econômica”
Já o ex-presidente do Corecon-AM, consultor empresarial e professor universitário, Francisco de Assis Mourão Junior, avalia que a queda nas contratações no interior, na reta final do ano, reflete as inseguranças dos empresários, diante das expectativas de mudanças na política econômica federal. O economista acrescenta que a troca de sinal na agropecuária foi influenciada pela combinação do impacto dos juros altos nos financiamentos com a redução sazonal do ritmo no setor.
“A atividade econômica no interior é muito baixa e muitas prefeituras sobrevivem a partir de repasses federais e estaduais. Há, por outro lado, o retorno do Bolsa Família, que deve funcionar com metodologia diferente do antigo Auxílio Brasil. Na verdade, o que vemos é uma readequação econômica nesses municípios. São variáveis que devem continuar a influenciar o comportamento do mercado de trabalho dos municípios em 2023, assim como o aumento do ICMS. Há ainda a expectativa dos produtores rurais em relação às novas políticas ambientais”, finalizou.







