A criação de empregos formais no interior se espraiou em um número maior de municípios amazonenses, em novembro. Além de Manaus, 13 das 21 cidades do Amazonas listadas pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – em um universo de 61 – seguiram o Estado e avançaram no saldo de empregos com carteira assinada em todas as comparações. No mês anterior, o número de localidades nessa situação não passou de dez.
A lista inclui Autazes, Coari, Fonte Boa, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Manicoré, Maués, Nova Olinda do Norte, Parintins, São Paulo de Olivença, Tabatinga e Tefé. Na outra ponta, Boca do Acre, Lábrea caíram para o campo negativo. Eirunepé registrou seu primeiro crescimento mensal no ano e, diferente dos meses anteriores, nenhum município amazonense apresentou números negativos em todas as comparações.
Entre outubro e novembro, 13 municípios, além da capital, cresceram igual ou acima da média do Amazonas (+0,35%). O melhor índice veio de Coari (+3,68%) e o maior número absoluto de vagas ficou em Itacoatiara (+58) – superado de longe por Manaus (+1.384). Seis eliminaram empregos, sendo que os cortes mais severos em termos proporcionais e absolutos vieram de Benjamin Constant (-13 empregos e -5,31%). Fonte Boa pontuou estabilidade.
No acumulado do ano, 15 municípios superaram o incremento do Estado (+3,35%). O destaque positivo veio novamente de Manicoré (+14,45%), bem acima da média da capital (+3,26%). Em quantidade de postos de trabalho, o campeão ainda é Manacapuru (+195) – batido por Manaus (+13.450). O único dado negativo nesse tipo de comparação veio de Eirunepé (-2,64%, com corte de seis postos de trabalho).
Em 12 meses, 14 municípios ficaram à frente do Amazonas (+2,93%). O maior incremento relativo veio de Autazes (+13,50%) e o mais expressivo em termos absolutos segue em Manacapuru (+220). Em contraste, Eirunepé (-3,07% e eliminação de sete vagas) segue com os piores números nesse cenário, sendo acompanhado de longe por Benjamin Constant e Careiro.
Contas públicas
Dos três setores econômicos dominantes no interior, dois apresentaram resultados positivos em todas as variações. A agropecuária expandiu seu saldo nas variações mensal (+1,01%) e acumulada do ano (+3,59%) e dos 12 meses (+0,43%). A indústria extrativa avançou 0,30%, 13,37% e 12,02%, respectivamente.
Já a administração pública conseguiu crescer apenas na comparação com novembro (+0,03% e apenas quatro empregos) e seguiu devendo nos acumulados (-0,17% no ano e 0,09% em 12 meses). A ressaca se deve às contas públicas: 34 municípios aparecem em situação crítica, 21 em estado de dificuldade e só quatro com o balanço no azul, conforme o mais recente IFGF (Índice Firjan de Gestão Fiscal) 2019.
Vocações fortalecidas
O prefeito de Itacotiara, Antonio de Oliveira Peixoto, defende que o poder público municipal não pode fazer frente ao desemprego, colocando a folha de pagamento da prefeitura. O político atribui os números positivos de geração de postos de trabalho na cidade ao dinamismo de seus polos graneleiro e madeireiro, bem como ao setor portuário.
“São as nossas vocações. O setor primário também está tendo resultados positivos, com a pecuária de corte e um rebanho de 75 mil cabeças de gado. A agricultura também vai bem e o município já é o terceiro maior produtor de abacaxi. É importante destacar outras frentes para garantir a continuidade desse processo, como a ligação de Itacoatiara ao sistema elétrico nacional e o apoio municipal às unidades locais da Ufam e da UEA”, comemorou.
Crise e realidades
Procurada pelo Jornal do Commercio, a Prefeitura de Eirunepé ressaltou, por meio de nota de sua assessoria de imprensa, que os municípios brasileiros ainda enfrentam o rescaldo da crise, com destaque para os do Amazonas, dadas suas dificuldades econômicas, logísticas e financeiras. “A prefeitura vem empregando pessoas em diversas frentes de obras e fomentando o setor primário, com a produção de cana de açúcar, farinha e pescado, além de investir em ramais e na agricultura familiar”, destacou o texto da assessoria.
O presidente da AAM (Associação Amazonense de Municípios), Júnior Leite, reforçou ao Jornal do Commercio, em mais de uma oportunidade, que a entidade vem atuando em conjunto com as prefeituras do interior para conter o gargalo da geração de empregos, dada a escassez de atividades econômicas para criar vagas em nível superior ao crescimento vegetativo das localidades. “Cabe à AAM propor novas vias, mas cada gestor deve desenvolver e adotar os modelos e práticas que julgar mais corretos para a realidade de sua localidade”, concluiu.







