Empréstimos podem virar dor de cabeça para consumidores

Em: 2 de maio de 2011
Os amazonenses que entraram o ano no vermelho e já estão pensando em apelar aos empréstimos pessoais, consignados ou no cartão de crédito, na tentativa de aliviar a vida financeira ainda neste primeiro semestre de 2011, devem ter cuidado
Os amazonenses que entraram o ano no vermelho e já estão pensando em apelar aos empréstimos pessoais, consignados ou no cartão de crédito, na tentativa de aliviar a vida financeira ainda neste primeiro semestre de 2011, devem ter cuidado

Os amazonenses que entraram o ano no vermelho e já estão pensando em apelar aos empréstimos pessoais, consignados ou no cartão de crédito, na tentativa de aliviar a vida financeira ainda neste primeiro semestre de 2011, devem ter cuidado. Com a elevação da taxa básica de juros, a Selic, para 12% ao ano, como forma de equilibrar o consumo, as operações com cartão de crédito e financiamentos podem dar dores de cabeça ao longo do ano.
Com o aumento na taxa básica de juros em 0,25%, perfazendo ao ano 12% de acréscimo, uma das preocupações do mercado é com a chamada “bengala” dos consumidores, que tendem a recorrer às operações de financiamento e crediário para pagar os incêndios da economia cotidiana. Por exemplo, quando o dinheiro do mês não é suficiente para cobrir todas as despesas, as donas de casa e os trabalhadores das classes mais baixas tendem a recorrer a empréstimos consignados ou a compras em cartões de credito, parceladas em inúmeras vezes, para adquirir alimentos, confecções, sanar dívidas extras ou emergências. São justamente essas operações financeiras que estão mais à mão que podem, com o aumento dos juros, complicar ainda mais a vida dos consumidores. Muitos, nesta época do ano, ainda sofrem com os impactos das dívidas contraídas no final 2010. Assim, essa alternativa para aliviar as contas, momentaneamente, pode contribuir ainda mais para a bola de neve financeira até 2012.

Redução de prazos

Mas, o economista e conselheiro do Corecon/AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Edson Nogueira Fernandes, explica que não será um aumento de juros de 0,25% que vai fazer diferença nas operações de crédito e financiamentos.“Essas operações já tinham sofrido impacto com o aumento da IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Não vai afetar tanto porque os juros dessas operações já são altos. Nos financiamentos a redução de prazos em algumas financiadoras também já tinha sido estabelecida antes do aumento da Selic, que terá impacto mais na dívida pública e na retração da economia” salientou o economista.
A funcionária pública Maria Heloísa Pimenta, 43 anos, tem uma renda média de R$1.200, somando o salário mensal e atividades com serviço de confeiteira. Com essa renda, ela ajuda a sustentar a casa com o marido e dois filhos. Mas, em 2010 teve que recorrer a empréstimos consignados para poder atender a uma emergência, quando o marido ficou desempregado. Pagou R$1.500 em 12 meses, em parcelas no valor de R$ 142. E, agora, estava pensando em contrair mais um empréstimo consignado para realizar um pequeno investimento em sua atividade extra. Mas, com a subida dos juros, acha que o empréstimo não vai valer a pena.
“Para nós que lidamos com pouco dinheiro e somos assalariados os empréstimos ajudam a manter a renda, principalmente, depois do Natal, quando tenho muita conta para pagar. Para mim, mesmo que aumente, não vai fazer muita diferença porque no final pago sempre o mesmo valor no salário. Mas, neste ano, o valor que busco é menor e acho que se os juros aumentarem muito, não vou fazer não”, disse a funcionária pública.
Os empréstimos feitos com o cartão de crédito, direto no caixa rápido, também sofrerão alta de juros.O mesmo ocorrerá com os empréstimos online, que terão aumento na taxa, anunciadas pelas financeiras como as mais baixas da categoria.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar