Pelo visto a gasolina não é a única vilã dentre os combustíveis. O diesel, usado principalmente em caminhões e transportes fluviais, também tem apresentado números mais altos em 2011. Em virtude disso, o preço dos fretes deve sofrer elevação, ainda mais no Amazonas, que depende de ambas as vias para trazer seus componentes industriais.
O secretário do Setcam (Sindicato das Empresas de Carga, Logística e Transportes Aéreos e Rodoviários de Cargas do Estado do Amazonas), Raimundo Augusto Nonato, afirma que o óleo terá um incremento de 15%, até porque o segmento padece com o valor atual.
Hoje, o preço médio do transporte rodofluvial entre Manaus e São Paulo é de R$ 2,40 por quilograma. “Com este valor, a lucratividade está em baixa”, afirmou o representante.
Na semana passada, o Banif (Banco Internacional do Funchal) anunciou que há necessidade de um aumento nos preços destes produtos comercializados pela Petrobras. Em relação ao mercado internacional, o Banco aponta que há uma defasagem de 24% para o diesel e de 33% para a gasolina. Para tornar a mercadoria mais competitiva diante dos produtos do exterior, a Petrobras deve elevar o óleo diesel em 4%, de acordo com análise do banco.
Equipamentos e pedágio
Embora o óleo seja um dos maiores culpados para o maior percentual no frete, o custo de equipamentos, assim como de pedágios, também tem influenciado o arrocho. Além disso, Nonato destaca a falta de estradas com boas condições, o que possibilita maior gasto com reposição de peças e acessórios pela categoria.
Na Amazon Trans, a secretária da empresa, Fernanda Souza, declara que a inflação não tem pressionado o setor, isto porque o estabelecimento já considerou as projeções indicadas no final de 2010 para a nova tabela de preços.
No ano anterior, as expectativas do Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis) mostravam que o preço do óleo diesel poderia ficar pelo menos 2% mais caro.
De acordo com o vice-presidente executivo da entidade, Alisio Vaz, a ampliação seria em torno de R$ 0,02 a R$ 0,03 a mais, por litro do diesel, que, na época, saía da refinaria a R$ 1,13 sem impostos.
Ele indicava que mais de 60% do transporte de cargas no Brasil é realizado pelo modal rodoviário e, portanto, qualquer alteração no custo do diesel contribuiria para uma expansão nos preços dos produtos finais.
Contudo, pelo menos no Amazonas, esta alta não deve impactar o preço final nos itens fabricados na ZFM (Zona Franca de Manaus), segundo o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus) e também vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
Porém, como consumidor, ele salienta que um país autossuficiente em petróleo não poderia ter um dos custos mais elevados do mundo. O secretário do Setcam também se vale da mesma opinião e ressalta que, sendo assim, o país precisaria de melhorias em suas rodovias, ainda mais quando, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), foram comercializados 39.413 caminhões nos primeiro trimestre, alta de 26,92% em comparação a igual período do ano anterior (31.053).







