Entre 70% e 80% da produção agrícola do Estado já foi comprometida pela cheia no interior
Entre 70% e 80% da produção agrícola do Estado em 2015 já foi comprometida pela cheia no interior. A estimativa é do presidente da Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Amazonas), Alfredo Pontes. Em entrevista coletiva realizada na manhã de ontem (15), Pontes alertou que agricultores de 42 municípios do Amazonas já não podem contar com a produção desse ano e os prejuízos, ainda não calculados, deverão comprometer o abastecimento das cidades do interior do Estado e parte da capital amazonense.
“Já estamos sentindo a escassez de alguns produtos, principalmente os produtos de ciclo curto, que exportamos como a cebolinha, coentro, macaxeira, pimentão, mamão e jerimum já estão na entressafra e nós só encontramos estes produtos com produtores que têm cultivo em terra firme –e mesmo esses sofreram um aumento de 30% nos preços”, disse o presidente da Fetagri.
Ainda de acordo com Alfredo Pontes, as produções nos municípios de Boca do Acre, Atalaia do Norte, Benjamim Constant e Tabatinga foram as mais comprometidas pela enchente deste ano. Ele acrescentou ainda que solicitou para esta quarta-feira (17), uma reunião com o governador José Melo para pedir ajuda financeira que, segundo ele, ainda não foi enviada.
“O governo do Estado, até agora, não tem nenhum projeto político para resgatar essas culturas. Não temos garantias. Na cheia de 2009, tínhamos o Bolsa Enchente e hoje não temos nada do governo do Estado, que alega que não tem dinheiro. O governo federal está fazendo a parte dele, mesmo com dificuldades, reclamou o presidente da Fetagri.
De acordo com dados do governo do Estado, no entanto, já foram repassados diretamente a 12 prefeituras, o montante foi de R$ 3,4 milhões. Além disso, o governo do Estado afirma que já distribuiu, por meio da Defesa Civil do Amazonas, 556 toneladas de alimentos não perecíveis. Outros itens como colchões, redes, cobertores, mosquiteiros, produtos de higiene pessoal, medicamentos, hipoclorito de sódio, água potável, filtros de água e mais de 850 kits de madeira para a construção de pontes e marombas, também foram disponibilizados para a população afetada. Segundo os números do governo, as enchentes no Amazonas já atingiram 89.020 famílias, o que representa 445.167 pessoas.
Emergência
Na última segunda-feira (15), a Defesa Civil do Amazonas avaliou como procedente os decretos de Situação de Emergência dos municípios de Silves e Autazes, no Médio Amazonas. As cidades entram no cronograma de atendimento humanitário do órgão, que já distribuiu mais de 556 toneladas de alimentos não perecíveis às famílias afetadas pela enchente em todo o Estado.
“Assim como as demais cidades em Emergência, Silves e Autazes também terão o suporte do governo do Estado”, afirmou o secretário adjunto da Defesa Civil do Amazonas, Hermógenes Rabelo.
Com esses dois municípios sobe para 44 o número de cidades em Emergência no Amazonas e Boca do Acre, permanece em Estado de Calamidade Pública. Em Silves, 420 famílias foram afetadas. Já em Autazes o contingente é maior, com 1.552 famílias atingidas diretamente com a subida do nível do rio.
Lucas Câmara
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