Endividamento no início do ano aponta para aquecimento da economia

Em: 5 de março de 2020
Endividamento das famílias de Manaus cresce em fevereiro, mas inadimplência recua
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Endividamento das famílias de Manaus cresce em fevereiro, mas inadimplência recua

O percentual de famílias de Manaus que se dizem endividadas voltou a aumentar entre janeiro e fevereiro, na contramão da média nacional. Em termos de inadimplência e falta de capacidade de honrar com compromissos financeiros, entretanto, os consumidores da capital amazonense se saíram melhor do que os brasileiros em geral e, assim como no mês anterior, tiveram mais facilidade para resolver suas pendências. 

A informação está nos números locais da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), divulgados nesta quarta (4). O levantamento levou em conta a quantidade de famílias com dívidas contraídas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal, compra de imóvel e prestações de carro e de seguros.

Na sondagem, 84,6% das famílias manauenses ouvidas no mês passado (529.266) se dizem endividadas, números muito acima dos apresentados em janeiro de 2020 (80% e 499.674) e de fevereiro de 2019 (73% e 450.239). É também o maior número na série histórica de 13 meses fornecida pela CNC, após três retrações seguidas no indicador. 

Em âmbito nacional, o indicador de endividamento das famílias brasileiras diminuiu de 65,3% para 65,1%, entre janeiro e fevereiro de 2020. Mas, assim como ocorrido no levantamento anterior, o indicador apontou expansão na comparação com a marca de 12 meses atrás (61,5%).

O índice de inadimplência em Manaus, por outro lado, recuou de 26,6% (166.051) para 26,3% (164.340) e também ficou menor do que os 35,4% (218.442) de 12 meses atrás. A proporção de consumidores brasileiros com dívidas ou contas em atraso, por outro lado, foi na direção contrária e subiu, tanto na variação mensal – de 23,8% para 24,1% –, quanto no confronto com o valor de fevereiro de 2019 (23,1%).

A fatia correspondente às famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes também andou para trás em Manaus – mas avançou no Brasil. Na capital amazonense, o percentual foi de 12,7% (79.683), caindo em relação a janeiro (13,3% e 83.035) e fevereiro de 2019 (14,5% e 89.236). No país, foi de 9,6% para 9,7% de um mês para outro e ficou bem acima do patamar de um ano atrás (9,2%).

Entre as famílias manauenses ‘penduradas’ por compromissos financeiros, 47,7% se assumem “muito endividadas” – percentual bem acima do de janeiro (38,1%). Em seguida, vêm aqueles que se dizem “mais ou menos endividados” (21,9%) e pouco endividados (15%). No primeiro e no terceiro grupo, predominam os consumidores com renda total de até dez salários mínimos. No segundo, os manauenses com renda superior a esse patamar lideram as pendências.

Cartão e comprometimento

Em Manaus, assim como na média nacional, o maior vilão do endividamento e da inadimplência ainda é o cartão de crédito. Em nível local, 83,9% apontaram esse meio de pagamento como responsável pela situação – contra 77,1%, em janeiro. O percentual é maior entre os que ganham mais (94,8%). Carnês comparecem na segunda posição, com 41,3%, tendo reduzido sua fatia em face do levantamento anterior (42,5%). O público preferencial, neste caso é dos que ganham menos (44,6%). No Brasil, as pendências se concentram em cartão de crédito (78,6%), carnês (15,9%) e financiamento de veículos (10,7%).

Em média, as famílias de Manaus consomem 39,8% de sua renda para pagar dívidas – contra os 35,3% do mês anterior. A maioria (50,2%) compromete mais da metade de sua renda mensal com pagamento de dívidas, seguidas por aqueles que gastam de 11% a 50% (31,6%) e pelos que limitam os dispêndios a 10% para esse fim (7,5%). No mês anterior, essas fatias foram de 30,6%, 47,2% e 8,9%, respectivamente. 

“Tivemos um comércio mais aquecido no último trimestre de 2019, o que influenciou no endividamento. A queda da Selic, a liberação do FGTS e do 13º salário, bem como o apelo das promoções do Black Friday levaram o consumidor a comprar mais e se endividar mais. Mas, a inadimplência continua caindo e nossa leitura é que, mantidas as atuais condições, os números de endividamento devem cair nos próximos meses”, ponderou o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota.

Sazonalidade e reaquecimento

A economista da entidade responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, destaca, em texto divulgado pela assessoria de imprensa da CNC, que o endividamento menor e a inadimplência maior se devem à sazonalidade do primeiro trimestre. “A capacidade de pagamento é influenciada por gastos adicionais com impostos e taxas, matrícula e material escolar, além de reajustes de tarifas e serviços, o que implica um número maior de famílias que pode encontrar dificuldades para pagar as contas em dia nesse período”, explicou.

Em sintonia e no mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que a tendência observada no endividamento geral das famílias configura uma perspectiva de aquecimento do consumo e observa que o aumento de alguns indicadores não deve ser visto, necessariamente, como negativo. 

“Embora tenha arrefecido nos últimos dois meses, o endividamento em alta está associado a condições mais favoráveis no mercado de crédito ao consumidor, impulsionado por fatores como a melhora recente do mercado de trabalho e a redução significativa das taxas de juros, o que permite a queda do custo do crédito”, concluiu. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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