Entidades apóiam revisão no PPB para fomentar setor

Em: 1 de dezembro de 2008
A aprovação do Ministério da Ciência e Tecnologia do PPB que garante incentivo fiscal às empresas interessadas em produzir telas de cristal líquido e plasma obriga a aplicação de pelo menos 2,5% do faturamento anual em P&D
A aprovação do Ministério da Ciência e Tecnologia do PPB que garante incentivo fiscal às empresas interessadas em produzir telas de cristal líquido e plasma obriga a aplicação de pelo menos 2,5% do faturamento anual em P&D

A fuga cada vez maior das indústrias locais de eletroeletrônicos para os insumos importados como rota de saída para a oferta de produtos a preços mais competitivos foi o principal tema das propostas encaminhadas ao Ministério do Planejamento pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Valdemir Santana, no último dia 25.
Santana explicou que, se de um lado as empresas baixam os custos em relação aos similares orientais, o movimento deprime a economia amazonense, tanto por estimular as demissões e o desemprego, como pela ameaça às empresas mais frágeis, que não conseguem reduzir seus preços no mesmo nível dos concorrentes.
Santana explicou que as propostas encaminhadas ao ministro Paulo Bernardo têm como fundamento uma série de medidas na qual está prevista, além do incremento da produção local de monitores de cristal líquido para TVs, computadores e telefones celulares, uma redução de 12% para 10% no percentual anual de insumos importados das placas de circuito interno do produto industrial final. O dirigente ressaltou que a aprovação do novo PPB (Processo Produtivo Básico) para cristal líquido e plasma dará capacidade ao Estado de gerar pelo menos 2.000 empregos imediatos. “Há dois anos, a Samsung Display e a Philips produziam esses insumos em Manaus, mas não se sabe o motivo pelo qual o Ministério da Indústria e Comércio optou pela importação, prejudicando o ciclo produtivo local”, questionou.
A aprovação do Ministério da Ciência e Tecnologia do PPB que garante incentivo fiscal às empresas interessadas em produzir telas de cristal líquido e plasma obriga a aplicação de pelo menos 2,5% do faturamento anual em P&D. Outra contrapartida aos benefícios fiscais da nova proposta é a necessidade de usar componentes nacionais, como a memória e a placa-mãe vinda da Bahia ou produzida localmente.
O diretor-executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra, disse que a manufatura local dos componentes para o novo PPB, uma vez aprovado, sofrerá impacto positivo na produção e na oferta de postos de trabalho em Manaus. O executivo defendeu uma maior nacionalização nos insumos da indústria local, apontando a demanda reprimida do pólo de componentes ainda pouco explorada pelas indústrias de eletroeletrônicos. “O adensamento vai trazer mais investimentos à região, possibilitando a expansão do pólo de componentes. Em se tratando de nacionalização dos componentes, a política industrial do país só tem a ganhar com a geração de emprego e retração nos gastos”, asseverou. O presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, parece concordar com o pensamento de Dutra. Em nota, o executivo disse acreditar que “a iniciativa do Sindicato Laboral seja bastante positiva  no sentido de criarmos mais empregos e poder atrair maiores investimentos para a Zona Franca de Manaus”.

Empresas podem ter incentivo para produção de compontentes

De olho nessa possibilidade e impulsionada pelo crescimento da venda de computadores no país, a Elcoma Componentes e Materiais Eletrônicos iniciou neste mês as atividades de sua fábrica de computadores em Pernambuco. Segundo o diretor-presidente da empresa, Júlio Gil Freire, a Elcoma espera incentivar a criação de uma rede de empresas fornecedoras voltadas para o desenvolvimento de componentes de informática. “A compra dos insumos no Amazonas vai estimular a criação desse cluster de fornecedores no PIM, posicionando a produção do hardware, em Pernambuco, num patamar de competitividade”, explicou.
Outra que comemorou a possibilidade de ser aprovado o novo PPB para telas de cristal líquido e plasma foi a unidade STI (Semp Toshiba Informática), responsável por um terço da receita total da Semp Toshiba, cujo presidente, Afonso Hennel, apontou como peça-chave na expansão da marca, a queda no preço dos mini-notebooks que a nacionalização trará. Apesar de a Semp Toshiba ter entrado com certo atraso no mercado de TVs de plasma e cristal líquido, o executivo concordou que o segmento de informática de fato será o mais beneficiado com a medida.
Na semana passada, segundo Hennel, por conta da crise econômica internacional, a companhia anunciou um aumento de 10% em toda a linha de produtos. O executivo contou que os contratos assinados até dia 1º de outubro serão respeitados, mas os novos produtos virão com esse acréscimo. “Acredito que essa crise não afetará muito o mercado brasileiro em geral”, considerou.
No início deste mês, a empresa publicou o edital de oferta pública para recomprar as ações da Semp Toshiba S/A, com a intenção de cancelar o registro de companhia aberta. A decisão havia sido tomada em junho pelo conselho de administração da companhia. “A Semp Toshiba Amazonas, de capital fechado, tem 92% do capital da Semp Toshiba S/A e pagou pela Bovespa R$ 16,70 por ação pelos 8% que estão no mercado, cerca de 779,5 mil ações ordinárias”, finalizou Hennel.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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