O fluxo de dólares para o Brasil voltou a ficar positivo no mês passado, numa sinalização de que, pelo menos por enquanto, as turbulências dos mercados internacionais já não afetam a entrada de capital externo no país. Segundo dados do Banco Central, foi registrado um ingresso líquido de US$ 6,772 bilhões em outubro, contra uma saída de US$ 3 milhões apurada no mês anterior, quando os investidores estavam mais cautelosos devido ao agravamento da crise do mercado imobiliário norte-americano.
Com o resultado de outubro, o fluxo acumulado no ano chegou a US$ 76,776 bilhões em recursos externos, valor 118% maior do que o apurado no mesmo período de 2006.
O crescimento foi puxado pelo maior ingresso de dólares referentes às chamadas operações financeiras -empréstimos e investimentos estrangeiros, entre outras transações.
Neste ano, essas operações foram responsáveis pela entrada de US$ 10,611 bilhões no país. Nos primeiros dez meses do ano passado, ao contrário, foi registrado uma saída líquida de US$ 9,473 bilhões.
Para Mário Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora, a alta taxa de juros praticada no Brasil é um dos principais fatores que explica o fluxo de dólares para o país, o que tem puxado a cotação da moeda dos Estados Unidos cada vez mais para baixo.
“Estamos importando capital especulativo’’, diz Battistel, numa referência à atratividade que investimentos de renda fixa no Brasil oferecem para aplicadores estrangeiros devido aos juros altos. Atualmente, a taxa Selic, que remunera as aplicações em títulos do governo, está em 11,25% ao ano.
O comportamento da balança comercial também ajudou a manter o fluxo positivo de dólares para o Brasil neste ano.
Entre janeiro e outubro, as operações de comércio exterior responderam pelo ingresso de US$ 66,165 bilhões para o país, o que representa um crescimento de 48% em relação ao ano passado.
Os números positivos permitiram que o Banco Central voltasse a comprar dólares no mercado de câmbio, o que tem ajudado a reforçar as reservas em moeda estrangeira do governo.
Ao longo do mês passado, essas aquisições somaram aproximadamente US$ 3,5 bilhões. No ano, as compras oficiais já chegam a US$ 70,5 bilhões, elevando as reservas internacionais para US$ 170,6 bilhões.







