O segmento de bares e restaurantes segue a tendência do comércio varejista e já oferece oportunidades de mão de obra temporária para atender a demanda de fim de ano. É um dos períodos em que este tipo de serviço dobra a procura em razão da sazonalidade das datas. Dados de pesquisa da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) mostram que 35% dos empreendedores pretendem contratar funcionários para dar conta do ritmo frenético no movimento que deve ter um incremento 7% maior durante o período.
Os números da Asserttem (Associação Brasileira do Trabalho Temporário), apontam que o segmento de serviços ocupa o segundo lugar no ranking de projeção sobre a oferta de vagas nesta modalidade de contratação.
A perspectiva da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) para o mercado de trabalho na reta final do ano é otimista: 2023 deve ter 262 mil vagas temporárias, um aumento de 8,14% em relação a 2022. O número é o mais alto desde 2014, quando foram geradas 299,7 mil vagas. Nesse contexto, o segundo maior empregador será o segmento de hospedagem e restaurantes que contribuem com 63 mil vagas.
No cenário atual, as expectativas estão altas. A espera pelo aumento das vendas devido as festas e confraternizações de final de ano trazem um suspiro de esperança ao setor, em fechar um ano com bons resultados. “O final do ano é sempre um período com muitos eventos e confraternizações e isso, de uma maneira geral, aquece o setor da alimentação fora do lar. Portanto, é grande a expectativa dos estabelecimentos para recuperar até parte do que porventura não tenha fechado de contas ao longo do ano, e também para iniciar o próximo ano com o pé direito”, enfatiza o presidente da Abrasel no Amazonas, Rodrigo Zamperlini.
Para a entidade, é importante que as empresas também preparem análises pós-vendas, que podem auxiliar na avaliação do impacto das festas de confraternização corporativas e as preferências dos consumidores diante das opções oferecidas pelos estabelecimentos.
O empresário Rogério Cunha reforçou a equipe e diz que que o setor nessa época, graças está com uma procura maior do que o normal. “Nós contratamos mão de obra temporária, tanto para o atendimento, quanto para a produção. Por exemplo, no caso do nosso estabelecimento, está com crescimento em torno de 10% a 12% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo ele, pelo menos até a primeira quinzena de janeiro, o movimento é bom, “é interessante o movimento de janeiro, são pessoas que moram fora de Manaus, que vem passar o Natal e gostam de visitar os tradicionais restaurantes da cidade, então tem muita presença de visitantes”, destacou.

O proprietário do Grupo Dedé, em Manaus, Rogério Perdiz, afirmou que as contratações na empresa começaram em novembro. “Fizemos contratações em novembro já pensando no fluxo do final de ano, em função da necessidade de treinamento e adaptação aos processos. Contratamos em torno de 10% do quadro de colaboradores neste formato. Fim de ano é muito movimentado. Especialmente, no mês de dezembro há um aumento natural do fluxo nos bares e restaurantes, mas nesse ano em particular, observamos uma procura maior por reservas e para realizar confraternizações corporativas, familiares e de amigos”, frisou.
“O fluxo em dezembro representa 30% a mais que a média dos demais meses. Sendo o setor de gastronomia e alimentação fora do lar tem sido procurado para as confraternizações, encontros e celebrações tão próprias desta época”, complementou.
Em outros números
Pesquisa da Abrasel, realizada entre o final de outubro e o começo de novembro, constatou ainda que 58% dos bares e restaurantes pretendem manter o quadro atual de funcionários e somente 7% indicaram que podem demitir.
Ao analisar os motivos por trás das contratações planejadas, 62% afirmam ser para dar suporte ao aumento esperado de demanda, enquanto 22% visam atender às necessidades de gestão e reorganização da empresa. Além disso, 20% planejam contratar para renovar a equipe e 8% têm planos de abrir filiais ou novas unidades.
“Há um certo otimismo do setor em relação ao aumento de demanda. Ao longo deste ano, muitos já se prepararam recompondo as equipes. Ainda assim é muito significativa a parcela que diz que fará contratações”, diz Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.
“Também chama a atenção o fato de voltarmos a ter quase 10% das empresas contratando para abrir filiais ou novos negócios, mais um sinal de como somos resilientes”, continua Solmucci.
Alguns ponderam
Embora o empresário Aulicio Santos tenha contratado 10 colaboradores, ou seja, 5 em cada unidade existente do seu restaurante, ele ressaltou que espera que ao menos possa atingir a meta esperada do ano, pois informou que a média de queda está na casa dos 10% em relação ao mesmo período do ano passado.
Jean Fabrizio, também representante do segmento, declarou que faz parte dos 65% dos empresários que não pretendem utilizar o regime de contratação durante o período. “No meu caso, observo que o mercado não aqueceu ainda. Tenho conversado com alguns empresários de outras áreas que tem reclamado bastante do mercado atual”, contou.







